quarta-feira, 25 de março de 2026

Quais medicamentos tornam-se arriscados quando as temperaturas sobem?

Durante uma onda de calor com temperaturas de até 40 °C, um homem de 30 anos deu entrada no pronto-socorro do Hospital de Pesquisa Humanitas em Milão, na Itália. O paciente apresentava lesão renal aguda e alcalose metabólica, causadas por desidratação severa e vômitos repetidos. 

A princípio, a Dra. Alessandra Iorfida, médica de emergência do hospital e membro da diretoria executiva da Sociedade Italiana de Medicina de Emergência, não suspeitou que medicamentos em uso pelo paciente pudessem ser os responsáveis. No entanto, embora os sintomas indicassem insolação, estavam sendo agravados pelo uso de um agonista do receptor de GLP-1.


O fármaco, cada vez mais popular para o controle da obesidade e do diabetes, havia suprimido a sensação de sede do paciente e estava causando náuseas. "À medida que as mudanças climáticas aumentam a frequência e a intensidade das ondas de calor, veremos mais desses casos", explicou ela ao Medscape.


Os agonistas do receptor de GLP-1 são apenas a adição mais recente a uma lista de medicamentos (como diuréticos comuns, betabloqueadores e antipsicóticos) que podem causar eventos adversos súbitos quando as temperaturas ambientais se elevam. Esses fármacos podem transformar uma onda de calor controlável em uma emergência médica ao comprometer a capacidade do organismo de regular a temperatura ou ao prejudicar a percepção da sede.


Atualmente, o projeto ADAPT-HEAT, liderado por pesquisadores da Universidade de Colônia, na Alemanha, juntamente com a Dra. Katharina van Baal, Ph.D. e pesquisadora associada do Instituto de Medicina Geral e Cuidados Paliativos da Escola de Medicina de Hannover, está elaborando a lista CALOR. Trata-se de um diretório projetado para auxiliar profissionais de saúde na identificação e gerenciamento de medicamentos que podem se tornar perigosos durante eventos de calor extremo.


A lista foi criada a partir da análise de grandes conjuntos de dados de operadoras de saúde para identificar os medicamentos prescritos com mais frequência a pacientes que apresentaram eventos adversos durante ondas de calor. 



Em seguida, um painel interdisciplinar de 30 especialistas (incluindo generalistas, hospitalistas, farmacêuticos e assistentes farmacêuticos de toda a Alemanha) foi consultado para que se alcançasse um consenso sobre ajustes específicos de doses e protocolos de monitoramento. 


Por fim, uma fase de testes práticos envolveu generalistas aplicando essas recomendações em suas práticas clínicas para verificar sua eficácia na prevenção de eventos adversos em períodos de temperaturas elevadas. 


Isso garante que as recomendações não sejam sólidas apenas do ponto de vista teórico, mas também aplicáveis à rotina de um ambiente clínico movimentado, afirmou ao Medscape a Dra. Katharina. Um dos principais objetivos do projeto é integrar fatores ambientais ao cuidado já padronizado.


Quais são os medicamentos de risco e para quem?


As evidências indicam que o uso de certos medicamentos durante ondas de calor pode aumentar idas a prontos-socorros e hospitalizações, afirmou ao Medscape a Dra. Maria Inês M. Marques, médica de família e professora na Universidade de Lisboa, em Portugal. Os pacientes sob maior risco são aqueles com reserva fisiológica reduzida, como crianças pequenas e idosos. 


Outros grupos vulneráveis envolvem pessoas com doenças crônicas ou em situação de vulnerabilidade social ou funcional, como indivíduos com doenças cardiovasculares, renais ou psiquiátricas; pacientes com deficiências intelectuais ou transtornos mentais graves; pessoas com baixo nível socioeconômico; e pacientes que utilizam múltiplos medicamentos.


Os principais fármacos que geram preocupação são:


Diuréticos: ao promoverem perda de líquidos, podem causar alterações perigosas na volemia que, somadas às perdas induzidas pelo calor, levam à hipotensão, síncope e lesão renal aguda.


Anti-hipertensivos (como betabloqueadores e inibidores da enzima conversora de angiotensina): podem prejudicar a compensação cardiovascular ao estresse térmico ou reduzir o fluxo sanguíneo cutâneo, impedindo que o organismo dissipe o calor de forma eficaz.


Antipsicóticos e antidepressivos: podem ser particularmente perigosos por alterarem a regulação térmica central no cérebro ou induzirem sudorese excessiva, levando a desidratação grave.


Agonistas do receptor do GLP-1: suprimem a sensação de sede e podem causar náuseas. Isso cria um ciclo em que o paciente reduz a ingestão de líquidos enquanto perde fluidos pelo calor, podendo evoluir para alcalose ou acidose metabólica, explicou a Dra. Alessandra. "O paciente sente-se saciado, não quer beber água e não percebe que está ficando gravemente desidratado", complementou.


Insulina e fármacos termossensíveis: o calor ambiental pode degradar fisicamente medicamentos como a insulina, que é altamente sensível à temperatura e exige refrigeração estável.


Dispositivos pressurizados: inaladores e outros recipientes pressurizados representam um risco físico adicional, pois podem explodir se armazenados em temperaturas ambientais extremamente altas.


Os médicos da linha de frente sentem-se preparados para lidar com o calor extremo?


Apesar das crescentes evidências clínicas, persiste uma lacuna significativa na forma como os médicos identificam e gerenciam, na Europa, os riscos relacionados a medicamentos durante ondas de calor. Uma pesquisa com profissionais de saúde em 11 países europeus revelou que a maioria reconhece as ameaças do calor extremo à saúde, mas menos da metade tem acesso a diretrizes institucionais formais ou treinamento específico para gerenciar esses riscos em seus pacientes.


Oito médicos entrevistados para esta reportagem também descreveram um nível de conscientização fragmentado: enquanto quatro afirmaram conseguir identificar prontamente classes de medicamentos de alto risco, três disseram que "se beneficiariam de uma lista", e um admitiu ainda não considerar fármacos como fator de risco primário durante períodos de temperaturas mais elevadas.


Cinco dos oito médicos afirmaram basear o tratamento principalmente em ajustes temporários na dose (sobretudo para diuréticos) e no aumento da frequência de monitoramento eletrolítico e da função renal. No entanto, apenas três referiram fornecer rotineiramente orientações sobre riscos medicamentosos e armazenamento seguro de fármacos durante calor extremo ou quedas de energia. 


Metade relatou aumento na morbimortalidade entre seus pacientes durante ondas de calor, e cinco afirmaram acreditar que as mudanças climáticas modificarão o tratamento na próxima década.


Por outro lado, os pacientes parecem altamente motivados a buscar orientação profissional sobre esses riscos. De acordo com um grande estudo alemão publicado no periódico BMJ Open, aproximadamente um quarto dos entrevistados — e quase 40% dos participantes ≥ 75 anos — expressaram claro interesse em receber de seus médicos da atenção primária informações de saúde relacionadas às ondas de calor. A informação mais procurada dizia respeito ao manuseio de medicamentos, envolvendo questões como armazenamento seguro e momento adequado para ajuste de doses.


"Precisamos de mais orientação", afirmou o Dr. Tiago Villanueva, médico de família em Portugal e presidente da European Union of General Practitioners. Ele afirmou que órgãos reguladores (como a European Medicines Agency [EMA]) poderão, no futuro, considerar a incorporação de indicações específicas de risco relacionadas ao calor diretamente no “Resumo das Características do Produto” (documento obrigatório para se obter uma autorização de introdução do fármaco no mercado, segundo diretiva do Parlamento Europeu) de determinados medicamentos. 


"Isso garantiria que os alertas relacionados ao calor e seus efeitos sobre a saúde fossem tão fundamentais para o perfil de segurança de um fármaco quanto os alertas relacionados às funções hepática ou renal", concluiu.


Por: Manuela Callari em Medscape

segunda-feira, 9 de março de 2026

Anvisa aprova novo medicamento para epilepsia


 Xcopri® pode reduzir crises em pacientes que não respondem aos tratamentos oferecidos atualmente



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento Xcopri ® (cenobamato), da empresa Momenta Farmacêutica Ltda. O produto é indicado para tratar crises focais em adultos com epilepsia que ainda têm crises mesmo após usar pelo menos dois tratamentos diferentes. 

A autorização foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (9/3). 

A epilepsia é uma doença que causa crises repetidas, por causa de alterações na atividade elétrica do cérebro. A doença pode: 


- aumentar o risco de acidentes e morte súbita; 

- trazer problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão; 

- causar dificuldades no trabalho e na vida social. 

Cerca de 30% dos pacientes não respondem bem aos tratamentos disponíveis e continuam tendo crises. 


O que é o cenobamato? 

O cenobamato é um medicamento antiepiléptico. Ele ajuda a diminuir a atividade elétrica anormal no cérebro. Isso reduz a chance de novas crises. 

Os estudos mostraram que o medicamento reduziu as crises de forma importante: 

- 40% dos pacientes que tomaram 100 mg por dia tiveram diminuição de pelo menos 50% das crises. 

- 64% dos que tomaram 400 mg por dia tiveram a mesma melhora. 

- No grupo que tomou placebo, a melhora foi de 26%. 

O medicamento não deve ser usado por pessoas com síndrome do QT curto familiar, uma alteração genética rara que pode causar arritmias 

Quando o medicamento estará disponível? 

Mesmo com o registro aprovado, Xcopri ® só poderá ser vendido após a definição do preço máximo pela CMED. A oferta no SUS depende de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e decisão do Ministério da Saúde. 


Fonte: Anvisa

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Anvisa aprova novo medicamento para tratar a fenilcetonúria

 A fenilcetonúria é uma doença genética, rara, grave e debilitante que tem um impacto negativo significativo na qualidade de vida do paciente. 


A doença é causada por mutações bialélicas no gene PAH, o qual codifica a enzima hepática fenilalanina-hidroxilase (FAH). 


A ausência (ou atividade deficiente) dessa enzima impede a conversão de fenilalanina, um dos aminoácidos essenciais e mais comuns do organismo, em tirosina, causando acúmulo de fenilalanina no sangue (hiperfenilalaninemia) e, consequentemente, no líquor. 


Em pacientes com fenilcetonúria em uma dieta irrestrita, existe uma associação direta entre a concentração sanguínea de fenilalanina elevada e o desenvolvimento de déficits neurocognitivos e deficiência intelectual severa e irreversível. 


Embora o diagnóstico precoce e o manejo dietético da fenilcetonúria no nascimento tenham se tornado mais comuns, as crianças com PKU ainda apresentam déficits neurocognitivos em comparação com irmãos e crianças sem PKU na população em geral.


Concentrações sanguíneas de fenilalanina elevadas na adolescência e na idade adulta estão associadas ao baixo desempenho cognitivo e processamento de informações e comprometimento do funcionamento executivo. 


Apesar da implementação precoce e do manejo sustentado da ingestão alimentar de fenilalanina, permanecem déficits no desempenho escolar, laboral, nos relacionamentos e na qualidade de vida.


O que é a sepiapterina?


Sepiapterina, insumo farmacêutico ativo (IFA) de Sephience™, é uma versão estruturalmente equivalente, sintetizada exogenamente, da sepiapterina endógena produzida biologicamente, que é um precursor natural da tetraidrobiopterina (BH4). 


A sepiapterina pode ser convertida em BH4, que é usada pelo corpo para ajudar a quebrar a fenilalanina, reduzindo seus níveis no sangue.


Para que SEPHIENCE™ é indicado?


Sephience™ é um medicamento indicado para o tratamento da hiperfenilalaninemia em pacientes com fenilcetonúria. Seu uso é indicado para pacientes pediátricos e adultos. 


Quais os benefícios que SEPHIENCE™ demonstrou nos estudos clínicos?


Os resultados de um estudo clínico principal duplo-cego, randomizado e controlado mostraram que houve uma redução duradoura na fenilalanina sanguínea paralelamente a um aumento na tolerância à fenilalanina alimentar promovidos pelo tratamento com sepiapterina, demonstrando benefício clinicamente significativo associado a um perfil de segurança bem tolerado e consistente em pacientes adultos e pediátricos com fenilcetonúria.


Quais os principais riscos associados a SEPHIENCE™?


Os eventos adversos mais comumente relatados durante o tratamento com Sephience™ foram infecção do trato respiratório superior (infecção do nariz e da garganta), dor de cabeça, diarreia e dor abdominal. Fezes descoloridas e hipofenilalaninemia (níveis baixos de fenilalanina) também podem afetar até 1 em cada 10 pessoas. 


Como SEPHIENCE™ deve ser usado?


O tratamento com Sephience™ deve ser iniciado e supervisionado por um médico com experiência no tratamento de PKU. A monitorização ativa da ingestão dietética de fenilalanina e da ingestão total de proteínas é necessária a fim de assegurar o controle adequado dos níveis sanguíneos de fenilalanina e manter o equilíbrio nutricional durante o tratamento com Sephience™.


A dose recomendada de Sephience™ deve ser administrada via oral uma vez ao dia com alimentos e é baseada na idade e no peso corporal de cada paciente (mg/kg/dia). 


SEPHIENCE™ já está disponível no mercado?


Embora o registro de Sephience™ já tenha sido concedido pela Anvisa, o medicamento estará apto para comercialização após a aprovação do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Porém, a decisão de quando o medicamento será comercializado é da empresa detentora do registro.


A disponibilização do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS) é condicionada à avaliação e recomendação de incorporação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) e aprovação pelo Ministério da Saúde. Nem todo medicamento registrado na Anvisa é objeto de avaliação pela CONITEC e incorporação ao SUS.

Fonte: Anvisa

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Febre maculosa: quais são as causas, os sintomas e como prevenir a doença

O primeiro caso de febre maculosa no Brasil foi confirmado há mais de 90 anos. No entanto, a falta de informação ainda é um dos principais desafios para o combate à doença. Segundo o Ministério da Saúde, a maior concentração das notificações está nas regiões Sudeste e Sul. Em 2021, até o mês de setembro, o país registrou 69 casos e 19 mortes.

No dia 31 de agosto, o município de Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, registrou a morte de uma criança de seis anos por febre maculosa. A confirmação laboratorial foi realizada no último fim de semana. Segundo Prefeitura de Campos, a Secretaria Municipal de Saúde adotou medidas para evitar o surgimento de novos casos, incluindo a busca ativa no campo para identificação e combate ao carrapato-estrela, responsável pela transmissão.

Pfizer afirma que sua vacina anticovídica é segura e eficaz para crianças de 5 a 11 anos

Em meio a números recordes de casos de covid-19 relatados em crianças, a farmacêutica norte-americana Pfizer e sua parceira alemã BioNTech anunciaram na segunda-feira (20) que sua vacina de RNAm contra o novo coronavírus é segura e parece gerar uma resposta imune protetora em crianças a partir dos cinco anos.

As empresas vêm testando uma dose mais baixa do imunizante – apenas 10 miligramas – em crianças entre 5 e 11 anos. Isso é um terço da dose administrada a adultos.

Importação de medicamentos demanda cuidados com documentação e empresas fraudulentas

Entre janeiro e agosto de 2019, um dos principais motivos de indeferimento de importações de medicamentos e produtos biológicos junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi a ausência de documentos necessários para o requerimento.

A falta de prática e a burocracia podem ser impedimentos para que os profissionais de saúde indiquem a pacientes a possibilidade de adquirir medicamentos no exterior, “mas os médicos podem agilizar o processo se estiverem informados”, disse o farmacêutico Ricardo Machado, que atuou na Diretoria de Farmácia da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia entre 2008 e 2011, e hoje trabalha na gestão de supply, contratos e logística do Grupo CAM, em Salvador. 

Mais dados tranquilizadores sobre vacinas anticovídicas e gravidez

Receber uma vacina anticovídica no início da gestação não foi associado a aumento do risco de aborto espontâneo, sugere nova pesquisa.

O estudo, publicado on-line no periódico JAMA, avaliou a proporção de mulheres que receberam a vacina e tiveram gestação evolutiva em comparação com aquelas que tiveram um aborto espontâneo ou perda gestacional. 

Presença de anticorpos associados a doenças autoimunes pode sinalizar a gravidade da COVID-19

Um grupo internacional de pesquisadores encontrou, no soro sanguíneo de pacientes infectados pelo SARS-CoV-2, um conjunto de moléculas normalmente presente em doenças autoimunes e que podem sinalizar a severidade dos quadros de COVID-19. O estudo foi publicado na plataforma medRxiv, em artigo ainda sem revisão por pares. Futuramente, os resultados podem servir como subsídio para tratar casos graves da doença ou mesmo para evitar a evolução do quadro clínico.

“Uma série de trabalhos tem mostrado que essas moléculas que promovem doenças autoimunes sistêmicas, conhecidas como autoanticorpos, também aparecem na COVID-19. Nós encontramos aqueles associados com pessoas saudáveis e outros cujos níveis aumentam com a gravidade do quadro clínico da COVID-19. Foi possível detectar, por exemplo, autoanticorpos contra duas moléculas com níveis aumentados dias antes do paciente precisar de oxigênio. Com isso, esperamos poder prevenir o agravamento dos casos”, explica Otávio Cabral Marques, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e primeiro autor do artigo.

Polímeros extraídos de alga e do bicho-da-seda permitem liberação controlada de medicamento para pressão

Pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas (FEQ-Unicamp) criaram um método capaz de prolongar a ação terapêutica e reduzir os efeitos colaterais da valsartana, um dos principais anti-hipertensivos usados atualmente.

Desenvolvido em estudo financiado pela FAPESP, o novo produto é formado por micropartículas com capacidade de aderir à mucosa do intestino. O método consiste em encapsular o princípio ativo da valsartana numa mistura de dois polímeros naturais e abundantes: o alginato, proveniente de algas marinhas, e a sericina, proteína que reveste o casulo do bicho-da-seda. A modificação na forma de liberação da valsartana mantém um tratamento efetivo por mais tempo.