terça-feira, 14 de setembro de 2021

Cientistas criam curativo para pele com composto bioativo extraído do açafrão

Pesquisadores de São Carlos desenvolveram um novo modelo de curativo cutâneo multifuncional para tratamento de feridas utilizando nanotecnologia e biotecnologia. A estratégia foi combinar materiais biodegradáveis com curcumina – substância com ação medicinal extraída do açafrão-da-terra –, possibilitando a liberação controlada do princípio ativo. Os resultados foram divulgados na revista Reactive & Functional Polymers.

O trabalho foi orientado pelo pesquisador da Embrapa Instrumentação Daniel Souza Corrêa, no âmbito da Rede Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio (Rede AgroNano), e envolveu dois programas de pós-graduação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O grupo contou com financiamento da FAPESP por meio do Projeto Temático “Fotônica não linear: espectroscopia e processamento avançado de materiais” e pelo projeto “Desenvolvimento de nanofibras poliméricas híbridas para aplicação na agricultura”.

Embora apresente várias propriedades medicinais, como atividade bactericida, antioxidante e anti-inflamatória, a aplicação da curcumina é limitada por sua baixa solubilidade e fácil degradação na presença de luz. Para vencer essas barreiras, os pesquisadores criaram um nanomaterial baseado em membranas poliméricas bicamadas, compostas por fibras eletrofiadas de poliácido láctico e borracha natural.

O resultado obtido abre caminho para ampliar o uso de curativos multifuncionais nesse modelo, de liberação lenta de compostos bioativos para tratamento de queimaduras e úlceras, por exemplo.

Em ensaios de laboratório, o curativo evitou a penetração de bactérias por dez dias e demonstrou forte ação contra a Staphylococcus aureus, bactéria geralmente presente em feridas cutâneas e associada a infecções de pele.

O curativo pode ser disponibilizado como mantas de nanofibras, em diversos formatos, apropriado à aplicação em ferimentos cutâneos. Ao mesmo tempo em que protege as lesões de ações externas, como exposição à luz solar e contaminação, o curativo também diminui a infecção por bactérias.

Um pedido de patente já foi depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O próximo passo é prospectar parceiros interessados em avançar no desenvolvimento do produto e realizar testes em escala para entrada no mercado.

A pesquisa foi desenvolvida durante o doutorado de Paulo Augusto Marques Chagas, na UFSCar. Colaboraram Rodrigo Schneider, bolsista de doutorado na Embrapa, e Danilo Martins, bolsista de pós-doutorado no Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio da Embrapa.

O artigo Bilayered electrospun membranes composed of poly(lactic-acid)/natural rubber: A strategy against curcumin photodegradation for wound dressing application pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S138151482100081X?via%3Dihub.

* Com informações do portal da Embrapa.

Este texto foi originalmente publicado por Agência Fapesp de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

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