Gigantes como Pfizer, Bayer e Eli Lilly criam medicamentos específicos para animais de estimação, um mercado que não para de crescer.
O carinho dos donos pelos seus
animais de estimação está estimulando a indústria farmacêutica a criar versões
para cães e gatos de medicamentos humanos, em busca de uma nova fonte de
lucros. Cachorros que ficam sozinhos e apresentam sintomas de depressão, por
exemplo, já podem ser tratados com um medicamento similar ao antidepressivo
Prozac.
Há tratamento até para casos
mais graves, como câncer. Tudo para atender os donos que não medem esforços - e
dinheiro - para preservar a saúde do "melhor amigo".
A americana Eli Lilly, dona do
Prozac, anunciou neste mês que trará ao Brasil sua linha de medicamentos para
animais domésticos, disponível nos Estados Unidos desde 2007. A empresa atenderá o
segmento por meio de sua divisão de saúde animal, a Elanco, que já fabrica no
Brasil produtos para animais de produção, como bovinos e suínos.
O primeiro medicamento, que
será lançado no Brasil até o fim do ano, vem de uma molécula que a Eli Lilly
comprou da Dow Chemical e que, posteriormente, se revelou uma solução contra
pulgas em cães e gatos, conta o diretor da divisão de animais de companhia da
Elanco América Latina, Mauri Moreira.
O "Prozac para
cachorro" ainda não está disponível no Brasil, mas está no radar da Elanco
trazer o medicamento ao País. A área de saúde animal faturou US$ 1,68 bilhão em
2011 no mundo e respondeu por 8% da receita da Lilly. Neste ano, a divisão
cresce 21% no mundo e mais de 30% no Brasil.
A indústria farmacêutica
faturou R$ 400 milhões com a venda de produtos veterinários para cães e gatos
no País em 2011, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos
para Saúde Animal. O segmento ainda é pequeno perto da divisão de animais de
produção, como bovinos e suínos. Os "pets" respondem por 11,7% do
faturamento do mercado de medicamentos para animais, um total de R$ 3,4
bilhões. No mercado americano, o segmento é quase 50%.
A tendência é aumentar essa
fatia. A indústria vê o baixo índice de vacinação nos animais brasileiros como
uma grande oportunidade de crescimento nas vendas. Estima-se que existam 30
milhões de cães e gatos no País, mas apenas 20% deles são vacinados com
regularidade. Nos Estados Unidos, o índice é de 85%.
'Humanização'
A Pfizer, líder neste mercado,
aposta na "humanização" do tratamento de cães e gatos.
"Antigamente, os animais domésticos eram tratados com resto de comida e só
iam ao veterinário quando ficavam doentes. Hoje, estão muito próximos de um
membro da família e tendem a receber melhores cuidados", disse o diretor
da unidade de animais de companhia da Pfizer, Tiago Papa.
A empresa costuma se inspirar
em tratamentos de humanos para desenvolver produtos para animais. "Existem
linhas de pesquisa em oncologia humana que já resultaram em medicamentos contra
câncer para cães", disse.
A última novidade, apresentada
na semana passada, foi um centro de imunização modelo para veterinários,
inspirado em serviço de pediatria. A proposta da Pfizer, que oferece um
refrigerador próprio para armazenar suas vacinas em regime de comodato aos
veterinários, é criar uma sala de vacinação separada do local da consulta.
O contrário também pode ser
feito. A alemã Bayer, por exemplo, lançou pela primeira vez um produto para
animais que visa, na verdade, melhorar a saúde humana. Trata-se de um
hidratante que reduz as partículas de pelos de cães e gastos que provocam
alergias nos donos. "Cerca de 70% dos clientes que compram produtos para
animais são mulheres. Existem muitos produtos que podemos desenvolver pensando
também no bem-estar do proprietário", disse o gerente da unidade de
animais de companhia da Bayer, Gilberto Neto.
Por: Marina Gazzoni
