A
Farmanguinhos, braço farmacêutico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), recebeu o
aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para começar a
produzir o medicamento Pramipexol, indicado para o tratamento do mal de
Parkinson. O registro é fruto de acordo fechado em novembro do ano passado
entre a instituição e o laboratório alemão Boehringer Ingelheim, detentor da
patente do medicamento, para transferência de tecnologia para sua produção,
como parte da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) do governo federal.
Jorge Mendonça,
vice-diretor de Gestão Institucional da Farmanguinhos, explica que o processo
de transferência de tecnologia deverá levar cinco anos ao todo. Nos três
primeiros anos, o medicamento ainda será totalmente fabricado pelo laboratório
alemão, mas já com rotulagem da Farmanguinhos.
Nos últimos dois anos do
acordo, a instituição passará a produzir pelo menos 50% da demanda nacional do medicamento,
para ao fim deste período já ter o domínio completo do conhecimento para seu
desenvolvimento e fabricação.
“É um processo por etapas.
Primeiro, vamos cuidar da parte analítica e de controle de qualidade, para
depois absorvermos todo o processo produtivo do medicamento em si” — diz
Mendonça.
Segundo o vice-diretor da
Farmanguinhos, já neste primeiro momento deverá haver uma redução substancial,
de pelo menos 20%, nos custos de aquisição do Pramipexol para distribuição no
âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, o Brasil
importa toda sua demanda pelo medicamento, com gastos que chegaram a R$ 37
milhões em 2010. A estimativa é de que pelo menos 200 mil pessoas sofram com o
mal de Parkinson no país, com uma prevalência de 100 a 200 casos por 100 mil
habitantes.
“Ao final do processo, no
entanto, a economia com o medicamento deve ser muito maior, já que depois de
três anos o princípio ativo do Pramipexol será praticamente todo produzido aqui
no Brasil” — conta Mendonça. — Mas desde já vamos poder dar à população acesso
a um medicamento de primeira linha, isto é, o mais moderno indicado para a
terapia do mal de Parkinson.
O Pramipexol não é o único
medicamento beneficiado pela PDP em Farmanguinhos.
A instituição já fabrica
vários dos medicamentos que fazem parte do coquetel contra a Aids distribuído
pelo governo federal, e até o fim de novembro espera obter registro da Anvisa
para começar o processo de transferência de tecnologia para produção de mais
um, o Atazanavir, resultado de acordo semelhante fechado com o laboratório
americano Bristol-Myers Squibb.
Por:
César Baima - O Globo
