Dores e inchaços abdominais, gases e diarreia são alguns
sintomas da intolerância à lactose, deficiência do organismo na produção da
lactase, enzima capaz de quebrar e digerir a lactose, dissacarídeo mais
conhecido como açúcar do leite, formado por dois carboidratos: a glicose e a
galactose.
Durante a amamentação, a atividade da lactase no
intestino é alta, mas declina naturalmente após o desmame. “Quando ocorre a
falta desta enzima, a lactose, que é uma boa fonte de energia para os microrganismos
do cólon, é fermentada com ácido láctico, metano e gás hidrogênio. O gás
produzido cria uma sensação de desconforto por distensão intestinal e flatulência.
O ácido láctico produzido pelos microrganismos puxa água para o intestino,
assim como a lactose não digerida, resultando em diarreia. Pessoas com estes
distúrbios são consideradas intolerantes à lactose”, explica a nutricionista
Kimielle Cristina Silva Consultora Técnica da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde (CGAN/DAB/SAS/MS).
Segundo a nutricionista, há três tipos de
intolerância a lactose: a congênita é a mais rara, onde o bebê já nasce com
deficiência na lactase, tendo diarreia quando amamentado ou ao ingerir
alimentos a base de lactose. A primária ou genética, sendo a ausência parcial
ou total da lactase, é desenvolvida na infância e em diferentes idades. É a
forma mais comum de má absorção de lactose e de intolerância. Há ainda a
secundária ou adquirida, resultado de lesões no intestino delgado ou de alguma
doença, como desnutrição, quimioterapia e cólica ulcerativa. Também pode se
apresentar em qualquer idade, mas é mais comum na infância.
Ao contrário do que muita gente pensa, a
intolerância a lactose não é alergia ao leite. “Como o próprio nome diz, é uma
intolerância. As alergias à proteína de leite de vaca são dependentes de
mecanismos imunológicos. As reações são imediatas e os sintomas ocorrem em até
duas horas após a exposição. As manifestações mais comuns são as reações
cutâneas, gastrointestinais, respiratórias e sistêmicas, que em alguns casos
podem levar a choque anafilático”, esclarece Kimielle. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece exames para a detecção
da alergia.
Já a intolerância à lactose possui outros sintomas,
de acordo com grau, forma e quantidade de substância ingerida. “A quantidade de
lactose causa sintomas variantes de indivíduo para indivíduo, dependendo da
dose de lactose ingerida, o grau de deficiência de lactase e a forma de
alimento consumido. Os sintomas mais comuns são: flatulência, diarreia, ou às
vezes constipação intestinal, distensão abdominal, náuseas e sintomas de má
digestão”. A intolerância é diagnosticada por meio de acompanhamento médico,
como pediatras e gastroenterologista, disponíveis na rede do SUS.
Convivendo com a lactose
Felizmente, a intolerância a lactose é fácil de ser
contornada. Apesar de não existir métodos de aumentar a produção de lactase
pelo organismo, uma dieta pode controlar o problema. Segundo Kimielle, muitos
jovens e adultos não precisam abrir mão completamente do consumo de alimentos
com lactose. “As pessoas diferem nas quantidades de lactose que podem ingerir.
Alguns podem tomar um copo de leite sem problemas, mas não podem tomar dois.
Outros podem consumir queijos curados, mas não podem consumir queijos frescos.
O controle da dieta para as pessoas intolerantes depende de se experimentar os
limites que cada um suporta”, recomenda.
Um dos maiores problemas para quem tem
intolerância, justamente por não evitarem o consumo leite e seus derivados, é
ter o consumo de cálcio comprometido. “É um dos minerais mais importantes, pois
ele é o responsável pela constituição dos ossos e dentes, além de ser fundamental
para a manutenção de várias funções do organismo, como a contração muscular,
coagulação do sangue, transmissão de impulsos nervosos e secreção de
hormônios”, lembra Kimielle. Portanto, a nutricionista recomenda outros
alimentos que podem ser fontes de cálcio, como legumes e verduras (vegetais de
folhas verdes, couve, alface, abobrinha, repolho, brócolis, aipo, mostarda,
erva-doce), feijão, ervilhas, salmão, tofu, laranja, amêndoa, sementes de
gergelim, melaço e cereais enriquecidos com cálcio.
Por: Fabiana Conte -
Comunicação Interna do Ministério
da Saúde
