Se
abordagem se mostrar eficaz em testes futuros, ela poderá substituir os
antirretrovirais, única opção de tratamento para pacientes com AIDS
Cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados
Unidos, conseguiram desenvolver em laboratório, por meio de manipulação
genética, células do sistema imunológico resistentes ao
HIV. Eles conseguiram chegar a esse resultado após inserir genes que barram a
ação do vírus nos linfócitos T, que são as células atacadas pelo HIV. Segundo
esses especialistas, caso a eficácia dessa terapia genética seja confirmada em
testes clínicos no futuro, a abordagem pode vir a substituir o coquetel, que
combina ao menos três antirretrovirais e hoje é a única opção de tratamento
contra a aids. A pesquisa foi publicada no periódico Molecular Therapy,
do grupo Nature.
Para que o vírus HIV consiga invadir os linfócitos
T, ele utiliza como porta de entrada dois tipos de proteína que ficam na
superfície da célula, conhecidas como CCR5 e CXCR4. Sem esses receptores, o
vírus não é capaz de entrar. O que os cientistas responsáveis por esse novo
estudo fizeram foi inativar um desses receptores e, em seu lugar, acrescentar
novos genes a fim de proteger as células de defesa.
Terapia genética se mostra eficaz contra o HIV, mesmo 11 anos depois de ser aplicada
Para isso, eles quebraram a sequência de DNA do
receptor CCR5 e lá inseriram três genes conhecidos por conferir resistência ao
vírus da aids. Com isso, a entrada do vírus nos linfócitos é bloqueada, o que
impediria o HIV de destruir o sistema imunológico do paciente. De acordo com
Matthew Porteus, coordenador do estudo, no entanto, essa terapia não teria a
capacidade de curar a infecção, mas sim de reproduzir o efeito do tratamento
com o coquetel, com mais eficácia e menos efeitos colaterais.
Terapia Genética
Tratamento que busca alterar o DNA de uma determinada célula, em busca de um resultado benéfico para a saúde de um paciente. Para isso, os cientistas precisam inserir um gene no núcleo da célula e fazer com que substitua outro. Os pesquisadores costumam usar como veículo desse gene um vírus ou retrovírus, pois esses vetores conseguem alterar o material genético de seu hospedeiro. Dentro da célula, o novo gene passa a fazer parte de seu DNA, e pode ser usado para tratar alguma doença.
Fonte:
Veja
