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terça-feira, 24 de agosto de 2021

Praticar exercícios aeróbicos pode ajudar a reduzir a pressão arterial na hipertensão resistente

A prática de exercício aeróbico pode ajudar a reduzir a pressão arterial (PA) em pacientes com hipertensão resistente aos medicamentos, sugere novo estudo.

Um ensaio clínico randomizado controlado mostrou que a pressão arterial dos pacientes com hipertensão resistente inscritos em um programa de exercícios aeróbicos de intensidade moderada foi mais baixa do que a PA dos pacientes que receberam apenas o tratamento habitual.

“A hipertensão resistente continua sendo um grande desafio clínico, porque as opções terapêuticas disponíveis para reduzir a pressão arterial nesta população, leia-se: medicamentos e denervação renal, têm uma taxa de sucesso limitada”, explicou ao Medscape o Dr. Fernando Ribeiro, Ph.D., da Universidade de Aveiro, em Portugal. “O exercício aeróbico foi seguro e associado a uma redução significativa e clinicamente relevante da pressão arterial de 24 horas, ambulatorial diurna e de consultório”.

Os achados foram publicados on-line em 04 de agosto no periódico JAMA Cardiology.

Os pesquisadores inscreveram 53 pacientes entre 40 e 75 anos de idade com diagnóstico de hipertensão resistente neste estudo prospectivo, simples-cego.

Hipertensão resistente foi definida como: "apresentar PA sistólica média ≥ 130 mmHg no monitoramento ambulatorial de 24 horas e/ou PA sistólica média ≥ 135mmHg durante o dia apesar de estar em uso da maior dose tolerada de pelo menos três anti-hipertensivos (incluindo um diurético) ou apresentar PA controlada estando em uso de pelo menos quatro anti-hipertensivos".

De março de 2017 a dezembro de 2019, 53 pacientes de dois centros portugueses foram aleatoriamente designados para um programa supervisionado de exercícios aeróbicos composto de três sessões por semana de 40 minutos cada durante 12 semanas (N = 26) + tratamento habitual ou tratamento habitual isolado (N = 27).

A PA sistólica ambulatorial de 24 horas do grupo exercícios + tratamento habitual reduziu 7,1 mmHg (intervalo de confiança, IC, de 95% de -12,8 a -1,4; P = 0,02). Os pesquisadores também observaram as seguintes reduções nesse grupo:

-5,1 mmHg de pressão arterial diastólica ambulatorial de 24 horas (IC 95% de -7,9 a -2,3; P = 0,001)

-8,4 mmHg de pressão arterial sistólica diurna (IC 95% de -14,3 a -2,5, P = 0,006)

-5,7 mmHg de pressão arterial diastólica diurna (IC 95% de -9,0 a -2,4; P = 0,001)

-10,0 mmHg de pressão arterial sistólica no consultório (IC 95% de -17,6 a -2,5; P = 0,01)

Além disso, uma melhora significativa na aptidão cardiorrespiratória (5,05 mL/kg por minuto de consumo de oxigênio; IC 95% de 3,5 a 6,6; P < 0,001) foi observada no grupo exercícios + tratamento habitual em comparação com o grupo de controle.

Embora pesquisas anteriores tenham sugerido que a prática de exercícios pode reduzir a pressão arterial, o estudo em tela é particularmente útil, porque "descreve muito especificamente quais tipos de exercício você pode recomendar", comentou o Dr. Daniel Lackland, Medical University of South Carolina, nos Estados Unidos.

Embora importante, o exercício é "uma parte do controle global da pressão elevada. Se as pessoas estão recebendo medicamentos, elas devem continuar a tomá-los e trabalhar em mudanças no estilo de vida, como reduzir a ingestão de sal e beber com moderação", acrescentou o Dr. Daniel, que não participou da pesquisa.

Também comentando os achados do estudo, a médica Dra. Wanpen Vongpatanasin, Southwestern Medical Center, nos EUA, apontou que há muitos potenciais benefícios associados à prática de exercícios físicos.

"Pode melhorar a função endotelial, diminuir a rigidez vascular e a reatividade do sistema nervoso ao estresse, e aumentar a qualidade de vida dos pacientes", disse ela.

O estudo tem várias limitações, incluindo um pequeno tamanho de amostra e uma população de pacientes que, em sua maioria, tem "hipertensão relativamente leve", disse a Dra. Wanpen, acrescentando: "Não sabemos se esses achados se aplicarão a pacientes com hipertensão mais grave."

Também teria sido útil se os pesquisadores tivessem monitorado a adesão do paciente aos medicamentos prescritos por meio de amostras de urina ou sangue, em vez de por questionário, e tivessem aferido a pressão arterial noturna, que é um preditor mais importante de desfechos cardiovasculares, explicou a médica, que não participou da pesquisa.

No futuro, será importante "investigar por que alguns pacientes não respondem à prática de exercícios, enquanto outros respondem excepcionalmente bem", disse o Dr. Fernando.

Os Drs. Fernando, Daniel e Wanpen informaram não ter conflitos de interesses. O estudo foi financiado pela União Europeia através do European Regional Development Fund Operational Competitiveness Factors Program (COMPETE) e pelo governo português através da Foundation for Science and Technology. Os financiadores não tiveram atuação no estudo.

Por Anna Goshua em Medscape 

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