terça-feira, 5 de junho de 2012

Heroína medicinal auxilia tratamento de consumidores crônicos da droga


Uma pequena população de consumidores crônicos de heroína, que há algum tempo era considerada "impossível de tratar" se beneficia de um novo tipo de terapia que utiliza a heroína medicinal como droga de substituição. A aplicação da abordagem avança no Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), em Portugal.     
  
Intitulado "Novo tratamento assistido com heroína", o estudo apresenta a primeira panorâmica da investigação que tem sido realizada sobre o tema, examinando os dados mais recentes e a experiência clínica já adquirida neste domínio, dentro e fora da Europa.

De acordo com informações publicadas no site Ciência Hoje, a prescrição de drogas de substituição, como a metadona e a buprenorfina, se tornou o principal tratamento utilizado para a dependência de opiáceos. Contudo, explica o OEDT, há uma pequena minoria de consumidores crônicos de opiáceos que não consegue reagir a este tipo de intervenções. Neste caso, os peritos concluíram que a utilização medicinal vigiada de heroína pode ser um tratamento eficaz de segunda linha para este pequeno grupo.

Nos últimos 15 anos, seis países, dentro e fora da Europa, decidiram testar esta nova abordagem clínica. Hoje em dia, o tratamento com heroína injetável sob vigilância já está legalmente disponível, para pessoas que consomem opiáceos há muito tempo e que não reagem a outras abordagens terapêuticas, na Dinamarca, Alemanha, Países Baixos e Reino Unido e na Suíça. No entanto, na Espanha e no Canadá só é permitido no âmbito de ensaios de investigação.

Segundo relatório do OEDT, o tratamento com heroína injetável sob vigilância médica direta pode conduzir a "melhorias substanciais" na saúde e no bem-estar deste grupo, "grandes reduções" no seu consumo continuado de heroína ilegalmente vendida na rua, um "importante abandono das atividades criminosas", como os crimes cometidos com o intuito de obter dinheiro para sustentar a toxicodependência e "nítidas melhorias na sua inserção social".  
O tratamento "não consiste simplesmente em oferecer heroína aos toxicodependentes que a consomem", sublinha Wolfgang Götz, diretor do OEDT, que continua: "trata-se sim de um regime de tratamento fortemente regulamentado e dirigido a um grupo de doentes particularmente difíceis de tratar".

No que diz respeito ao futuro da terapia, o relatório afirma que o desafio consistirá em criar um "sistema operacional viável" que permita administrar este novo tratamento a consumidores de heroína gravemente afetados, sem pôr em risco a adesão dos outros doentes às formas mais ortodoxas de tratamento de substituição. Os próximos estudos poderão examinar igualmente os resultados em longo prazo dos doentes sujeitos ao tratamento com heroína injetável, as diversas formas de administração da diacetilmorfina (inalada ou por via oral) ou o uso de medicamentos opiáceos injetáveis alternativos.

Fonte: Ciência Hoje