quinta-feira, 26 de abril de 2012

Valvulopatia - Sangue para doação a índio ainda não foi encontrado


Criança Pataxó tem 13 anos e está com um problema no coração

PORTO SEGURO - Um índio Pataxó de 13 anos espera uma doação de sangue para realizar uma cirurgia no coração. O tipo do sangue dele é "O positivo". Segundo os médicos, um dos mais comuns entre os brasileiros. A dificuldade em encontrar um doador compatível é que o sangue dele tem um sistema de grupo sanguíneo chamado "Diego B negativo", que é raro na maioria da população brasileira.     

O garoto espera há mais de 45 dias por uma doação porque ainda não foi encontrado sangue compatível com o dele. O índio Pataxó Emerson Braz mora na aldeia Jitaí, em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia.           

"O mais conhecido dos grupos sanguíneos é o sistema A B O. Existem outros sistemas que não são conhecidos que também são importantes na hora de transfusão. Tem um sistema de grupo sanguíneo chamado Diego. Tem o A e o B. Cada um pode ser positivo ou negativo. Ele [o índio] tem o Diego negativo, que é muito raro na população em geral, é mais comum em índios e asiáticos. Essa é a dificuldade. No sistema A B O, o índio é “O positivo”.
“Além de ser ‘O positivo’ ele tem o sistema Diego negativo", afirma o hematologista Marinho Marques, diretor de hemoterapia da Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba).     

A mãe de Emerson, a índia pataxó Evani Cardoso Braz, conta que o menino começou a apresentar sintomas do problema no coração há cerca de dois meses. "Ele começou a sentir umas dores e ter falta de ar, não conseguia dormir direito. Levamos ele para um hospital eu Itamaraju, cidade no sul da Bahia e ele foi transferido para Salvador para fazer exames", afirma.      

Foi no Hospital Martagão Gesteira, localizado no bairro do Tororó, na capital baiana, que o garoto indígena recebeu o diagnóstico. A unidade é especializada no tratamento de crianças com problemas no coração. Emerson tem um problema em uma das válvulas do coração que dificulta a circulação do sangue. O nome da doença é valvulopatia.    

Por enquanto, a saúde de Emerson tem sido controlada por medicamentos, mas é preciso realizar a cirurgia o mais rápido possível para que ele volte a ter uma vida normal. Ele voltou para a aldeia desde o dia 13 de abril e só deve retornar para Salvador para realizar a cirurgia.  

No dia 18 de abril, foram realizadas coletas de sangue em duas aldeias de Porto Seguro. Familiares de primeiro e segundo grau do menino fizeram o procedimento, mas até agora não há informações de que foi encontrado sangue compatível com o do índio Emerson.          

"A gente está em pesquisa nas aldeias e em contato com hemocentros de outros estados que têm maior população indígena. O Diego B negativo é um sistema de grupo sanguíneo. Todas as pessoas têm, porém, o mais comum é o Diego B positivo, por isso a dificuldade. Existem diversos outros sistemas de grupo sanguíneo que todos têm, mas que também não são conhecidos, como por exemplo o Kell, Kidd, Duffy, MMS", afirmou o hematologista Marinho Marques.


Enviado por: Gutemberg Lacerda              
Fonte: TV Santa Cruz e G1

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Leishmaniose humana pode ser combatida com droga veterinária


150 vezes melhor

Um fármaco empregado na clínica veterinária está se mostrando promissor também para o tratamento em humanos.
A buparvaquone é uma droga de uso clínico veterinário empregada contra uma parasitose, principalmente na Europa.
Mas testes realizados por pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, estão demonstrando que ela é eficaz também contra a leishmaniose visceral.
Os estudos, ainda feitos em cobaias, mostraram que a buparvaquone tem eficácia semelhante à do medicamento padrão utilizado contra a leishmaniose, mas exigindo uma dose 150 vezes menor.

Lipossomas

A atividade anti-leishmania da buparvaquone foi revelada pela primeira vez em um estudo publicado em 1992.
No entanto, os testes na ocasião foram feitos com a leishmaniose visceral provocada pela Leishmania donovani - o parasita predominante em países como a Índia. No Brasil, predomina a Leishmania chagasi.
"Essa droga foi perseguida por muitos anos pelo pessoal da área de parasitologia, que a tentava fazer funcionar, pois ela mostrava alta eficiência in vitro. O ineditismo da nossa contribuição consistiu em fazer a droga funcionar em modelos animais com a ajuda dos lipossomas", contou André Gustavo Tempone, orientador do trabalho.
Lipossomas são vesículas esféricas utilizadas para dirigir o fármaco, de forma controlada e com maior precisão, até a célula infectada.
Os pesquisadores utilizaram lipossomas convencionais - e não nanolipossomas - para que a formulação fosse mais simples. "Pensamos nas necessidades da indústria, que poderá no futuro produzir a droga. Por isso, tivemos a preocupação de fazer a formulação mais simples possível, para facilitar o escalonamento", disse.

Fígado e baço

A formulação utilizada incluiu o uso de um fosfolipídio modificado que confere um direcionamento maior para a célula hospedeira - na leishmaniose esta célula é o macrófago, presente no fígado e baço do animal.
"O fármaco reduziu em 89% a carga parasitária no baço e em 67% a carga de parasitas no fígado. O mais importante, no entanto, é que para conseguir a mesma eficácia do glucantime - que é a droga padrão contra a leishmaniose - utilizamos uma dose 150 vezes menor.
"Esse tipo de estudo - conhecido como piggy-back chemotherapy  -, embora não traga inovação no aspecto de descoberta de novas drogas, é importante do ponto de vista da saúde pública devido à possibilidade de colocar fármacos no mercado com mais rapidez. Como se trata de uma droga que já está no mercado, podemos dispensar, por exemplo, os testes de toxicidade. Começamos assim a desenvolver a nova aplicação a partir de uma fase mais avançada", explicou.

Fonte: Agência Fapesp

A automedicação agrava as dores de cabeça crônicas

O organismo torna-se resistente aos analgésicos tomados indiscriminadamente

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia, treze milhões de brasileiros apresentam dores de cabeça diariamente, um número maior que o encontrado em outros países, como os Estados Unidos, por exemplo. Esse é um dado alarmante.         

Dores de cabeça frequentes são chamados de cefaleias crônicas diárias. Uma cefaleia está crônica quando acomete o individuo no mínimo 15 dias por mês, há pelo menos três meses. Ou seja, a pessoa está tendo dor dia sim, dia não, ou mesmo, diariamente. As cefaleias crônicas mais comuns são a cefaleia tensional crônica e, principalmente, a enxaqueca crônica.

Por que uma enxaqueca pode se tornar crônica?            

Dificilmente alguém começa seu quadro de enxaqueca com dor diariamente. Até porque a enxaqueca se inicia entre a infância e a juventude, e começa com crises mais esporádicas.           

Muitas vezes as pessoas acreditam que essas crises são normais e se automedicam. Para muitos, as crises sempre serão espaçadas, mas para outros ela tendem a aumentar de frequência. Principalmente em situações de exposição a mais estresse, rotinas muito pesadas e sono insuficiente.

Para as mulheres, em razão de mudanças hormonais, como gestações e menopausa, as enxaquecas crônicas são bastante frequentes.

Começo do fim da Aids


Os que receberam tratamento precoce tiveram 41% menos processos infecciosos do que os demais.

Parece ficção, mas esse foi o nome de um congresso realizado na Universidade George Washington, em dezembro.
Há muito a comunidade científica discute a ideia de que tratar a infecção pelo HIV com antirretrovirais (ARVs) traria a vantagem paralela de impedir a transmissão do vírus.
De um lado, os que consideravam óbvia essa hipótese: se os medicamentos reduzem a carga viral, a probabilidade de espalhar o vírus tem que diminuir. De outro, os céticos: falta provar.
A controvérsia foi esclarecida com a publicação do estudo conduzido pelo HIV Prevention Trial Network, um consórcio internacional do qual participaram diversos infectologistas brasileiros.
Batizado como HPTN 052, o estudo envolveu 1.763 casais heterossexuais com apenas um dos cônjuges infectado (casais discordantes), residentes em cinco países africanos, Brasil, Tailândia e Estados Unidos.
Para participar, o parceiro infectado devia estar virgem de tratamento e ter no sangue um número de células CD4 entre 350 e 550/mm³, característica dos que apresentam certo grau de deficiência imunológica, porém ainda insuficiente para chegar à fase de Aids.
Sorteados ao acaso, metade dos participantes recebeu comprimidos contendo ARVs. Para os outros, foram distribuídos comprimidos-placebo aparentemente idênticos, até que suas células CD4 caíssem abaixo de 250.
Em abril de 2011, os resultados se mostraram tão contundentes que o estudo foi encerrado e enviado para a revista médica de maior circulação mundial: "The New England Journal of Medicine".
Das 28 pessoas infectadas por seus parceiros, 27 faziam parte do grupo-placebo; apenas uma pertencia ao grupo medicado com os ARVs.
Além do benefício na prevenção, os que receberam tratamento precoce tiveram 41% menos processos infecciosos do que os demais, constatação que levou os organizadores a prescrever ARVs para todo o grupo de controle. Para excluir a possibilidade de que os 28 infectados tivessem adquirido o vírus em relações extraconjugais, o HIV colhido na circulação de cada um deles foi submetido a testes genéticos para confirmação de identidade com o vírus do cônjuge.

Em ciência, a resolução de um problema inevitavelmente cria outros. Agora, alinham-se em campos opostos os otimistas, que acham possível conter a epidemia em países inteiros às custas do tratamento precoce dos HIV positivos, contra os que consideram essa estratégia fantasiosa pelas seguintes razões:

1) É muito difícil identificar todos os infectados pelo HIV. Nos cinco continentes, há 34 milhões, apenas 6,6 milhões dos quais recebendo medicamentos. A cada ano ocorrem 2,7 milhões de infecções novas. Lesoto, país africano com a terceira prevalência mais alta do mundo, lançou em 2004 uma campanha nacional para testar a população inteira. Até hoje, apenas metade dos adultos fizeram o teste.

2) Os testes anti-HIV não possuem sensibilidade para detectar o vírus nos primeiros dias depois de adquiri-lo, quando a multiplicação rápida na corrente sanguínea torna a transmissão mais provável. Cerca de um terço delas ocorre nessa fase aguda.

3) Para a estratégia ter êxito, os portadores devem tomar os medicamentos com regularidade, durante muitos anos, rotina especialmente problemática no caso dos assintomáticos, quando experimentam efeitos colaterais.

4) Prescrever ARVs em grande escala aumenta o risco de tornar o vírus mais resistente. Na África, a resistência do HIV entre os que recebem tratamento aumenta a cada ano que passa.

5) Confiar na atividade protetora dos ARVs poderia levar os portadores a adotar práticas sexuais inseguras para seus parceiros.

6) Embora menos da metade dos que precisariam tomar ARVs tenha acesso a eles, cerca de dois terços dos U$ 7 bilhões anuais investidos no combate à epidemia são consumidos apenas no custeio de programas de tratamento. Haveria recursos para medicar todos?

Apesar dessas objeções, a possibilidade de conter a epidemia com medicamentos deixou de ser pensamento mágico. A revista "Science" considerou a prevenção do HIV com antirretrovirais a mais importante de todas descobertas científicas do ano passado.

Fonte: Drauzio Varella - Folha de S.Paulo

Droga usada para evitar rejeição em transplante de rim e fígado passará a ser produzida pela Fiocruz


A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceira com a Libbs Farmacêutica, começou a produzir e a distribuir o medicamento tacrolimo. O medicamento é utilizado por pacientes que receberam transplante de fígado e rim para evitar que os órgãos sejam rejeitados pelo organismo. A droga será distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e resultará numa economia aos cofres públicos de 240 milhões de reais em cinco anos, segundo a Fiocruz.

Tacrolimo

A droga é um imunossupressor que diminui a atividade do sistema imunológico, condição necessária para evitar que o organismo do paciente rejeite o órgão transplantado. O medicamento consta na lista de produtos estratégicos no âmbito do SUS, segundo Portaria 978/2008 do Ministério da Saúde
A nova medida é parte de um acordo feito entre a Fiocruz, a farmacêutica Libbs e o Ministério da Saúde. Haverá a distribuição de 6,6 milhões de cápsulas do tacrolimo na apresentação de 1 miligrama. Até o final de 2012, prevê-se uma distribuição de 30 milhões de unidades. De acordo com a Fiocruz, o acordo vai beneficiar mais de 25.000 brasileiros que utilizam o medicamento. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), em 2011 foram realizados no Brasil 4.957 transplantes de rim e 1.492 de fígado.

Produção 

O produto será fabricado totalmente em território nacional. Nos três primeiros anos, a Libbs Farmacêutica fica responsável pela produção completa e pela distribuição das drogas. Enquanto isso, a Fiocruz internaliza as técnicas e o conhecimento de produção. Ao fim desse período, em 2015, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) passa a produzir 50% da demanda. Dois anos depois, quando completam os cinco anos previstos para o processo de transferência de tecnologia, o centro da Fiocruz assume a responsabilidade por 100% da produção nacional.
Para ser aprovado pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), o medicamento teve de passar pelos mesmos procedimentos padrões que qualquer outro genérico já em venda no país. “Foi feito o teste de bioequivalência, que mostra que a biodisponibilidade na corrente sanguínea é a mesma do medicamento usado como referência”, diz Hayne Felipe, diretor do Farmanguinhos.
De acordo com Mário Abbud Filho, nefrologista especialista em transplante de rim e chefe do Setor de Transplantes do Hospital de Base de São José do Rio Preto, apesar da iniciativa ser de extrema importância, é preciso ficar atento a um cuidado essencial. “Mesmo que tenha tido a mesma bioequivalência do  medicamento padrão, é fundamental que o medicamento produzido por essa parceria também mostre resultados similares no paciente transplantado”, diz. Isso porque a bioequivalência exigida para os genéricos no Brasil é feita em pessoas saudáveis. Ou seja, os testes não são feitos em pacientes transplantados.

Fonte: biomedicos.com.br

Impotência sexual é um sintoma de doença vascular grave

Hipertensão, diabetes e tabagismo são as principais causas de disfunção erétil.

Urologistas estimam que 50% dos homens a partir dos 50 anos se queixam de dificuldade de ereção em algum grau. E em 80% dos casos o problema tem origem vascular. Segundo urologista Valter Javaroni, chefe do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (seção Rio), indivíduos que sofrem de hipertensão arterial, diabetes, acúmulo de gorduras no sangue, são fumantes e/ou obesos correm maior risco de disfunção erétil. E estes são os mesmos fatores responsáveis pela aterosclerose, doença que leva ao infarto e acidente vascular encefálico.

Javaroni alerta que a dificuldade de ereção é um aviso de que existe um problema vascular mais grave. Numa pesquisa realizada no ano passado, ele e equipe acompanharam homens hipertensos durante um período de quatro semanas. O grupo com função erétil normal era o mais saudável do ponto de vista cardiovascular, e esses homens apresentaram níveis mais baixos de glicose, colesterol, triglicerídeos, menor espessura da parede das carótidas (levam o sangue arterial do coração para o cérebro) e maior capacidade de dilatação arterial, quando comparado ao grupo que se queixava de impotência sexual.

— A disfunção erétil é um marcador de problema cardiovascular. A falta de resposta ao tratamento medicamentoso para impotência sexual mostra um risco ainda maior — diz o urologista, comentando que muitos homens ainda consideram a visita periódica ao urologista desnecessária.           

Mesmo os indivíduos que sofrem de problemas de ereção preferem a automedicação ao constrangimento de expor seu problema ao profissional de saúde capacitado para ajudá-lo, afirma Javaroni, médico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Uerj).   
— Esta atitude pode trazer consequências graves, uma vez que contribui para retardar a detecção de fatores de risco cardiovascular. Um homem com 65 anos que não consegue uma boa ereção pode estar com hipertensão arterial há anos e nunca ter sentido nada — diz o urologista. 

Fonte: O GLOBO – RJ / Consulfarma

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Descoberto ponto de entrada da Hepatite C no organismo

Vírus da hepatite C

Uma molécula incorporada na membrana das células do fígado humano, responsável por ajudar na absorção do colesterol, também permite a entrada do vírus da hepatite C, o primeiro passo para a infecção.
Isso significa que o receptor de colesterol é um alvo novo e promissor para a terapia antiviral contra a hepatite C.
Sobretudo porque, dizem os pesquisadores, já existe um medicamento aprovado para atuar sobre essa molécula receptora.
A descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Illinois (EUA), e publicada na revista Nature Medicine.

Equilíbrio do colesterol

O vírus da hepatite C, ou HCV, ataca o fígado e gera inflamação.
A maioria das pessoas não apresenta sintomas logo após a infecção, e pode não saber que contraiu a hepatite C até que danos ao fígado apareçam, normalmente décadas depois.
Estudos anteriores mostraram que o colesterol está de alguma forma envolvido na infecção pelo HCV, embora os mecanismos ainda não estivessem claros.
Os pesquisadores suspeitaram que um receptor chamado NPC1L1, conhecido por ajudar a manter o equilíbrio do colesterol, poderia também ser o meio de transporte do vírus para o interior das células.
O receptor é comum no intestino de muitas espécies, mas é encontrado nas células do fígado apenas em seres humanos e chimpanzés, diz Susan Uprichard, coordenadora do estudo.
E estes primatas, segundo ela, são os únicos animais que podem ser infectados pelo HCV.

Ezetimibe

Agora, o grupo demonstrou que, desativar ou bloquear o acesso ao receptor NPC1L1 impede o vírus da hepatite C de entrar e infectar as células.
Bruno Sainz, que fez os experimentos, afirma que, como o receptor está envolvido no metabolismo do colesterol, ele já foi bem estudado.
Uma droga que foi "projetada especificamente e exclusivamente para atingir o NPC1L1" já existe e está aprovada para baixar os níveis de colesterol, conta ele.
A droga ezetimibe (aprovada pelo FDA dos EUA e vendida com o nome comercial de Zetia), ao alvejar perfeitamente o receptor, forneceu o método ideal para que os cientistas testassem o envolvimento do NPC1L1 na infecção pelo HCV.
Eles usaram a droga para bloquear o receptor antes, durante e após a inoculação com o vírus, em cultura de células e em um pequeno modelo animal, para avaliar o papel do receptor na infecção e o potencial da droga como um agente anti-hepatite.
A ezetimibe inibiu a infecção pelo HCV na cultura de células e nos camundongos transplantados com células do fígado humano.

Seis tipos de vírus da hepatite

Ao contrário de todas as drogas atualmente disponíveis, a ezetimibe foi capaz de inibir a infecção por todos os seis tipos de HCV.
Enquanto as drogas atuais são altamente tóxicas e, muitas vezes, não são toleradas por pacientes transplantados que estejam usando drogas imunossupressoras, a ezetimibe é bastante segura e tem sido utilizada a longo prazo, sem danos para os pacientes, para controlar o seu colesterol, comentou Uprichard.
Como o medicamento impede a entrada do vírus nas células, a ezetimibe pode ajudar a proteger o fígado da infecção.
Para os pacientes com hepatite C crônica, a ezetimibe poderia ser usada em combinação com as drogas atuais, sugerem os cientistas.

Fonte: Diário da Saúde

Cientistas descrevem proteína que regula metabolismo do ferro em cavalos


A hepcidina é um peptídeo que desempenha papel fundamental no metabolismo do ferro e na defesa do organismo contra bactérias e fungos. Seu mecanismo de ação, demonstrado em humanos no ano 2000, agora foi descrito também em equinos, ovinos e asininos por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
“O ferro é um elemento essencial para a multiplicação de alguns microrganismos”, disse Alexandre Secorun Borges, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) de Botucatu. Ao primeiro sinal de infecção, portanto, a hepcidina entra em ação para reduzir os níveis do mineral na corrente sanguínea e tornar o ambiente menos propício aos invasores.
“Expressa principalmente pelas células do fígado, a hepcidina se liga a outra proteína chamada ferroportina. Isso faz com que o ferro fique retido dentro de algumas células específicas, em vez de ser exportado para a corrente sanguínea. Por esse motivo, quadros de inflamação crônica costumam provocar anemia”, explicou o veterinário.
Estima-se que esse mecanismo de defesa esteja presente em todos os mamíferos e também em alguns peixes, mas, segundo Borges, na maioria das espécies o peptídeo ainda não foi caracterizado e sua função não foi comprovada.
Em equinos, o gene da hepcidina foi sequenciado pela equipe coordenada por Borges. A expressão gênica do peptídeo foi analisada em células do fígado e em outros tecidos de cavalos saudáveis.
A pesquisa, feita em parceria com cientistas da Universidade de Cornell, resultou na tese de doutorado de José Paes de Oliveira Filho. Os resultados foram publicados em artigo na revista Veterinary Immunology and Immunopathology.
Com os recursos da Bolsa de Doutorado e também de um projeto de Auxílio à Pesquisa – Regular, o grupo montou o Laboratório de Biologia Molecular da Clínica Veterinária da FMVZ.

Inflamação induzida

A segunda etapa da pesquisa consistiu em comprovar o papel da hepcidina na defesa do organismo contra infecções. Foram usados dois modelos experimentais para induzir um quadro inflamatório leve em cavalos sadios.
No primeiro experimento, os pesquisadores injetaram, por via intravenosa, uma toxina extraída da membrana de bactérias – o lipopolissacarídeo bacteriano (LPS). “Isso causa uma inflamação sistêmica discreta, de curta duração e que não provoca danos de longo prazo aos animais”, contou Borges.
A cada duas horas após a administração do LPS, os pesquisadores coletavam e analisavam o sangue dos cavalos. “Os níveis plasmáticos de ferro caíram rapidamente. Por meio de uma biópsia de fígado, comprovamos que a expressão gênica da hepcidina havia aumentado nesse órgão”, disse.
Os resultados do teste foram publicados na revista Innate Immunity.
O segundo experimento consistiu em aplicar, por via intramuscular, uma substância chamada adjuvante completo de Freund, composta de micobactérias inativadas. Isso provocou um processo inflamatório nos animais.
Os resultados, similares aos do primeiro teste, foram apresentados no American College Veterinary Internal Medicine, nos Estados Unidos, em 2010. O grupo realizou experimentos semelhantes em ovinos, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisa foi tema de mestrado de Peres Ramos Badial.
A linha de pesquisa teve início durante o pós-doutoramento de Borges na Universidade Cornell. “Analisamos prontuários de cavalos com inflamação crônica, sistêmica e localizada e comparamos com prontuários de cavalos sadios. Vimos que o ferro caía consideravelmente e de forma rápida sendo, portanto, um marcador confiável de inflamação em cavalos”, disse.
Futuramente, a equipe pretende avaliar como se comporta o metabolismo do ferro em diferentes enfermidades. “Queremos descobrir se a intensidade na queda dos níveis de ferro está relacionada à agressividade do quadro inflamatório”, apontou Borges.
Outro projeto futuro é avaliar se a redução artificial de ferro na corrente sanguínea pode facilitar o combate a infecções. “Vamos testar se a administração de hepcidina, como medicamento, ajuda na fase inicial da doença”, disse.

Por Karina Toledo – Agência Fapesp

Anticorpo combate sete tipos de câncer


Um único anticorpo pode conduzir à diminuição ou mesmo desaparecimento de tumores presentes em sete tipos diferentes de câncer, de acordo com um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

Os investigadores da Stanford University School of Medicine, nos EUA, descobriram que o anticorpo em questão bloqueia uma proteína, a CD47, que está presente nas células cancerígenas e que as protege da ação dos macrófagos e de outras células imunes.

Estudos anteriores realizados pela mesma equipe de investigação já tinham revelado que alguns tipos de câncer, leucemia e linfoma, tinham encontrado uma forma de escapar à ação dos macrófagos através da expressão da CD47 na superfície das células cancerígenas. Em 2010, os investigadores descobriram que o bloqueio da CD47 conseguia curar alguns tipos de linfoma não Hodgkin em ratinhos. Mas ainda não estava claro, até a data, qual a importância e a magnitude que este fenômeno poderia ter nos tumores sólidos humanos.

Neste estudo os investigadores colheram amostras de vários tumores humanos, os quais incluíram ovários, mama, cólon, bexiga, cérebro, fígado e próstata, tendo verificado que todas as células cancerígenas analisadas expressavam a CD47 em níveis mais elevados que as células saudáveis. Adicionalmente foi também constatado que os indivíduos cujas células cancerígenas expressam níveis mais elevados desta proteína tendem a viver menos tempo do que aqueles que apresentam níveis mais baixos de CD47. Este fato sugere que os níveis de expressão desta proteína podem ser, para alguns tipos de tumor, uma ferramenta de prognóstico valiosa.

Posteriormente os investigadores implantaram as diferentes células tumorais humanas em ratinhos e, após duas semanas, trataram os animais com um anticorpo anti-CD47. Os autores do estudo observaram que a maioria dos tumores começou a diminuir ou mesmo, em alguns casos, a desparecer nas primeiras semanas após o início do tratamento. Num dos casos, o tratamento com o anticorpo curou cinco ratinhos que albergavam as células cancerígenas da mama humanas. Quando o tumor desapareceu o tratamento foi descontinuado e após quatro semanas não havia sinais de recorrência do tumor.

Os investigadores liderados por Robert Weinberg também verificaram que nos casos de tumores altamente agressivos, o anticorpo foi também capaz de bloquear as metástases.

“Estes resultados mostram que esta proteína é um legítimo e promissor alvo terapêutico para o tratamento do câncer”, revelou em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Irving Weissman. “Estes resultados são muito entusiasmantes e vão despoletar, certamente, uma onda de investigação desenhada para converter esta estratégia em terapias úteis, conclui Robert Weinberg.

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

Pílulas para dormir podem estar ligadas a risco maior de óbito


Uso de medicamentos aumentou em até 4 vezes o risco de morte prematura

Pílulas para dormir podem estar ligadas a um risco quatro vezes maior de morte prematura, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos e publicado no periódico "BMJ Open".

Em doses elevadas, estes medicamentos também estiveram associados a um risco 35% maior de câncer em comparação com indivíduos que não os ingerem.
Médicos chefiados por Daniel Kripke, do Centro de Sono da Família Scripps Clinic Viterbi na Califórnia, analisaram os registros médicos de mais de 10.500 adultos residentes na Pensilvânia que tomavam
medicamentos para dormir com prescrição médica.

Eles foram comparados com mais de 23.600 colegas. O estudo foi feito durante dois anos e meio com pílulas para dormir amplamente prescritas, incluindo benzodiazepínicos, não benzodiazepínicos, barbitúricos e sedativos.

O número total de mortes registradas neste período foi pequeno nos dois grupos, correspondendo a menos de mil. Mas houve uma diferença grande na mortalidade, afirmaram os cientistas. Aqueles que ingeriram entre 18 e 132 doses de pílulas ao ano mostraram-se 4,6 vezes mais propensos a morrer do que o grupo de controle.

Mesmo aqueles que tomaram menos de 18 doses anuais mostraram-se 3,5 vezes mais propensos a morrer.

Detalhes sobre como os indivíduos morreram não foram revelados e os autores reforçam ter encontrado um vínculo estatístico, mas não uma causa. No entanto, eles decidiram soar o alerta, devido ao grande número de pessoas que faz uso destes medicamentos.

Fonte: Globo.com

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Cientista portuguesa descobre ponto fraco de superbactéria


Bactéria oportunista

A Pseudomonas aeruginosa (ou P. aeruginosa ) é uma bactéria oportunista e muitas vezes letal, que infecta doentes fragilizados e é altamente resistente a antibióticos.
Assim não é de surpreender que ela seja uma das causas mais comuns de infecções hospitalares, e uma verdadeira dor de cabeça na saúde pública.
Mas agora um novo estudo realizado pela cientista portuguesa Joana Moscoso, atualmente no Imperial College de Londres, pode ser o primeiro passo para uma nova frente de batalha contra esta superbactéria.

Estilo de vida das bactérias

Joana e seus colegas conseguiram identificar uma molécula que determina se a P. aeruginosa vai causar infecções agudas ou infecções crônicas.
A descoberta da molécula, chamada di-GMP cíclico, é importante porque cada tipo de infecção está ligado a um estilo de vida diferente do microrganismo - bactérias isoladas, móveis ou em colônias.
Esse estilo de vida bacteriano determina suscetibilidades muito diferentes, seja aos tratamentos, seja às defesas do próprio organismo.
Isto sugere que a manipulação dos níveis de di-GMP cíclico pode ser usada para tornar a bactéria mais vulnerável e servir de base a terapias mais eficazes.

Pseudomonas aeruginosa

Em comparação com outros microrganismos, a P. aeruginosa pode ser extremamente difícil de erradicar devido à sua extraordinária adaptabilidade.
Esta bactéria é capaz de sobreviver em uma grande variedade de ambientes - incluindo a água destilada -, é multirresistente a antibióticos e é capaz de infectar todo tipo de órgãos, tanto em plantas quanto em animais, apesar de ser supostamente um organismo de vida livre.
A sua versatilidade estende-se até ao tipo de infecção.
Em doentes com um sistema imunológico fragilizado - por exemplo, pacientes de AIDS, câncer ou simplesmente muito idosos - onde a bactéria tem menos perigo de ser atacada, normalmente ocorre a infecção aguda, que é provocada por bactérias com um estilo de vida nômade.
A infecção crônica já é uma característica de doentes com fibrose cística, onde o muco pulmonar mais viscoso do que o normal proporciona um ambiente propício ao desenvolvimento de colônias de bactérias sedentárias.
Assim, longe do sistema imunológico funcional do doente, e do alcance dos antibióticos, estas são as infecções de P. aeruginosa mais difíceis de erradicar e aquelas que mais facilmente podem ser fatais.
Esta extraordinária capacidade adaptativa torna urgente encontrar drogas mais efetivas ou estratégicas terapêuticas inovadoras que possam, por exemplo, tornar a bactéria mais vulnerável aos tratamentos já existentes.

Vacinas contra bactérias

No estudo agora publicado, Joana Moscoso e seus colegas investigaram os mecanismos moleculares que ajudam a decidir o estilo de vida que a bactéria assume no corpo humano, e, portanto, o tipo de infecção que poderá causar.
Os cientistas descobriram que, na P. aeruginosa, os níveis da molécula di-GMP cíclico não são só cruciais na determinação do estilo de vida da bactéria, como também regulam o estabelecimento e a virulência da infecção - níveis elevados de di-GMP levam a infecções crônicas, enquanto baixos níveis de di-GMP levam a infecções agudas.
O resultado sugere a possibilidade de terapias com base na manipulação dos níveis de di-GMP cíclico, nomeadamente, para a destruição das colônias infecciosas de alta mortalidade, tornando assim a bactéria mais vulnerável em doentes com fibrose cística.
Mas, também, como Joana Moscoso explica, "sendo o di-GMP cíclico uma molécula exclusivamente presente em bactérias, existem outras implicações em perceber os seus mecanismos de ação, não só em termos terapêuticos para a síntese de novos antibióticos contra esta e outras bactérias, mas também na produção de vacinas que possam proteger os doentes mais suscetíveis, diminuindo o número de infecções hospitalares que, no momento, são um dos grandes problemas dos sistemas de saúde em todo o mundo."
           
Baseado em texto de Catarina Amorim

As vacinas indicadas para cada idade


Confira quais doses de vacinas são indicadas para crianças, adolescentes, adultos e idosos e cheque se sua carteirinha de vacinação está em ordem.

Depois de uma gotinha ou uma picada, nosso corpo ganha imunidade suficiente para se prevenir contra males em todas as etapas da vida, do nascimento à velhice.

A vacina é a injeção de toxinas, vírus ou bactérias (mortos ou atenuados) no organismo para que ele desenvolva resistência a uma doença. A substância nos leva a produzir anticorpos que combatem os efeitos desses micro-organismos. "As vacinas têm de ser bastante fortes para desenvolver a resistência do corpo, mas suficientemente fracas para não causarem uma enfermidade grave", explica Renato Kfouri, diretor da Associação Brasileira de Imunizações (SBIm).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as vacinas impedem anualmente entre 2 e 3 milhões de mortes no mundo.

Carteirinha em dia

O calendário básico de vacinação é dividido por faixa etária: crianças, adolescentes, adultos e idosos. Consulte o seu médico e o pediatra do seu filho para fazer o acompanhamento certo. Veja a indicação de vacinas por idade (elas são oferecidas pelo Sistema Único de Saúde) e confira se a carteirinha da família está em ordem:

Ao nascer   
• Vacinas: BCG / Hepatite B
        
• Previne: Formas graves de tuberculose / Hepatite B

2 meses       
• Vacinas: Poliomielite / Tetravalente (DTP + Hib) / Hepatite B / Rotavírus
 
• Previne: Paralisia infantil / Difteria, tétano, coqueluche, meningite e infecções causadas pelo Haemophilus tipo B / Hepatite B / Diarreia por rotavírus

2 meses até 2 anos          
• Vacinas: Pneumocócica 10-valente (3 doses mais um reforço) / Anti-meningococo C (2 doses mais um reforço)
         
• Previne: Meningites, pneumonias pneumocócicas e sinusite, entre outras / Meningite

4 meses       
• Vacinas: Poliomielite / Tetravalente (DTP + Hib) / Rotavírus
 
• Previne: Paralisia infantil / Difteria, tétano, coqueluche, meningite e infecções causadas pelo Haemophilus tipo B / Diarreia por rotavírus

6 meses 
• Vacinas: Poliomielite / Tetravalente (DTP + Hib) / Hepatite B
 
• Previne: Paralisia infantil / Difteria, tétano, coqueluche, meningite e infecções causadas pelo Haemophilus tipo B / Hepatite B

9 meses 
• Vacinas: Febre amarela
 
• Previne: Febre amarela (em áreas de risco)

12 meses 
• Vacinas: Tríplice viral (SCR)
 
• Previne: Sarampo, caxumba e rubéola

15 meses 
• Vacinas: Poliomielite / DTP
 
• Previne: Paralisia infantil / Difteria, tétano e coqueluche

6 anos 
• Vacinas: Poliomielite / DTP / Tríplice viral (SCR)
 
• Previne: Paralisia infantil / Difteria, tétano e coqueluche / Sarampo, caxumba e rubéola

10 anos 
• Vacinas: Febre Amarela
 (uma dose a cada 10 anos)

15 anos 
• Vacinas: Dupla adulto DT (reforço a cada 10 anos)
 
• Previne: Contra difteria e tétano

Homens e mulheres nascidos a partir de 1960 
• Vacinas: Tríplice viral (SCR)
 
• Previne: Sarampo, caxumba e rubéola

60 anos ou + 
• Vacinas: Influenza (dose anual)
 
• Previne: Gripe

Vacinas oferecidas em clínicas particulares

A partir dos 2 anos 
• Vacinas: Febre tifóide / Cólera 
• Previne: Febre tifóide (em áreas de risco) / Cólera (em áreas de risco)

Crianças e adultos
 
• Vacinas: Hepatite A / Influenza 
• Previne: Hepatite A / Gripe

Adolescentes e adultos 
• Vacinas: Varicela
 
• Previne: Catapora

Mulheres (9 a 26 anos)
 
• Vacinas: HPV
 

• Previne: Infecções por papilomavírus, como câncer do colo do útero

Fonte: mdemulher.abril.com.br