domingo, 26 de fevereiro de 2012

Pela 1ª vez, drogas contra intoxicação radioativa alcançam bons resultados

Graças a um enorme investimento do governo americano, medicamentos para tratar intoxicação por radiação devem ser aprovados nos próximos anos. Por enquanto, o único tratamento disponível são as cápsulas de iodo que impedem a fixação de iodo radioativo no organismo. Mas não há qualquer terapia para os efeitos fisiológicos da radiação. Cinco drogas já apresentam resultados promissores.
Em 2004, o congresso americano aprovou o Projeto BioShield e, dois anos depois, o Ato para Prevenção de Pandemias e Outras Ameaças. Na prática, bilhões de dólares foram liberados para pesquisas médicas úteis em situações de emergência, como ataques terroristas nucleares, químicos e biológicos. Cerca de US$ 500 milhões financiaram estudos relacionados ao tratamento e à prevenção da síndrome aguda da radiação (SAR), doença associada à exposição a altas doses de radiação ionizante em um curto período de tempo.
Os novos medicamentos também servirão para situações de crise nuclear, como o acidente na usina nuclear soviética de Chernobyl, em 1986, ou a catástrofe de Fukushima, quando um tsunami devastou a costa japonesa. No Brasil, essas drogas teriam ajudado, por exemplo, a diminuir os danos do acidente com o césio-137, em Goiânia, quando uma cápsula de material radioativo de um aparelho de raio-X foi desmontada em um ferro velho, um ano depois de Chernobyl. Onze pessoas morreram e cerca de 600 foram contaminadas.
De acordo com o cientista José Roberto Rogero, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), com pequenas adaptações, esses medicamentos também poderão ser úteis para diminuir os efeitos adversos associados à radioterapia. "Poderão servir, por exemplo, para proteger as células saudáveis do organismo."

Terapias atuais

Hoje, os tratamentos disponíveis só servem para diminuir os sintomas, que costumam variar de enjoo e dor de cabeça à síndrome hematopoiética - falência das células responsáveis pela produção do sangue, com a consequente diminuição no número de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. Daí a necessidade de transfusões, antibióticos e suplementos de fluidos. Drogas oncológicas são usadas para estimular o funcionamento do sistema imune.
Se a exposição à radiação for maior, pode ocorrer a síndrome gastrointestinal, com hemorragias no sistema digestivo, mais difícil de ser tratada, que pode levar à morte em cinco dias. Nos casos mais graves, chega-se à síndrome do sistema nervoso central, quando neurônios - as células mais resistentes à radiação - morrem. O quadro de agonia dura poucas horas e é sempre fatal.
Rogero recorda que o principal efeito da radiação é a produção de radicais livres. "A radiação atinge as moléculas de água e oxigênio, abundantes no organismo, e produz os radicais livres, que começam a reagir e alterar diversas estruturas celulares, como o DNA e a membrana", afirma. "A maioria das novas drogas atua como antioxidante, ou seja, tenta diminuir o estrago causado pelos radicais livres. O ideal, portanto, é que sejam tomadas antes da exposição para evitar os danos."
No País, alguns pesquisadores estudam a atividade do resveratrol, um antioxidante natural presente no suco de uva e no vinho. Rogero, por exemplo, testa a substância em culturas de células expostas à radiação. "Já percebemos que em pequenas doses, ele possui uma ação radioprotetora", descreve o cientista. "Em doses maiores, funciona como radiosensibilizador, amplificando o efeito da radiação."
Aquilino Senra, vice-diretor da Coppe-UFRJ, prevê que a criação de medicamentos eficazes para tratar a síndrome pode diminuir o temor nuclear. Em 2011, a Alemanha anunciou que pretende desligar todas suas usinas nucleares até 2022. "É uma medida inconsistente", afirma Senra. "Ela ainda vai comprar energia de matriz nuclear da França e da República Checa."
"Ainda não sabemos qual será o mercado dessas drogas", afirma Ramesh Kumar, presidente da Onconova, uma das empresas que desenvolvem os novos medicamentos. Ele aponta que os principais compradores serão os governos, mas teme um mercado excessivamente restrito.

Fonte: O Estado de São Paulo

Veias artificiais inteligentes produzem e liberam medicamentos

Veias quase naturais

Cientistas induziram a criação de vasos sanguíneos capazes de produzir e liberar medicamentos diretamente na corrente sanguínea, dispensando as constantes injeções.
As veias "artificiais" foram produzidas com células manipuladas por engenharia genética, tendo sido capazes de reverter a anemia nos camundongos em que foram implantadas segregando um composto chamado eritropoietina.
Embora os cientistas as chamem de veias artificiais, elas são na verdade veias criadas naturalmente pelo corpo em resposta à inserção de um conjunto de células geneticamente manipuladas.

Drogas recombinantes

Os pesquisadores afirmam que, quando totalmente desenvolvidas e testadas em humanos, essas "veias artificiais inteligentes" serão valiosas para a aplicação contínua de medicamentos em pacientes que hoje precisam tomar injeções continuamente.
Este é o caso da aplicação de Fator VIII e Fator IX em pacientes com hemofilia, alfa interferon em pacientes com hepatite C e interferon beta para esclerose múltipla. Mas as possibilidades vão bem além desses casos.
Essas drogas de aplicação contínua são chamadas de drogas recombinantes. Além do desconforto das injeções constantes, as drogas recombinantes são caras porque são muito difíceis de fabricar.
"A mudança de paradigma aqui é, por que nós não instruímos suas próprias células a se tornarem fábricas desses medicamentos," explica o Dr. Juan Melero-Martin, do Hospital Infantil de Boston (EUA), que está desenvolvendo as veias artificiais inteligentes.

Veias inteligentes

Os pesquisadores criaram as veias produtoras de medicamento isolando células endoteliais do sangue humano e inserindo nelas um gene para produzir o composto eritropoietina, que é produzido naturalmente pelo fígado e pelos rins.
A seguir eles as mesclaram com células-tronco  mesenquimais, suspensas em um gel, e injetaram a mistura sob a pele de camundongos.
As células formaram redes de vasos sanguíneos espontaneamente e, em uma semana, começaram a liberar a eritropoietina na corrente sanguínea dos animais.
Isso foi suficiente para reverter a anemia que havia sido induzida nas cobaias para simular a anemia por que passam pacientes em tratamentos de radioterapia ou por falhas nos rins.
O gene produtor do "medicamento natural" pode ser controlado: ele só é ativado quando o animal recebe um medicamento, chamado doxiciclina, diluída na água. Retirando o medicamento da água, as células param de produzir a eritropoietina.

Fonte: Diário da Saúde

Exame de sangue detecta quatro síndromes congênitas

Um exame de sangue especializado feito em grávidas conseguiu resultados até 100% precisos na detecção de quatro síndromes --inclusive a de Down-- nos fetos.

Esta foi a primeira vez que um estudo de escolha aleatória e feito em vários centros conseguiu detectar tantas anomalias cromossômicas e com um resultado tão alto.
Os números foram anunciados em reunião científica nos EUA e abrem a possibilidade de um teste pré-natal mais seguro e eficiente.
Hoje, o exame é feito com ultrassom e análise do líquido amniótico, um processo invasivo em que há risco de ocorrer um aborto.
No novo método, a detecção das síndromes --provocadas por número anormal de cromossomos--, foi feita pelo sequenciamento do material genético do plasma das grávidas, retirado da mesma forma que em exames de sangue "comuns", menos invasivos e sem risco para o feto.
O estudo foi destaque na reunião da Sociedade para Medicina Maternal-Fetal, no Texas. O trabalho é da equipe de Richard Rava, da empresa Verinata Health, Inc., Research & Development, de Redwood City, Califórnia.
"Sequenciar" significa estabelecer a ordem dos componentes químicos básicos do material genético, o DNA.
O estudo foi possível graças aos extraordinários avanços na tecnologia de sequenciamento do genoma (conjunto do material genético) dos anos recentes, conhecida como "sequenciamento paralelo maciço".
A equipe se desdobrou para obter os dados: foram coletadas amostras do sangue de 2.882 mulheres que passavam por diagnósticos pré-natais de rotina em 60 locais em todos os EUA. O objetivo era detectar possíveis aneuploidias -células com número anormal de cromossomos.
"Este é o primeiro estudo clínico cego que demonstrou a detecção de todas as aneuploidias fetais ao longo do genoma", disse Diana Bianchi, do Instituo de Pesquisa da Mãe e da Criança do Centro Médico Tufts.
O estudo foi particularmente eficiente em detectar a aneuploidia conhecida como síndrome de Down: 89 dos 89 casos, ou 100% de eficácia. Outro dado importante: não houve nenhum resultado falso-positivo, não produzindo esse potencial fator de estresse para o casal.
Outras síndromes checadas foram as de Edwards, Patau e Turner, também com um bom índice de acertos, mas não em 100% dos casos.
"Síndromes" não são doenças e sim condições médicas associadas a determinados sinais e sintomas.
Por exemplo, a síndrome de Turner afeta apenas meninas e um sinal é a estatura baixa; a de Edwards afeta órgãos como o coração e os rins; a de Down inclui características anatômicas como queixo reduzido, baixa estatura, retardo mental.
Na opinião de Debora Bertola, geneticista médica do Instituto da Criança do HC e do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, a tecnologia é promissora. "Por ser um método não invasivo, deve facilitar a adesão".
Segundo ela, porém, a técnica ainda precisa ser refinada para a detecção das outras síndromes, que não a Down. "Mas é uma esperança de detecção precoce".

Fonte: Folha de São Paulo

Paracetamol: como alivia a dor e riscos à saúde

Cientistas descobrem como paracetamol alivia a dor
Pesquisa pode dar origem a nova geração de analgésicos

Pesquisadores da Lund University, na Suécia, e da Faculdade de Medicina do King’s College, de Londres, descobriram como o paracetamol alivia a dor. Embora tenha sido descoberto há mais de cem anos, em 1890, e seja usado como analgésico desde 1950, seu mecanismo de funcionamento ainda era desconhecido pelos cientistas
O achado dos ingleses e suecos pode levar ao desenvolvimento de novas drogas menos tóxicas. Usado corretamente, nas doses indicadas pelos médicos, o paracetamol é perfeitamente seguro, mas a overdose do medicamento, mesmo em pequenas quantidades, pode causar sérios danos ao fígado, como apontou uma pesquisa britânica.
Os pesquisadores identificaram uma proteína chamada TRPA1, presente na superfície das células nervosas, necessária para que o paracetamol possa fazer efeito. No estudo conduzido com camundongos, os cientistas perceberam que, ao retirar a proteína dos animais, o medicamento deixava de fazer efeito.
Também foi descoberto que não é o paracetamol que ativa diretamente a TRPA1, e sim um subproduto formado a partir do metabolismo do medicamento, conhecido como NAPQI. O problema é que o NAPQI é tóxico. Em pequenas quantidades, o fígado consegue neutralizá-lo. Em grandes, pode causar problemas como os riscos da overdose de paracetamol.
"O que vimos acontecer nos camundongos é que o produto formado pelo metabolismo do paracetamol estimula a proteína TRPA1. Quando ela é ativada, parece interferir na comunicação entre as células nervosas sensíveis à dor, reduzindo a transmissão dessa informação para o cérebro", diz Stuart Bevan, do King’s College, co-autor do estudo.
Os pesquisadores afirmaram que é possível identificar outros compostos analgésicos similares ao paracetamol que também ativam o TRPA1, mas sem provocar danos ao fígado. "O estudo valida o TRPA1 como o novo alvo para as drogas de alívio da dor", afirma David Andersson, pesquisador do Centro de Doenças Relacionadas com a Idade, do King’s College.

Doses 'a mais' de paracetamol trazem sérios riscos à saúde

Overdoses repetidas da droga provocam danos ao fígado e podem levar à morte

Ingerir paracetamol em excesso repetidamente, mesmo que apenas um pouco acima do limite recomendado, pode ser fatal. De acordo com pesquisadores da Universidade de Edimburgo, a overdose da droga é difícil de ser percebida, mas deve ser contornada o quanto antes, uma vez que o paciente corre o risco de sofrer uma falência no fígado que pode levá-lo à morte. A pesquisa foi publicada no periódico British Journal of Clinical Pharmacology.
O consumo da droga em excesso repetidamente é ainda mais perigoso do que uma overdose única. E costuma acontecer quando a pessoa sente dor e toma por várias vezes um pouco mais de paracetamol do que precisaria. “Não é uma overdose maciça, do tipo ingerida por pessoas que tentam se matar, mas com o tempo os danos se acumulam e podem ser fatais”, diz Kenneth Simpson, um dos responsáveis pelo estudo.
Um dos problemas com a overdose é que os médicos normalmente mensuram o risco do paciente por exames sanguíneos, para saber o quanto da substância está presente no organismo. No caso de uma overdose única, o exame sanguíneo de fato consegue dar informações valiosas ao médico. Pessoas com overdoses sucessivas, no entanto, podem ter níveis baixos de paracetamol no sangue, mesmo que estejam em risco iminente de falha no fígado e de morte.

Levantamento de dados: Durante a pesquisa, foram analisado 663 pacientes que haviam sido admitidos no centro médico Royal Infirmary, em Edimburgo, entre 1992 e 2008, com dano no fígado causado por paracetamol. Descobriu-se, então, que 161 deles haviam tomado overdoses sucessivas, normalmente para aliviar uma variedade de dores comuns, como dores abdominal, muscular, de cabeça e de dente.
“Na admissão no hospital, esses pacientes com overdoses múltiplas eram mais suscetíveis a terem problemas no fígado e no cérebro, precisavam de diálise renal ou ajuda para respirar. Eles tinham mais riscos de morrer do que aqueles pacientes que haviam tido apenas uma overdose”, diz Simpson. O problema é ainda mais sério para aqueles pacientes que chegam ao hospital mais de um dia após a overdose – eles têm ainda mais riscos de precisarem de um transplante de fígado.
Segundo o especialista, como mensurar o paracetamol no sangue é uma avaliação ineficaz do real estado do paciente em casos de overdoses múltiplas ou de internação tardia, é preciso que se desenvolvam novas maneiras de se fazer o diagnóstico e o tratamento.

Indicação: O paracetamol, assim como qualquer outro medicamento, deve ser ingerido apenas com supervisão médica. Normalmente, cada comprimido contém cerca de 500 mg de paracetamol e recomendações gerais indicam que adultos podem ingerir até, no máximo, dois comprimidos a cada quatro ou seis horas - um máximo de oito comprimidos por dia.

Fonte: Veja

Stent com fármaco produzido no Brasil pode prevenir infartos e evitar cirurgias

Até agora estavam disponíveis apenas os stents sem fármacos de fabricação nacional. Anvisa liberou novo dispositivo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o primeiro stent cardiovascular farmacológico desenvolvido no Brasil. Até agora estavam disponíveis apenas os stents sem fármacos de fabricação nacional. O dispositivo serve para manter as artérias livres de placas de gordura que podem comprometer a passagem de sangue nas coronárias e levar a problemas cardíacos.
Os stents são formados por pequenos cilindros de telas metálicas muito finas, acompanhados de um balão no seu interior e um cateter. Quando inflado, esse balão se expande dentro da artéria ou dos vasos periféricos, fazendo o sangue fluir. Para retirá-lo e deixar o fluxo preservado, o cilindro de tela metálica é deixado dentro da artéria. Dessa forma é possível evitar infartos ou operações cirúrgicas de grande porte, como a colocação de pontes de safena.
"O problema é que de 10% a 20% das pessoas voltam a ter obstrução no local em que está o stent devido à cicatrização ao redor do dispositivo. Daí a importância de se implantar stents que possuam drogas antiproliferativas de tecidos", diz o professor Pedro Lemos, diretor do Serviço de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista do Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor). O fármaco adere à tela metálica por meio de uma cola polimérica biocompatível que desaparece conforme o medicamento se solta do tubo.
O stent farmacológico é fabricado em parceria pelas empresas Innovatech, da capital paulista, e Scitech, de Goiânia (GO). A primeira corta com laser o cilindro metálico de ligas de cobalto e cromo e faz o tratamento superficial do dispositivo. A empresa goiana produz as outras partes do stent e aplica o medicamento Rapamicina na parte externa do tubo metálico.
Essa empresa também comercializa o produto que leva o nome de Cronus, sem fármaco, e Inspiron, com o medicamento. "Estamos constantemente aprimorando o desenho da malha metálica do stent para ele não perder, no atrito com as paredes do cateter, o polímero que contém o fármaco", diz Spero Morato, diretor executivo da Innovatech, empresa que recebeu financiamento para o desenvolvimento do stent por meio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas da Fapesp.
O desenvolvimento do produto foi feito pelas duas empresas em estreita colaboração com os pesquisadores do InCor. Outras instituições como o Instituto Dante Pazzanese, de São Paulo, participaram na fase final de testes clínicos. "Esse trabalho que levou ao stent farmacológico brasileiro faz parte do Programa de Desenvolvimento Nacional de Stents (PDNS) estabelecido em 2004 com financiamento da Finep [Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério de Ciência e Tecnologia] e CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] com verba do Ministério da Saúde" , diz Lemos, coordenador do programa. "Foram investidos cerca de R$ 4 milhões no programa", diz.
O produto, cujo comprimento varia entre 6 milímetros (mm) e 38 mm, e diâmetro entre 2,5 mm e 4,5 mm, já está implantado, na versão sem fármaco, em mais de 7 mil pacientes no país desde 2009, sendo hoje exportado para 32 países. Até esse ano, todos os stents implantados no Brasil eram importados. O preço de cada stent nacional é cerca de 10% a 20% inferior ao fabricado fora do país. Cada um custa em torno de R$ 2 mil sem medicamento e R$ 10 mil com a droga.

Fonte: Isaude.net

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Aspirina testa sua eficácia na prevenção de câncer cervical em mulheres infectadas pelo HIV

Uma pesquisa conduzida por investigadores da saúde global do New York-Presbyterian Hospital/Weill Cornell Medical Center e especialistas em câncer em Nova York, Qatar e Haiti sugere que a aspirina deve ser avaliada por sua capacidade de prevenir o desenvolvimento de câncer cervical em mulheres infectadas pelo HIV.

O relatório, publicado na revista Cancer Prevention Research, diz que esta solução simples e barata tem o potencial de proporcionar enormes benefícios para as mulheres no Caribe, América Latina e África, que sofrem de uma taxa desproporcionalmente alta de morte por câncer cervical.
O uso preventivo de aspirina poderia ser especialmente útil no Haiti, onde o câncer cervical invasivo é uma causa comum de morte em mulheres infectadas pelo HIV. O país também tem a maior incidência de câncer cervical no mundo e uma das mais altas taxas de infecção pelo HIV no Hemisfério Ocidental.
“Essas jovens pacientes - muitas das quais eram mães e o único sustento de suas famílias – se esforçaram para controlar o HIV com terapia antirretroviral, apenas para desenvolver e morrer de câncer do colo do útero”, diz o pesquisador principal do estudo, Daniel Fitzgerald, professor associado de medicina na Weill Cornell Medical College, que viveu no Haiti por sete anos e continua a tratar pacientes de HIV no país.
Fitzgerald é um membro-chave do Weill Cornell Medical College Center for Global Health e dirige a colaboração da faculdade com GHESKIO, uma organização não-governamental haitiana dedicada a fornecer serviços clínicos, pesquisa e treinamento em HIV/AIDS desde 1980.
“Os resultados deste esforço colaborativo vão fazer uma diferença real para mulheres que vivem em uma das nações mais pobres do mundo”, diz. ”É maravilhoso que médicos e cientistas de diferentes partes do mundo sejam capazes de se unir para resolver uma questão tão crítica de cuidado.”
Os pesquisadores descobriram que o HIV induz a expressão da via inflamatória COX-2/prostaglandina E2 (PGE2) em amostras de tecido cervical de mulheres haitianas que foram infectadas com o HIV. As descobertas relacionam dois fatos conhecidos juntos: que o HIV causa inflamação crônica; e que a PGE2, que é elevada durante a inflamação, está ligada ao desenvolvimento do câncer em vários tipos de tumores, incluindo o câncer cervical.
O fato de que o HIV estimula a produção de PGE2 no tecido do colo do útero não era conhecido antes deste estudo, dizem os pesquisadores.
Isso pode ajudar a explicar por que as mulheres soropositivas têm cinco vezes mais chances de desenvolver câncer cervical invasivo do que mulheres soronegativas. Esse fato também sugere que os inibidores da molécula de COX-2 (que contribui para a produção de PGE2) pode romper a ligação entre o HIV e o câncer cervical. A aspirina é um dos inibidores de COX mais baratos e eficazes.
“Os resultados deste estudo fornecem novos insights sobre a relação entre infecção viral e inflamação, dois condutores conhecidos do desenvolvimento de câncer”, diz o autor sênior Andrew Dannenberg, diretor do Weill Cornell Cancer Center em NewYork-Presbyterian/Weill Cornell e Henry R. Erle, médico do Roberts Family Professor de Medicina no Weill Cornell Medical College.
“Futuros estudos serão necessários para determinar se agentes semelhantes à aspirina, conhecidos inibidores da produção de prostaglandinas, podem reduzir o risco de câncer cervical nesta população de alto risco”, acrescenta.
Os pesquisadores examinaram os níveis de COX-2 e PGE-M (um metabólito estável de PGE2) em três grupos de mulheres e encontraram aumento dos níveis de ambas as moléculas em 13 mulheres que estavam co-infectadas com HIV e HPV. COX-2 e PGE-M também foram elevados em 18 mulheres infectadas pelo HIV com um teste de HPV negativo e mais baixos em 17 mulheres HIV-negativas, que também não estavam infectados com o HPV.
As descobertas demonstram que a infecção por HIV está associada ao aumento do COX-2 cervical e elevados níveis sistêmicos de PGE2, afirma Fitzgerald. Co-infecção com o HPV aumenta o risco de câncer cervical. Futuros estudos tentarão definir a população de mulheres que podem se beneficiar do uso diário de aspirina ou inibidores relacionados.
Fitzgerald, juntamente com médicos do GHESKIO e a co-autora do estudo, Cynthia Riviere, iniciou o programa de pesquisa clínica para cuidar e prevenir o câncer cervical em mulheres HIV-positivas no Haiti depois que notaram um aumento nos casos reportados.
“O objetivo é dar aos pacientes no Haiti o mesmo padrão de tratamento encontrado em qualquer centro de câncer,” diz Arash Jeremie Rafii Tabrizi, professor assistente de medicina genética do Weill Cornell Medical College, no Qatar, que tratou mulheres na clínica GHESKIO. ”Estamos nos concentrando em procedimentos que vão permitir uma redução da morbidade - já que esta é uma grande preocupação na população – assim como uma redução do risco de recorrência.”
A pesquisa foi financiada pelo National Cancer Institute, Fogarty International Center e Flight Attendant Medical Research Institute.

Fonte: NewsWise 

Síndromes genéticas raras são identificadas no Brasil

Síndromes autoinflamatórias hereditárias

Nos últimos 14 anos, um novo grupo de doenças hereditárias raras começou a ser identificado em diferentes partes do mundo.
São causadas por deficiências genéticas da imunidade inata e, se não forem diagnosticadas precocemente e tratadas de forma adequada, podem levar a complicações graves de saúde.
Para estudar a prevalência e melhorar a capacidade de diagnóstico no Brasil dessas novas doenças, chamadas síndromes autoinflamatórias hereditárias, um grupo de pesquisadores de diferentes instituições no país e nos Estados Unidos realizou, nos últimos três anos, um estudo de abrangência nacional.
Os resultados da pesquisa foram apresentados no Encontro Científico Anual do Colégio Americano de Reumatologia (ACR, na sigla em inglês), nos Estados Unidos.

Casos no Brasil

Por meio da pesquisa foram identificados 103 pacientes no Brasil, entre adultos e crianças, com suspeita clínica de serem portadores de uma das cinco síndromes inflamatórias mais prevalentes no mundo:

  • febre familiar do Mediterrâneo;
  • criopirinopatias;
  • artrite granulomatosa pediátrica;
  • hiperimunoglobulinemia D ou deficiência de mevalatoquinase;
  • e síndrome periódica associada ao receptor do fator de necrose tumoral.

Entre esses 103 pacientes, os pesquisadores identificaram e sequenciaram os genes relacionados a essas cinco síndromes em cerca de um terço deles.
"Como essas síndromes são muito parecidas - os sintomas são iguais e também podem existir outras novas doenças semelhantes a elas - não foram identificados e sequenciados os genes das doenças apresentadas por cerca de dois terços dos pacientes", disse Clovis Artur Almeida da Silva, professor da USP e coordenador do projeto.
O objetivo agora é dar continuidade à identificação e ao sequenciamento genético desses pacientes, de modo a aprimorar a capacidade de diagnóstico dessas doenças, para as quais estão surgindo novos tratamentos.
"Ainda não temos condições de avaliar todos os pacientes portadores dessas doenças, cujo tratamento é específico para cada uma delas", afirmou.

Casamentos

Caracterizadas por febre periódica e sintomas inflamatórios sistêmicos recorrentes, como artrite, dores abdominais, manchas na pele e inflamações oculares e do sistema nervoso central, entre outras, essas doenças estão sendo diagnosticadas em todo o mundo.
Entretanto, já se sabe que afetam, principalmente, populações do Mediterrâneo, como turcos, armênios, judeus sefarditas (originários de países ibéricos) e árabes, devido à consanguinidade.
"São muito comuns os casamentos entre parentes nessas populações. Como essas doenças são hereditárias e têm heranças distintas, elas acabam acometendo um maior número de pessoas nessas regiões geográficas", explicou Silva. Em algumas dessas regiões, a prevalência de casos das doenças varia de 1 para 200 a de 1 para 1.000 pessoas.

Novos casos

No Brasil, ainda não se sabe exatamente qual a prevalência dessas síndromes genéticas.
"Apresentamos os resultados da pesquisa inicial no Congresso Brasileiro de Reumatologia Pediátrica, que ocorreu no início de outubro em Salvador, e diversos pesquisadores têm nos enviado e-mails relatando que têm pacientes com sintomas parecidos com os dessas doenças. À medida que elas forem mais divulgadas no Brasil, surgirão outros novos casos", disse.
Para identificar casos das doenças no Brasil, foram coletadas amostras de soro sanguíneo de casos clínicos, com maior predominância da região Sudeste e a ausência da região Norte, onde não foi registrado nenhum paciente portador dessas doenças.
Entre os casos clínicos levantados, foram identificados os de duas crianças que apresentavam inflamações cutâneas, como psoríase e manchas na pele, e osteomielite não infecciosa.
Os pesquisadores estimavam que as crianças eram portadoras de uma síndrome inflamatória já identificada. Ao enviar os genes delas para serem sequenciados por outro pesquisador no Qatar, nos Emirados Árabes, o grupo brasileiro descobriu uma nova síndrome na população brasileira, batizada de DIRA.
A descoberta será publicada em uma das próximas edições da revista Arthritis & Rheumatism, do Colégio Americano de Reumatologia.

Por: Elton Alisson - Agência Fapesp

Medicamentos que podem ser ingeridos pela mulher durante a gestação

Mesmo os naturais precisam de aval médico

Mesmo se for prescrito por outro especialista, o médico que acompanha a gestação deve ser informado.
O senso comum já prega há muito tempo que grávida não pode tomar medicamento. E não pode mesmo. O uso indiscriminado de medicamentos é totalmente condenado durante a gravidez. Esta proibição também inclui formulações à base de plantas, como os chazinhos curativos.

Tanto cuidado se justifica porque a exposição a certos compostos químicos pode causar danos graves ao feto, como malformações, deficiências funcionais, retardo do crescimento e até mesmo a morte. Nenhum medicamento deve ser tomado sem orientação do obstetra.
Mesmo se for prescrito por outro especialista, o médico que acompanha a gestação deve ser informado. Este cuidado deve ser maior nos três primeiros meses, quando se formam todos os órgãos do bebê. Nessa fase, medicamentos são desaconselhados sem indicação médica, incluindo fitoterápicos, homeopáticos, vitaminas e florais.

Algumas drogas podem ser muito nocivas durante a gravidez, como, por exemplo, os retinóides (congêneres da vitamina A), em especial a isotretinoína, indicada para quadros graves e persistentes de acne, que provoca anomalias no sistema nervoso como hidrocefalia e retardo mental, defeitos no aparelho cardiovascular e alterações no crânio, especialmente nas orelhas.

A warfarina, utilizada para o controle da pressão arterial e para o tratamento da trombose, pode causar aborto, defeitos no sistema nervoso e hemorragia cerebral. Dois princípios ativos contra convulsões são acusados de alterar a formação da coluna vertebral do nenêm: a carbamazepina e o ácido valpróico, esse último também receitado para prevenir crises de enxaqueca.

Também entram na lista dos proibidos os fármacos para tratamento de câncer, que podem prejudicar o desenvolvimento do feto como um todo porque interferem na divisão celular.

Nem os naturais   

Os fitoterápicos, medicamentos à base de ervas, também oferecem riscos. A cáscara sagrada, que é um laxante natural, pode causar contrações antes do tempo, com possibilidade de aborto e parto prematuro. O guaco, com o qual se faz xarope contra tosse, oferece risco de hemorragias. A hortelã, consumida na forma de chá contra gripes e resfriados, pode causar malformações, se utilizada em altas doses. Como tempero, ela é liberada. Até uma vitamina pode fazer estragos. O excesso de vitamina A é associado a malformações. Muitas gestantes necessitam de suplementação de ácido fólico, ferro e cálcio, dentre outros nutrientes. Mas nem todos os complexos vitamínicos são adequados nessa fase da vida.

Quando é imprescindível?        

Em alguns casos, a medicação se torna imprescindível porque a gestante apresenta algum distúrbio que pode trazer complicações importantes para a gravidez ou mesmo que possa colocar sua vida em perigo. Nestes casos, a falta de tratamento compromete mais a gestação do que o uso do medicamento em si. Hipertensão se não for controlada, a elevação da pressão arterial da mãe ocasiona retardo no crescimento intra-uterino, parto prematuro e nascimento de bebês de baixo peso.

Estudos comprovaram a segurança de algumas drogas anti-hipertensivas como certos betabloqueadores; Diabetes, taxas altas de açúcar no sangue da gestante podem levar a malformações e à morte fetal. O tratamento é feito com dieta hipocalórica (orientada por uma nutricionista especializada e exercícios físicos orientados por um personal especializado em gestantes) e, muitas vezes, com o emprego da insulina; Epilepsia, embora as drogas para controle do distúrbio não sejam totalmente isentas de riscos, é preciso avaliar bem a relação custo/benefício.

Crises convulsivas frequentes podem comprometer a oxigenação do bebê, por isso os medicamentos são mantidos; Se a gestante tiver depressão leve, uma psicoterapia é suficiente para ajudá-la a recuperar o equilíbrio emocional. Mas em casos moderados e graves, talvez não seja o bastante.

Quando o risco de suicídio é grande, o antidepressivo precisa ser administrado. Mulheres com depressão crônica são mais vulneráveis à depressão pós-parto, por isso, a medicação não é interrompida; Doenças infecciosas, a mais comum é a infecção urinária, que se não for bem tratada com antibióticos, pode acarretar em parto prematuro.

Existem antibióticos seguros para uso na gravidez, prescritos quando o distúrbio é diagnosticado por exames; Corrimentos vaginais, a queda na imunidade que ocorre nos nove meses torna as gestantes mais predispostas a inflamações genitais.
A falta de tratamento pode levar ao parto prematuro. Alguns cremes são permitidos para uso na gravidez;

Distúrbios da tireoide, o hipotireoidismo é um quadro bastante comum e requer tratamento porque a falta do hormônio da tireóide na gestação está relacionada a uma certa diminuição do QI do bebê, trazendo como consequências dificuldades de aprendizado na idade escolar. O excesso de hormônio (hipertireoidismo) também traz prejuízos e precisa ser tratado, pois eleva o índice de abortos no primeiro trimestre.

Como lidar com outras situações?    

Enjoos, fracione as refeições para não ficar muitas horas em jejum. Prefira alimentos gelados e evite comida gordurosa. Se não resolver, os ginecologistas, às vezes, prescrevem dimenidrinato isolado ou associado à vitamina B6 ou metoclopramida. Outra opção é a acupuntura, que dá bons resultados em casos de náuseas e vômitos e é permitida desde o começo da gestação;
Resfriados dores e febres são controladas com paracetamol, mediante prescrição médica. Os descongestionantes nasais estão proibidos, pois podem estreitar os vasos da placenta e comprometer o fluxo de sangue para o bebê. É melhor pingar nas narinas soro fisiológico ou fazer inalação só com o soro. Nada de drogas contra tosse, especialmente as que contêm codeína e formulações à base de guaco. Prefira mel com limão; Inchaço, reduza o sal na comida, descanse com as pernas elevadas e faça exercícios físicos para ativar a circulação; Enxaqueca, analgésicos mais fortes não são recomendados e os medicamentos para prevenir as crises também estão fora de questão.

O médico pode recomendar paracetamol e, como segunda opção, dipirona. A acupuntura também traz alívio. É conveniente que se verifique resistência à insulina (causa frequente de enxaquecas) e se confirmada, poderá ser tratada; Insônia, leite quente com mel antes de dormir pode trazer conforto.
Massagens relaxantes e acupuntura também são boas dicas.

Fonte: minhavida.com.br

Seis vacinas que os adultos precisam tomar

Essas doenças continuam perigosas mesmo na idade adulta

Em todas as fases de nossa vida, estamos suscetíveis a infecções por vírus e bactérias que, se não tratadas, podem causar muitos problemas. "Faz parte da cultura dos brasileiros achar que vacinação é assunto de criança. Mesmo que esse quadro esteja mudando, os adultos ainda não tratam as vacinas com seriedade", diz o infectologista Paulo Olzon, da Unifesp.

As doenças crônicas que se manifestam mais na vida adulta são fortes indicadores de que o individuo precisa se vacinar. "As pessoas que estão em grupos de risco, como as pessoas com mais de 60 anos ou aquelas que têm doenças crônicas, devem sempre estar informadas sobre a vacinação", explica o especialista.

Existem vacinas tanto para bactérias como para vírus. "No primeiro caso, a vacinação é feita para controlar surtos epidemiológicos. Já no caso dos vírus, a imunização normalmente dura a vida toda, sendo necessárias apenas algumas doses de reforço para garantir que a doença não vai mais voltar", diz Paulo Olzon.

Vacina dupla tipo adulto - para difteria e tétano     

A difteria é causada por uma bactéria, que é contraída pelo contato com secreções de pessoas infectadas. Ela afeta o sistema respiratório, causa febres e dores de cabeça, em casos graves, pode evoluir para uma inflamação no coração.
A toxina da bactéria causadora do tétano compromete os músculos e leva a espasmos involuntários. A musculatura respiratória é uma das mais comprometidas pelo tétano. Se a doença não for tratada precocemente, pode haver uma parada respiratória devido ao comprometimento do diafragma, músculo responsável por boa parte da respiração, levando a morte. Ferir o pé com prego enferrujado que está no chão é uma das formas mais conhecidas do contágio do tétano.  
A primeira parte da vacinação contra difteria e tétano é feita em três doses, com intervalo de dois meses. Geralmente, essas três doses são tomadas na infância. Então confira a sua carteira de vacinação para certificar-se se a vacinação está em ordem. Depois delas, o reforço deve ser feito a cada dez anos para que a imunização continue eficaz. É nesse momento que os adultos cometem um erro, deixando a vacina de lado.

Vacina Tríplice-viral - para sarampo, caxumba e rubéola

Causado por um vírus, o sarampo é caracterizado por manchas vermelhas no corpo. A transmissão ocorre por via respiratória. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a mortalidade entre crianças saudáveis é mínima, ficando abaixo de 0,2% dos casos. Nos adultos, essa doença é pouco observada, mas como a forma de contágio é simples, os adultos devem ser imunizados para proteger as crianças com quem convivem.

Conhecida por deixar o pescoço inchado, a caxumba também tem transmissão por via respiratória. Mesmo que seja mais comum em crianças, a caxumba apresenta casos mais graves em adultos, podendo causar meningite, encefalite, surdez, inflamação nos testículos ou dos ovários, e mais raramente no pâncreas.

Já a rubéola é caracterizada pelo aumento dos gânglios do pescoço e por manchas avermelhadas na pele, é mais perigosa para gestantes. O vírus pode levar à síndrome da rubéola congênita, que prejudica a formação do bebê nos três primeiros meses de gravidez. A síndrome causa surdez, má-formação cardíaca, catarata e atraso no desenvolvimento.

O adulto deve tomar a tríplice-viral se ainda não tiver recebido as duas doses recomendadas para a imunização completa quando era criança e se tiver nascido depois de 1960. O Ministério da Saúde considera que as pessoas que nasceram antes dessa data já tiveram essas doenças e estão imunizados, ou já foram vacinados anteriormente.

Mesmo que todos com essas características devam ser vacinados, as mulheres que pretendem ter filhos, que não foram imunizadas ou nunca tiveram rubéola devem tomar a vacina um mês antes de engravidar, já que a rubéola é bastante perigosa quando acomete gestantes, podendo causar deformidade no feto.

Vacina contra a hepatite B        

A Hepatite B é transmitida pelo sangue, e em geral não apresenta sintomas. Alguns pacientes se curam naturalmente sem mesmo perceber que tem a doença. Em outros, a doença pode se tornar crônica, levando a lesões do fígado que podem evoluir para a cirrose. "A imunização contra essa doença é importante, pois ela pode causar problemas sérios, como câncer no fígado", diz Paulo Olzon.
De acordo com o especialista, há algumas décadas, o tipo B da hepatite era o mais encontrado, já que ela pode ser transmitida através da relação sexual e as pessoas não tomavam cuidado com a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Depois de uma campanha de vacinação e imunização, e da classificação da hepatite C pelos médicos, ela não pode ser vista como epidemia, mas ainda é preciso tomar cuidado com essa doença.
Até os 24 anos, todas as pessoas podem tomar a vacina contra hepatite B, gratuitamente, em qualquer posto de saúde. A aplicação da vacina também continua de graça, quando o adulto faz parte de um grupo de risco. "Pessoas que tenham contato com sangue, como profissionais de saúde, podólogos, manicures, tatuadores e bombeiros, ou que tenham relacionamentos íntimos com portador da doença são as mais expostas a essa doença", diz o especialista. Fora isso, qualquer adulto pode encontrar a vacina em clínicas particulares.

Pneumo 23 - Pneumonia           

O pneumococo, bactéria que pode causar a pneumonia, entre outras doenças, pode atacar pessoas de todas as idades, principalmente indivíduos com mais de 60 anos. "Pessoas com essa idade não podem deixar de tomar a vacina pneumo 23", diz Paulo Olzon.
A pneumonia é o nome dado a inflamação nos pulmões causada por agentes infecciosos (bactérias, vírus, fungos e reações alérgicas). Entre os principais sintomas dessa inflamação dos pulmões, estão febre alta, suor intenso, calafrios, falta de ar, dor no peito e tosse com catarro. Adultos com doenças crônicas em órgãos como pulmão e coração- alvos mais fáceis para o pneumococo, devem tomar essa vacina sempre que há uma campanha de vacinação.
Mesmo que ela seja uma das vacinas mais importantes para ser tomadas é a única vacina do calendário que não é oferecida em postos de saúde. É preciso ir a um Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais, em locais como o Hospital das Clínicas e a Unifesp.

Vacina contra a febre amarela  

A febre amarela é transmitida pelo mesmo mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. A doença tem como principais sintomas febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (pele e olhos amarelados) e hemorragias. "Se a febre amarela não for tratada, pode levar a morte", explica o especialista.
Por ser uma doença grave, e com alto índice de mortalidade, todas as pessoas que moram em locais de risco devem tomar a vacina a cada dez anos, durante toda a vida. Quem for para uma dessas regiões precisa ser vacinado pelo menos dez dias antes da viagem. No Brasil, as áreas de risco são: zonas rurais no Norte e no Centro-Oeste do país e alguns municípios dos Estados do Maranhão, do Piauí, da Bahia, de Minas Gerais, de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
Mesmo que os efeitos colaterais mais sérios sejam muito raros, a vacina contra febre amarela deve ficar restrita aqueles indivíduos que moram ou irão viajar para algum lugar de risco. "Nesse sentido, a preocupação dos médicos está relacionada ao risco de reação alérgica grave ou anafilática, que pode levar a morte os pacientes propensos", explica o infectologista Paulo Olzon.

Fonte: minhavida.uol.com.br