sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Descoberta nova doença transmitida por mosquitos


 Estreia bacteriana

Cientistas suecos descobriram uma nova doença causada por uma bactéria transmitida ao homem pela picada de um mosquito.
Desde sua descoberta foram descritos oito casos da nova doença ao redor do mundo, três deles na região de Gotemburgo, na Suécia.
A doença é causada pela bactéria Neoehrlichia mikurensis, que foi descoberta em 2004 em ratos e pernilongos na ilha de Mikura, no Japão.
Agora se sabe que ela fez seu caminho até os humanos, embora seja mínima a chance de que haja uma infecção de humano para humano.

Vai e volta

Em Julho de 2009, um homem de 77 anos foi internado depois de passear de caiaque em um rio no oeste da Suécia.
Ele apresentava diarreia, febre e perda temporária de consciência. Os exames logo mostraram que ele também estava sofrendo de trombose.
Depois dos tratamentos tradicionais com antibióticos ele foi liberado.
Mas as internações e liberações se repetiram seguidamente nas semanas seguintes, até que pesquisadores do hospital da Universidade de Gotemburgo tiveram sua atenção chamada para o caso e resolveram estudá-lo em detalhes.

Aprendizado

A solução veio depois que o sangue do paciente foi examinado em busca de sinais de DNAs bacterianos.
O DNA identificado no exame foi localizado em um banco de dados genético e o paciente teve a infelicidade de passar para a história como o primeiro humano a contrair uma infecção com a Neoehrlichia mikurensis.
Desde então, mais sete casos foram identificados.
Para Christine Wenneras, responsável pela pesquisa, o mais preocupante da nova doença é a ocorrência de trombose - uma situação potencialmente fatal - nos pacientes que chegam ao estado de um sistema imunológico muito fragilizado.
E isto deverá ocorrer em maior número até que os médicos ao redor do mundo aprendam a identificar a nova infecção.

Por: Diário da Saúde

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Mitos e verdades sobre o câncer


 Um dos maiores especialistas em oncologia, Paulo Hoff, afirma que crenças populares interferem no diagnóstico precoce da doença

O câncer é uma doença em ascensão na população mundial e, no Brasil, já figura como a segunda causa de morte, atrás apenas das doenças cardiovasculares, conforme mostrou um recente estudo do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As neoplasias– como também são chamados os cânceres – podem afetar várias partes do organismo e as causas para o desenvolvimento são múltiplas. A herança familiar, os hábitos de vida e até a vivência de transformações de humor já apareceram como motivos para o surgimento dos tumores malignos.
Neste cenário de múltiplas razões para o desenvolvimento do câncer, surgem os mitos sobre a doença. Um dos especialistas mais conhecidos na área de oncologia, Paulo Hoff – diretor do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – afirma que estas crenças populares atrapalham o diagnóstico precoce da doença e as chances de cura.
“Com o maior acesso à internet pela população, o que poderia ser um facilitador da busca por informações pertinentes, nota-se, também, propaga diversos mitos e inverdades sobre o câncer”, afirma o oncologista e diretor geral do Icesp, Paulo Hoff.
“É preciso estar atento para seguir orientações de médicos ou instituições confiáveis”, observa.

Abaixo, veja 13 mitos selecionados por Hoff sobre o câncer e também 8 verdades sobre a doença.

Mitos

- Uso de desodorantes pode causar câncer de mama
- Somente quem tem histórico familiar está sujeito a desenvolver a doença
- Ingestão de leite prejudica o tratamento do câncer
- O consumo de adoçantes provoca o surgimento da doença
- Falta de higiene nas regiões íntimas não está relacionado ao câncer
- Câncer é uma doença contagiosa
- Pessoas negras não têm câncer de pele
- Segurar a urina dá câncer de bexiga
- Fazer sexo sem preservativos não aumenta risco de desenvolvimento da doença
- Implantes de silicone podem provocar câncer de mama
- Alimentos preparados no micro-ondas podem provocar câncer
- Um câncer pode ser causado por uma pancada
- Todo nódulo ou tumor se transformará em câncer

Verdades

- Falta de vitamina D pode aumentar os riscos de desenvolvimento de câncer de mama
- HPV está relacionado ao desenvolvimento de tumores no ânus, e nos órgãos da região da cabeça e do pescoço
- Consumo de álcool e tabaco elevam as chances de desenvolvimento da doença
- Ter filhos mais tarde (após os 30 anos) aumenta os riscos de desenvolvimento de câncer de mama
- Quanto maior a idade, maiores as chances de desenvolvimento de um câncer. Mas isto não significa que jovens não estejam sujeitos à doença
- Homens também podem ter câncer de mama
- Câncer tem cura. Quanto mais cedo for diagnosticado, maiores são as chances de curá-lo

Fonte: iG São Paulo

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Aspirina reduz risco de pacientes com predisposição ao câncer


Polêmica da aspirina

Tomar uma dose regular de aspirina reduz o risco de câncer a longo prazo em cerca de 60%.
Mas o dado só vale para pessoas em histórico familiar da doença, e abordou especificamente o câncer de intestino.
Indícios dos benefícios da aspirina contra o câncer vêm sendo divulgados ao longo dos anos, assim como os alertas em contrário.
Mas este é o primeiro resultado de uma pesquisa controlada e aleatória.

Predisposição ao câncer

Os pesquisadores estavam estudando o efeito das aspirinas para prevenir ataques do coração e derrames cerebrais (AVC).
Mas o acompanhamento mostrou que os voluntários que tomaram doses regulares de aspirina desenvolveram menos cânceres nos anos seguintes.
Por isso eles partiram para um estudo específico sobre os efeitos da aspirina sobre o câncer.
"Este estudo traz boas notícias para as pessoas com predisposição genética para o câncer de cólon porque este é um dos primeiros estudos a mostrar que aspirina pode ajudar a proteger contra o desenvolvimento dessa doença," disse a Dra. Diana Eccles, da Universidade de Southampton, no Reino Unido.
O estudo envolveu médicos e cientistas de 43 hospitais em 16 países, que acompanharam cerca de 1.000 pacientes, em alguns casos por mais de 10 anos.
Os pacientes eram pessoas com síndrome de Lynch, uma doença genética que afeta a capacidade de detectar e reparar danos ao DNA - cerca de metade dessas pessoas desenvolve câncer, principalmente de intestino e de útero.

Efeitos colaterais da aspirina

Mas o professor John Burn, coordenador do estudo, afirma que os resultados devem ser vistos com cuidado porque a aspirina também tem efeitos colaterais indesejados.
"Antes que qualquer pessoa comece a tomar aspirina regularmente é necessário consultar o médico, uma vez que se sabe que a aspirina aumenta o risco de complicações do estômago, incluindo úlceras," afirma o pesquisador.
O próximo passo da pesquisa é descobrir qual é a dose mínima de aspirina que tem efeitos positivos na prevenção do câncer.

Fonte: Diário da Saúde

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Prevenção à anemia começa no prato


Se você acha que comer feijão é garantia de evitar o problema, é bom passar a abrir espaço para carnes e frutas cítricas no cardápio

Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) chama a atenção para um problema grave: cerca 25% da população mundial é anêmica. E entre as crianças menores de 2 anos os números são ainda piores: a incidência é de quase 50%. Os dados (mais recentes) são de 2005, mas, segundo especialistas, de lá para cá, pouco mudou. A história, entretanto, poderia ser bem diferente, já que a prevenção do problema é simples e, na maioria dos casos, começa por pequenas adequações no cardápio.      

Segundo a diretora-geral do Hemorio e integrante do comitê de anemia da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), Clarisse Lobo, a melhor forma de prevenir é investir em uma alimentação saudável, cheia de alimentos ricos em ferro. Engana-se, porém, quem pensa que isso quer dizer somente comer muito feijão.
“As maiores taxas “de ferro” estão nas carnes vermelhas e vísceras, principalmente o fígado. Para se ter uma ideia, nossa capacidade de absorver ferro é 10 vezes maior nas carnes que nos vegetais. Um bife de apenas 100 gramas, por exemplo, nos fornece a mesma quantidade deste nutriente que um quilo de feijão”, diz.
É ilusão também achar que a carne precisa estar crua ou mal passada para que o ferro seja melhor absorvido, afirmam os especialistas. “Independen­temente do ponto, o índice do nutriente é o mesmo, porque não é o sangue que contém o ferro, mas a fibra da carne. Peixes têm altas taxas de ferro e mesmo o bucho, uma parte que é vendida branca, tem uma quantidade ótima deste nutriente”, comenta a coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Priscila Dabaghi.
No caso do ferro encontrado em vegetais, é necessário combinar a ingestão de feijão, lentilha, espinafre e couve com o consumo de uma fonte de vitamina C, essencial para que o organismo absorva o ferro da alimentação. “Não é necessário muito. Se a pessoa come um bom prato de arroz, feijão, salada e carne e o acompanha com um copo de suco de laranja, abacaxi, limão ou acerola, já está com as cotas garantidas.”
E vale um alerta: é preciso comer o alimento propriamente dito para conseguir os benefícios do ferro. “O caldo de feijão, por exemplo, tem nada de ferro. Todo o nutriente está no grão, então é preciso comê-lo para obter os benefícios.”

Enriquecidos

Optar por alimentos enriquecidos com ferro na hora das compras também ajuda a fugir da anemia. “O leite enriquecido com ferro, por exemplo, é uma ótima opção.”, diz Clarisse. Este tipo de leite, ao contrário do normal, passa por uma manipulação química que faz com que o ferro não interaja com o cálcio, mantendo o nível de absorção dos dois nutrientes no organismo.

70% dos casos são decorrentes de falta de ferro no sangue

A anemia tem causas variadas, mas, em 70% dos casos, está associada à falta de ferro no sangue. Esta falta pode acontecer por sangramentos (em razão de disfunções na menstruação, por exemplo), úlceras, pedras nos rins, gastrite, hemorragias, pólipos intestinais, hemorroidas não tratadas, mas principalmente por má alimentação ou problemas no organismo que impedem a absorção do mineral.
O problema também pode estar ligado a doenças genéticas que fazem com que a criança nasça com alterações nas paredes das hemácias ou no funcionamento da hemoglobina (chamadas de anemias hereditárias), como a anemia falciforme. Neste caso, modificações na dieta alimentar ou uso de suplementação não são capazes de curar o problema.
Nos últimos anos, vem chamando a atenção também o aumento no número de anêmicos entre os que se submeteram à cirurgia bariátrica. “Esses pacientes passam a ter dificuldade de absorção de vários nutrientes, entre eles o ferro e a vitamina B12, o que gera o problema”, explica a diretora-geral do Hemorio, Clarisse Lobo. “Em muitos casos, é necessário apelar para suplementação de ferro, injeções de vitamina B12 intramusculares e até transfusões de sangue.”

Cuidados

Chá e café impedem absorção
É preciso ficar atento ao consumo de chás de qualquer tipo (principalmente mate), refrigerantes a base de cola e café. É que essas bebidas impedem o organismo de absorver o ferro, dizem os especialistas. “Essas bebidas estão proibidas na hora do almoço e do jantar. A pessoa come um prato de arroz e feijão e absorve quase nada de ferro por causa do cafezinho logo depois do almoço ou do hábito de jantar ingerindo refrigerante”, afirma a coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Tuiuti do Paraná, Priscila Dabaghi. Outro vilão da absorção de ferro é o leite de vaca e seus derivados, ingeridos junto às refeições, em sucos ou sobremesas. Os pais também devem ficar de olho na alimentação das crianças desde os primeiros meses. “Uma mãe que oferece uma sopa de carne e complementa a refeição com uma mamadeira ou iogurte, anula grande parte do ferro ingerido”, diz o responsável pelo ambulatório de hemoglobinopatias do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná, Giorgio Baldanzi.

Quanto comer

Veja os valores de ferro que devem ser ingeridos conforme a sua idade:
- Crianças, adolescentes e homens adultos - 10 mg,
- Mulheres adultas - 15 mg
- Mulheres grávidas - 45 mg
Meta: Duas porções de carne e duas a três porções de vegetais, acompanhadas por um copo de suco de limão, laranja, acerola ou abacaxi, já são suficientes para se chegar à cota.

Mitos e verdades
Veja o que corresponde à realidade quando o assunto é anemia:
- Anemia é doença. Mito. A anemia não é considerada uma doença, mas um sinal de algum problema de saúde.
- Doar sangue gera anemia. Mito. Doadores de repetição podem até ter uma quantidade menor de ferro, mas é raro. Se a pessoa tem o hábito de doar a cada três meses, para os homens, e a cada quatro meses, para as mulheres, não há problema.
- Preparar alimentos em panela de ferro ajuda a evitar o problema. Verdade. Este, porém, não deve ser o único recurso da dieta. Essa panela, quando aquecida, solta uma pequena quantidade de ferro, que enriquece os alimentos preparados. É pouco, mas ajuda.
- Anemia é coisa de criança. Mito. O grupo de risco é formado por bebês prematuros, crianças entre seis meses e dois anos e mulheres grávidas, mas ninguém está livre de ter o problema.
- Tomate, beterraba e outros vegetais vermelhos são ótimas fontes de ferro. Mito. Não é porque eles são vermelhos que têm ferro. Esses alimentos possuem uma série de benefícios, mas passam longe da prevenção à anemia.

Fonte: Gazeta do povo

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Descoberta vacina para vários tipos de câncer


Um grupo de cientistas dos Estados Unidos anunciou no dia 12/12 que desenvolveu uma vacina que ataca vários tipos de tumores, o que poderá ajudar no tratamento de câncer de mama, colo, ovário e pâncreas.

A vacina mostrou-se promissora em ratos de laboratório, mas sua eficácia ainda precisa ser confirmada com testes em humanos, destacaram os pesquisadores.

"Esta vacina provoca uma resposta imunológica muito forte e ativa três componentes do sistema imunológico para reduzir o tamanho do tumor, em média em 80%", revelou um dos autores do estudo, Geert-Jan Boons, professor de química e pesquisador do Centro de Câncer da Universidade da Geórgia.

A vacina orienta o sistema imunológico a atacar os tumores que carregam uma proteína conhecida por MUC1 na superfície de suas células, revela o artigo publicado na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

A MUC1 é encontrada em mais de 70% dos tipos agressivos de câncer, incluindo na maioria dos tumores malignos de mama, pâncreas e em vários melanomas.

"Esta é a primeira vez que se desenvolve uma vacina que 'treina' o sistema imunológico a distinguir e matar células cancerígenas baseando-se em suas diferentes estruturas de açúcar em proteínas, como a MUC1", destacou outra autora da pesquisa, Sandra Gendler, professora da Clínica Mayo, no Arizona.

A proteína MUC1 também é encontrada em 90% das pacientes que apresentam um tipo de câncer de mama conhecido como tumor "triplo negativo", que não respondem a tratamentos hormonais como o Tamoxifeno, a inibidores de aromatase ou ao remédio Herceptin.

Estas pacientes precisam urgentemente de novos tratamentos para combater seu câncer e "apenas nos Estados Unidos há 35 mil casos diagnosticados a cada ano de triplo negativo", destacou Boons.

"Poderemos ter uma terapia para um grande número de pacientes que atualmente não contam com terapia farmacológica, e dependem apenas da quimioterapia".

A vacina contra a MUC1 poderá ser utilizada em combinação com quimioterapia e como medida preventiva em pacientes com alto risco de desenvolver certos tipos de câncer.

Boons, Gendlser e sua equipe estão trabalhando com a vacina em células cancerígenas humanas em laboratório e poderão começar a Fase I de testes clínicos para provar sua segurança no final de 2013.

Por France Presse

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Enxaqueca ou dor de cabeça?


Muitas pessoas se confundem com relação ao significado dessas palavras.

Dor de cabeça é uma terminologia popular e dispensa explicações; todos sabem o que significa. Um aspecto interessante é que, embora o queixo, o nariz e os olhos estejam situados na cabeça, ninguém que sinta uma dor numa dessas estruturas diz ter uma dor de cabeça. Assim, o que as pessoas em geral entendem com dor de cabeça é a dor na região do crânio.

Cefaléia é um termo técnico e significa exatamente o mesmo que dor de cabeça. Assim, não faz sentido dizer o que frequentemente se ouve: “O que tenho não é cefaléia, é somente uma dor de cabeça!”
A enxaqueca é uma forma de cefaléia, mas não a única; existem muitas outras. Para se ter uma idéia, a Sociedade Internacional de Cefaléia reconhece mais de 150 modalidades de dor de cabeça. Entre os médicos especialistas em dor de cabeça, alguns preferem chamar a enxaqueca de migrânea. A enxaqueca (ou migrânea) é uma doença herdada geneticamente, como demonstram as pesquisas que estudam famílias inteiras e pares de gêmeos. Portanto, não se deve dizer que a enxaqueca é algo “normal” ou “com que se deve acostumar”. A enxaqueca tem tratamento e os pacientes se beneficiam grandemente dele, embora, na maioria das vezes não seja possível evitar completamente as crises.

O diagnóstico da enxaqueca é clínico.

Algumas particularidades permitem distinguir clinicamente a enxaqueca de outras formas de cefaléia. A seguir, apresentaremos algumas das características da enxaqueca.

Manifestação por crises – Caracteristicamente, a enxaqueca se manifesta por crises que duram de 4 a 72 horas, se não tratada. Quando utilizados medicamentos abortivos das crises apropriados, a duração pode ser bem menor.

Tipo e intensidade da dor – A dor da enxaqueca é, mais frequentemente, unilateral, podendo haver variação de lado entre as crises, e é descrita como latejante (pulsátil), na maioria das vezes. A intensidade é moderada ou forte na maioria das crises, ou seja, interfere ou impede a realização das atividades habituais.

Sintomas acompanhantes – Além da dor, os pacientes costumam apresentar outros sintomas durante a crise de enxaqueca: intolerância à luz (fotofobia), obrigando o indivíduo a procurar locais escuros para seu conforto; intolerância a ruídos (fonofobia), de forma que o paciente se afasta dos locais ruídos; e intolerância a odores (osmofobia). Outros sintomas frequentes são náusea e vômito.

Fatores de agravamento – Alguns fatores podem agravar a dor durante uma crise de enxaqueca: abaixar a cabeça ou movimentá-la, principalmente se bruscamente; esforços físicos; esforço mental; e, muitas vezes, o decúbito.

Aura – Algumas pessoas que sofrem de enxaqueca apresentam na fase que precede a crise de dor fenômenos neurológicos transitórios a que se dá o nome de aura. As auras mais comuns são as visuais. Nesses casos, o paciente refere enxergar manchas no campo visual. Mais frequentemente, essas visões são compostas por linhas brilhantes, em ziguezague e que compõem um arco com a convexidade voltada para a parte externa do campo visual. Iniciam-se pequenas e vão se ampliando progressivamente dentro de minutos até uma hora, chegando a tomar toda a metade do campo visual. Outras auras frequentes caracterizam-se por sensação de dormência de um membro, geralmente, nas pontas dos dedos, ou na língua ou lábios. Formas menos comuns incluem incapacidade temporária para falar (afasia) ou fraqueza (paresia) de um ou mais membros de um lado do corpo.

Resumo das características da enxaqueca

Duração das crises
4 a 72 horas, se não tratadas
Tipo de dor
Pulsátil (latejante), na maioria das vezes
Intensidade da dor
Modera a forte na maioria das crises não tratadas
Fenômenos acompanhantes
Intolerância à luz (fotofobia), aos ruídos (fonofobia) e aos odores (osmofobia), náusea, vômito
Fatores de agravamento
Movimentos súbitos ou inclinação da cabeça, esforços físicos ou mentais, decúbito (em alguns pacientes)
Fatores de melhora
Sono (em alguns casos), aplicação de gelo, compressão das têmporas
Intervalo entre as crises
O paciente é normal 

Fonte: Sociedade Brasileira de Cefaleia

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Espécies de plantas não estudadas podem dar origem a centenas de novas drogas


Análise revela que há pelo menos 500 substâncias químicas clinicamente úteis aguardando por descoberta em plantas não avaliadas

Há pelo menos 500 substâncias químicas clinicamente úteis aguardando por descoberta em espécies de plantas que ainda não foram avaliadas por seu potencial para curar ou tratar doenças. É o que revela pesquisa realizada por cientista do Jardim Botânico de Nova York, nos Estados Unidos.
Atualmente, 135 drogas no mercado são derivadas diretamente das plantas e os resultados da análise indicam que três vezes mais substâncias com potencial para combater doenças, que ainda não foram encontradas, poderiam se transformar em drogas ou serem usadas como base para pesquisas.
"Claramente, a diversidade de plantas não se esgotou, e ainda há um grande potencial no mundo botânico", afirma o responsável pela pesquisa, James S. Miller.
Para chegar a essa estimativa, Miller usou uma fórmula baseada em uma proporção entre o número de medicamentos que foram desenvolvidos a partir de plantas e o número de plantas que foram selecionados para a descoberta de drogas. Ele, então, aplicou essa proporção no número de espécies de plantas que ainda não foram selecionadas.
Por causa das incertezas em alguns desses números, a fórmula fornece uma série de descobertas de medicamentos em potencial. Embora não haja um consenso geral entre os botânicos sobre o número de espécies de plantas que possam vir a existir, Miller concluiu que existem 300 a 350 mil espécies de plantas. Dessas, ele determinou que a química de apenas 2 mil espécies tem sido exaustivamente estudadas, e talvez apenas 60 mil têm sido avaliadas, ainda que parcialmente, para a produção de produtos químicos medicinalmente úteis.
Trabalhando com esses números, Miller calculou que há uma probabilidade de ter um mínimo de 540 a 653 novas drogas à espera de descoberta a partir de plantas.
"Esses cálculos indicam que há um valor significativo em continuar a pesquisar plantas para descobrir novos compostos bioativos medicinalmente úteis", conclui Miller.
Avanços tecnológicos na década de 1970 e 1980 deram aos pesquisadores e médicos a capacidade de avaliar um grande número de amostras de plantas. Isso levou o governo federal e grandes empresas farmacêuticas a instituírem programas de triagem de plantas. Esses programas levaram ao desenvolvimento de várias drogas importantes, como a Taxol derivada da Taxus brevifolia (usada no tratamento do câncer) e Camptotecina de Camptotheca acuminata (utilizado para tratar o câncer), além de outras drogas como o anti-viral Tamiflu derivado da Illicium anisatum.
O número de descobertas de drogas, entretanto, foi substancialmente menor do que o previsto. No princípio de 2000, muitas das grandes empresas farmacêuticas tinham abandonado os trabalhos.
Miller argumenta que uma possível explicação para o baixo rendimento é a forma rudimentar com que extratos da planta foram testados quanto ao potencial farmacêutico. Plantas podem conter de 500 a 800 compostos químicos diferentes, mas os programas de rastreio do final do século 20 usado extratos feitos de uma planta inteira ou melhores extratos que continham centenas de compostos.
Nessas circunstâncias, um composto pode interferir com a ação de outro, ou a quantidade de um composto pode ser pequena demais para ser registrada em uma mistura de centenas de produtos químicos.
Para corrigir este problema, as novas tecnologias permitem agora que os pesquisadores separem misturas complexas de produtos naturais em uma "biblioteca" de compostos relativamente pura que pode ser testada individualmente. Um estudo de 2002 demonstrou que o teste de tais bibliotecas melhora drasticamente a taxa de descoberta.
A análise de Miller ressalta o fato de que o mundo vegetal representa uma fonte pouco explorada de drogas que podem potencialmente salvar vidas. O pesquisador acrescenta ainda urgência nos esforços para conservar os habitats naturais, para que as espécies não sejam levadas à extinção antes que elas possam ser estudadas.

Fonte: Isaude.net

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Pesquisas realizadas apontam os efeitos dos poluentes no sistema nervoso


Uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo revela que os efeitos maléficos da poluição vão muito além do sistema respiratório. Os poluentes também atingem o sistema nervoso. A experiência conduzida pela bióloga Paula Bertacini submeteu embriões de galinha ao efeito dos poluentes e concluiu, logo na primeira fase do experimento, que as partículas provocam uma redução no número de neurônios e geram falha de desenvolvimento.     

A pesquisa partiu da coleta de amostras de poluentes no Bairro da Consolação, Centro de São Paulo, onde está localizada a Faculdade de Medicina. Muito movimentado e eternamente congestionado, o lugar foi escolhido pela poluição veicular, com grande participação de veículos pesados a diesel, automóveis e motocicletas — um local que poderia ser em qualquer outro grande centro, ressalta a pesquisadora.         

O estudo, parte do doutorado de Paula Bertacini, começou em 2007. A cientista explica que, como não foram observadas alterações externas nos animais em ambientes controlados, a pesquisa passou a buscar mudanças internas, em tecidos. A iniciativa faz parte do programa do Laboratório de Poluição Atmosférica Ambiental (LPAE) da faculdade e conta com a coordenação de Paulo Saldiva, que também é coordenador do Instituto Nacional de Análise Integrada do Risco Ambiental. O grupo de pesquisa do laboratório já estudou os efeitos nocivos dos poluentes sobre os sistemas respiratório, cardiovascular, endócrino e reprodutor.    

A escolha de embriões de galinha se deu pela familiaridade do organismo. “O desenvolvimento embrionário é bem estudado e conhecido”, explica Paula, ressaltando ainda a facilidade de manipulação dos ovos, um microambiente controlado e fechado. “Nos baseamos no cerebelo dos animais, que tem uma estrutura de tecidos e células muito bem organizada e igualmente conhecida”, ressalta. Além dessas vantagens, a utilização de ovos reúne outras facilidades, entre elas a disponibilidade de incubação de várias unidades em um espaço pequeno.

O material particulado foi recolhido no trecho próximo ao cruzamento da Avenida Doutor Arnaldo com a Rua Teodoro Sampaio, local de intenso movimento da capital paulista. O material é constituído de fuligem, poeira e outros componentes que ficam suspensos na atmosfera, justamente alguns dos principais produtos dos motores de combustão interna. Depois da coleta, tudo foi colocado em solução líquida e injetado nos ovos. Depois da eclosão, o tecido cerebral do animal foi examinado em busca de qualquer alteração estrutural significativa.      

Os exames detectaram que houve uma redução no número de neurônios (chamados de células de Purkinje) do cerebelo na evolução embrionária. Esse grupo de neurônios costuma ser afetado por intoxicações provocadas por substâncias como álcool, além de distúrbios degenerativos. Ainda é cedo, contudo, para determinar se o mesmo ocorre com seres humanos. A segunda etapa envolverá teste com mamíferos, que já está em andamento, segundo Paula, o que permitirá maior aproximação com humanos.    

Resistência

A pesquisadora reforça que, como a pesquisa ainda é um estudo de fase 1, há necessidade de realizar muitos testes adicionais para padronizar as doses a serem avaliadas. Também foram definidos os métodos de análise morfológica das células do cerebelo.   
Além da redução de neurônios, os experimentos apontaram para a existência de um mecanismo de defesa contra o dano oxidativo —um conhecido agente de dano e morte celular. O estudo pode ajudar a descobrir como o organismo luta contra os efeitos nocivos do ambiente.

Por Julio Cabral

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Saiba quais conflitos surgem com a meia-idade e como lidar com eles


 A meia-idade  – faixa etária compreendida entre os 40 e 60 anos – é uma fase do desenvolvimento humano bastante peculiar. Devido a algumas de suas características de ser um estágio de transição, pode ser comparada com a adolescência. A adolescência é um período de transição entre a infância e a idade adulta, enquanto que a meia-idade é uma fase de transição entre a idade adulta e a velhice, período de mudanças e adaptações frente a uma nova realidade.
Ao contrário do que se pode pensar, nem a adolescência e nem a meia-idade são, necessariamente, períodos de crises. Realmente existem pessoas que apresentam dificuldades de adaptação frente às mudanças biopsicossociais que ocorrem nesses períodos, porém, nem todas as pessoas passarão por esses problemas.
Nossa sociedade vem passando por uma série de transformações, as quais implicam, inclusive, nos eventos considerados comuns à meia-idade. Por exemplo, sabe-se que as pessoas estão vivendo mais, estão investindo mais em sua formação profissional, o que acaba adiando a época de se casar e de ter filhos.
Uma questão da meia-idade diz respeito às alterações biológicas do organismo. Pequenos déficits na acuidade sensorial (como, por exemplo, a "vista cansada"), os primeiros cabelos brancos, as rugas, uma diminuição do tônus muscular podem fazer com que a pessoa na meia-idade apresente problemas de autoaceitação que, consequentemente, influirão negativamente em sua autoestima. Nesse sentido, a menopausa é um acontecimento que pode ser encarado de diferentes formas pelas mulheres que passam por esse período. Algumas encaram como um acontecimento normal pelo qual irão passar, outras ainda carregam consigo o estigma de que o fim da vida reprodutiva implica na inutilidade da mulher e elas podem apresentar, com isso, problemas relativos à autoestima, consequências negativas na relação do casal, sentimentos de inutilidade, dentre outros sentimentos negativos.
Antigamente dizia-se que a pessoa na meia-idade tinha que lidar com filhos adolescentes, porém atualmente observa-se uma mudança. Como já foi introduzido anteriormente, há pessoas que têm filhos adolescentes, enquanto que outras são pais de filhos pequenos ou mesmo já são avós. Algumas entram na meia-idade ainda indecisas se desejam ou não ter filhos. Filhos de diferentes faixas etárias ou a existência de netos podem mudar a rotina dos indivíduos. Por exemplo, pais (na meia-idade) de filhos adolescentes podem ter uma relação mais difícil quando os conflitos da meia-idade batem de frente com os conflitos da adolescência de seus filhos.
Além de conviver com filhos adolescentes, outras pessoas na meia-idade estreiam no papel de pais, desdobrando-se perante as atribuições de quem tem filhos pequenos: noites mal dormidas, reuniões escolares, decidir quem tomará conta das crianças em seu horário de trabalho, novas rotinas em função do cotidiano da criança. Outros dividem, além dessas tarefas, o papel de avós, incluindo nas suas atividades diárias auxiliar os filhos no cuidado dos netos. Sem dúvida ter filhos e netos é extremamente prazeroso, mas algumas funções relacionadas ao cuidado de crianças modificam bastante toda a dinâmica familiar, o que pode se tornar algo estressante, principalmente para uma pessoa que pode estar passando por conflitos internos ou externos relacionados a questões concernentes à sua faixa etária.
Como já foi citado anteriormente, observa-se um ingresso mais tardio no mercado de trabalho, se compararmos as gerações atuais às anteriores, visto que muitas pessoas desejam investir mais em sua formação acadêmica. Esse fato, associado à reforma da Previdência, contribui para que a aposentadoria – fenômeno que anteriormente acontecia na meia-idade – seja adiada para a terceira idade – o que pode ser encarado de maneira positiva ou negativa, dependendo das experiências do indivíduo em relação à vida pós-aposentadoria.
Paralelo a esses acontecimentos, nessa faixa etária costuma acontecer algo muito difícil: lidar com a doença dos pais ou enfrentar a morte dos mesmos. É comum o relato de pessoas sobrecarregadas por se tornarem cuidadoras dos pais idosos e doentes, além de também exercerem seus papéis de pais, avós, profissionais e cônjuges. Em algumas situações, o processo é tão sofrido e conflituoso que a pessoa em idade madura se vê obrigada a abrir mão de um desses papeis (por exemplo, de cônjuge ou profissional) para se dedicar em tempo integral ao genitor que necessita de cuidados. Cuidar dos pais idosos é tarefa estressante, porém necessária, mas, caso o cuidador não tenha certos cuidados e deixe em segundo plano sua vida pessoal, pode ter sua qualidade de vida negativamente influenciada.
Observa-se que a meia-idade é uma fase do desenvolvimento que costuma ser negligenciada, mas, assim como os outros estágios, possui suas peculiaridades e merece ser mais bem estudada, já que alguns eventos normativos dessa fase podem trazer importantes implicações psicossociais no indivíduo da meia-idade e em seu grupo familiar.

Por Luciene Corrêa Miranda