quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Tratamento inédito com células-tronco será testado no Brasil


Distrofia muscular

Pesquisadores brasileiros devem testar em seres humanos um tratamento inédito com células-tronco.
Portadores de distrofia muscular de Duchenne vão receber, pela primeira vez no país, células-tronco retiradas de outra pessoa. Até hoje, o Brasil só tratava com células-tronco do próprio paciente.
Segundo a pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Mayana Zatz, os primeiros testes com pacientes devem ocorrer no final de 2012.
Os voluntários para a pesquisa serão jovens com a doença que atinge crianças do sexo masculino e causa a degeneração dos músculos. "Alguns meninos perdem a capacidade de andar muito cedo", disse.

Doação de células-tronco

Mayana Zatz afirmou que o Brasil tem centros de pesquisa desenvolvendo estudos de ponta sobre células-tronco. No caso do tratamento dos pacientes com distrofia de muscular de Duchenne, serão usadas células-tronco extraídas da gordura.
Ela explicou que células-tronco de doadores saudáveis serão tratadas e implantadas nos músculos dos pacientes doentes. As células, por suas características biológicas, se transformarão em tecido muscular e regenerar músculos comprometidos pela doença. "As células retiradas em uma lipoaspiração poderão gerar músculo", declarou.
A pesquisadora declarou que esse procedimento já foi testado em ratos e cães. Segundo ela, os animais foram observados por até três anos e não apresentaram nenhum efeito colateral. "Até agora, tivemos resultados muito interessantes", disse. "Nada de tumores", completou.

Risco de tumores

A possibilidade do desenvolvimento de tumores em pacientes que passam por tratamento com células-tronco é justamente a maior preocupação dos pesquisadores.
Na Alemanha, uma criança que passou por esse tipo de tratamento teve esse efeito colateral.
Por causa do risco, Mayana Zatz disse que é preciso ter muita cautela antes de qualquer teste em humanos. Ela acredita, porém, que a técnica desenvolvida no Brasil está pronta para entrar nessa fase.
Para que isso aconteça, o projeto de pesquisa sobre o tratamento para distrofia muscular terá de passar pela avaliação de um comitê de ética de pesquisadores.
Para a pesquisadora, a aprovação pode demorar um tempo, porém dará mais segurança para o prosseguimento da pesquisa.

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Consumo de peixe diminui risco de diabetes



O consumo de peixe, que faz parte da dieta mediterrânica, pode reduzir o risco de desenvolvimento de diabetes, conta um estudo realizado por investigadores da Universidade de Valência.           
 
O estudo, publicado na “Nutrición Hospitalaria” tinha por objetivo perceber os padrões dietéticos em termos de consumo de peixe e carne e também a relação entre a dieta mediterrânea e a sua associação com os fatores de risco cardiovascular.  A líder do estudo, Mercedes Sotos Prieto, revelou em comunicado enviado à imprensa que “nos países mediterrânicos, o consumo de alimentos que normalmente fazem parte desta dieta têm diminuído nas últimas décadas. O consumo de gorduras saturadas principalmente de carnes vermelhas aumentou e isso é realmente preocupante."
 
Para este estudo, os investigadores contaram com a participação de 945 indivíduos, 340 homens e 605 mulheres, que tinham entre 55 e 80 anos e apresentavam um elevado risco cardiovascular.
 
O estudo demonstrou que a população mediterrânica estudada ingeria grandes quantidades de peixe e carne. Contudo, o consumo de peixe estava associado com uma menor prevalência de diabetes e concentrações mais baixas de glicose. Por outro lado, o consumo de carne vermelha, especialmente carne curada, estava relacionado com aumento de peso e obesidade.    
 
Os investigadores chamam à atenção para o fato do consumo de carne ocorrer, em média, uma vez por dia, o que é elevado em comparação com as recomendações dietéticas.
 
O consumo de carne vermelha em excesso está associado a um maior risco cardiovascular, elevada pressão arterial, diabetes e uma diminuição moderada da esperança de vida, principalmente devido ao cancro e à doença cardiovascular. Por outro lado, o peixe apresenta benefícios para a saúde do coração.
 
Apesar de ainda não se saber explicar porque é que o consumo de peixe pode proteger contra o desenvolvimento da diabetes, os autores do estudo confirmam que existem outros estudos similares, onde o consumo de peixe, tanto o branco como o mais rico em gordura, está associado com um menor desenvolvimento de diabetes tipo 2.     
 
Os investigadores revelam que “várias hipóteses têm sido propostas para tentar explicar como o consumo de peixe pode estar relacionado com a diabetes”. Uma das hipóteses está relacionada com “o aumento de ómega -3 nas células dos músculos esqueléticos, a qual melhora a sensibilidade à insulina.”
 
Por: ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Nanotecnologia preocupa consumidores


Riscos da nanotecnologia

Um grupo de consumidores se uniu à Universidade de Lausanne, na Suíça, para lançar uma campanha de sensibilização sobre a nanotecnologia  - o seu potencial, mas também os possíveis riscos à saúde e ao meio ambiente.
O que os protetores solares têm em comum com os tira-manchas de tecidos e uma geladeira que elimina os odores?
Todos são fabricados com nanotecnologia, com substâncias invisíveis ao olho humano e que têm um potencial incrível, mas também representam riscos desconhecidos.
Nanopartículas já são encontradas em mais de mil produtos e inúmeras empresas utilizam a nova tecnologia, seja na área de pesquisa ou na produção.

Promessas e ameaças

No entanto, o uso generalizado das nanopartículas é em grande parte desconhecido pelo público e ainda não há estudos exaustivo sobre os riscos possíveis para a saúde ou para o meio ambiente.
"Nos últimos 20 anos a nanotecnologia tem sido apresentada como revolucionária a partir de um ponto de vista científico - no sentido de que ela modifica os processos de produção e permite avanços nas áreas de eletrônica, medicina, energia renovável e agricultura", explica Marc Audétat, pesquisador da Universidade de Lausanne.
As esperanças dos pesquisadores são muitas: fala-se de um gel que irá promover o crescimento de dentes, ou mesmo o abrandamento dos efeitos do envelhecimento.
Se essas possibilidades continuam ainda sendo coisa de ficção científica, as dúvidas em torno da nova tecnologia são reais. É por isso que a federação dos consumidores da Suíça, em conjunto com o departamento de ciências da universidade, lançou uma campanha para sensibilizar o público e estimular o debate sobre os prós e contras da nanotecnologia.

Nanopartículas naturais e artificiais

As nanopartículas estão presentes na natureza ou são fabricadas, e consistem de alguns milhões de átomos. É a quantidade desses átomos que determina suas propriedades.
"Algumas matérias mudam quando são reduzidas a dimensões infinitamente pequenas. Esse é o caso do dióxido de titânio, que em seu estado natural é usado como pigmento em tintas na forma de um pó branco, mas se reduzido a uma nanopartícula torna-se transparente e se transforma em um filtro ultra-violeta", explica Huma Khamis, bióloga e especialista em nanotecnologia do grupo de consumidores.
Suas propriedades podem ser surpreendentes, mas também extremamente difíceis de definir, pois basta alterar apenas um átomo para provocar modificações radicais.
Além disso, as nanopartículas têm uma superfície de contato particularmente grande em relação à sua massa e, portanto, muito sensível ao ambiente externo e altamente imprevisível.
O que causa preocupação é o contato humano com essas substâncias. "Não podemos descartar que essas partículas entrem em contato com o organismo através dos alimentos ou por inalação, com consequências para a saúde", adverte a especialista.

Consumidores como cobaias

De acordo com um estudo do Fundo Nacional de Pesquisa, no caso específico da Suíça, investe-se muito mais para descobrir quais as possíveis aplicações da nanotecnologia do que para saber quais os riscos que ela comporta.
Algumas experiências em animais demonstraram que há efeitos negativos no trato respiratório. Ou, no caso do dióxido de titânio (usado em protetores e cremes), o desenvolvimento de câncer em ratos de laboratório.
No momento, entretanto, a pesquisa toxicológica está em fase embrionária e por isso é difícil introduzir normas para aplicações comerciais - seja na Suíça ou em qualquer parte do mundo.
"Isso não significa que os consumidores devem ser usados como cobaias", afirma Khamis. "Cabe à indústria provar que as substâncias colocadas no mercado são realmente inofensivas, especialmente os cosméticos ou qualquer produto que entre em contato com a pele. Não é só o público que tem o direito de saber quais os itens que contêm nanopartículas. É uma questão de transparência e de livre escolha."

Nanotecnologia e amianto

O uso de nanopartículas também levantou algumas preocupações quanto ao impacto sobre os trabalhadores.
amianto - que continua matando 100 mil pessoas por ano, no mundo - muitas vezes é dado como exemplo, embora a comparação possa parecer exagerada à primeira vista.
Suspeita-se principalmente dos nanotubos de carbono. No ano passado, foram produzidas 700 toneladas da substância. Moléculas cilíndricas, os nanotubos apresentam uma condutividade térmica extraordinária e propriedades mecânicas e elétricas que os tornam valiosos para uma gama diversificada de matérias estruturais.
Mas se essas qualidades são mais do que promissoras para a indústria, os efeitos na saúde parecem muito semelhantes às do amianto.
"A história nos ensinou o quanto é importante conduzir a pesquisa preliminar para determinar os possíveis efeitos das novas tecnologias para evitar o que aconteceu com o amianto", diz Audétat.

Falta pesquisa

Audétat diz que o risco de se esconder algo hoje é menor do que quando os casos de amianto começaram a surgir. O pesquisador está mais preocupado com o fato de se dar mais atenção ao progresso científico do que à promoção de um debate transparente.
Há alguns anos, uma seguradora de saúde da Suíça publicou recomendações para as empresas que utilizam a nanotecnologia. Nenhuma lei sobre o assunto foi aprovada, mas o governo emitiu um plano de ação em 2008 para materiais nano sintéticos dirigidos à indústria e às empresas de varejo para facilitar a identificação de possíveis riscos.
"Esses tipos de iniciativas são importantes, mas não abrangem tudo. É necessário investir na pesquisa sobre os impactos das nanopartículas sobre a saúde de forma que regulamentos possam ser desenvolvidos para aplicações na indústria, agricultura e alimentação", conclui Khamis.
"Apesar dos esforços, a comunidade científica ainda não chegou a um consenso sobre a definição de uma nanopartícula ou as precauções ao modificá-la."

Por Stefania Summermatter, da Swissinfo – Diário da Saúde

Lobotomia (Leucotomia): De cura milagrosa a mutilação mental


Faz 75 anos que a primeira lobotomia foi feita nos Estados Unidos

Hoje tida como uma prática bárbara, a técnica, cujo nome mais apropriado é leucotomia, chegou a ser considerada uma cura milagrosa para doenças mentais como esquizofrenia e depressão.    

O procedimento envolvia a inserção de um instrumento cortante no cérebro por meio de duas perfurações no crânio, uma de cada lado da cabeça. O médico então movia o instrumento de um lado para o outro, cortando as conexões entre os lobos frontais e o resto do cérebro.           

Os "instrumentos cirúrgicos" usados pelo médico para o procedimento, duas estruturas afiadas de metal com 8cm de comprimento conectadas a um cabo de madeira, são hoje objetos de curiosidade à disposição de visitantes nos arquivos da Wellcome Collection - centro cultural londrino dedicado à história e desenvolvimento da medicina no mundo. 

"Essas coisas grotescas são instrumentos de lobotomia. Nada sofisticadas", diz um das responsáveis pelo arquivo, Lesley Hall. 

Cura Milagrosa      

Durante milênios, diversas culturas haviam adotado a prática de fazer furos no crânio para libertar o indivíduo de espíritos malévolos.           

Mas a ideia por trás da lobotomia era diferente. O neurologista português Egas Moniz acreditava que pacientes com comportamentos obsessivos tinham circuitos defeituosos no cérebro. 

Em 1935, trabalhando em um hospital em Lisboa, ele achou que tinha encontrado a solução para o problema. "Decidi cortar as fibras que conectavam os neurônios em atividade", escreveu o médico em uma monografia detalhando o procedimento. 

A técnica de Moniz foi adaptada por outros médicos, mas a ideia básica foi mantida.

Moniz relatou ter observado melhorias dramáticas nos vinte primeiros pacientes tratados. O procedimento foi adotado com entusiasmo pelo neurologista americano Walter Freeman, que passou a ser um dos grandes defensores da prática.

Freeman realizou a primeira lobotomia nos Estados Unidos em 1936. A partir daí, a prática se alastrou por todo o globo.     

A partir do início da década de 1940, a técnica passou a ser vista como uma cura milagrosa também na Grã-Bretanha, onde o número de lobotomias realizadas foi proporcionalmente maior do que nos Estados Unidos.     

"Achávamos que seria uma saída, tínhamos esperança de que (a cirurgia) ajudaria (o paciente)."  

Apesar da oposição de alguns profissionais, especialmente psicanalistas, a cirurgia tornou-se prática comum na psiquiatria britânica, com cerca de mil procedimentos sendo realizados anualmente para tratar transtornos compulsivos, esquizofrenia e depressão.

A razão para a popularidade da técnica era simples: a alternativa era pior.         

Encarceramento e Violência     

O psiquiatra aposentado Jason Brice relata sua experiência ao visitar hospitais psiquiátricos no período."Você via camisas de força, celas acolchoadas e era óbvio que alguns dos pacientes estavam sujeitos, sinto dizer, à violência física". 

A chance de uma cura pela lobotomia parecia preferível quando a opção era uma sentença de encarceramento perpétuo em uma instituição.           

"Achávamos que seria uma saída, tínhamos esperança de que (a cirurgia) ajudaria (o paciente)", diz Brice. 

Centros que realizavam lobotomias se alastraram por toda a Grã-Bretanha, mas o mais prolífico lobotomista do país e, possivelmente, do mundo, foi o neurocirurgião Wylie McKissock, que trabalhava no hospital Atkinson Morley, em Wimbledon, no sul de Londres.  

"Ele foi uma das grandes figuras da medicina
 no século 20", disse Terry Gould, anestesista de McKissock.  

Gould calcula que o neurocirurgião tenha realizado cerca de 3 mil lobotomias, aperfeiçoando sua técnica para fazer a cirurgia em cada vez menos tempo. "Era um procedimento de cinco minutos, feito muito rapidamente", disse.          

Além de operar no Atkinson Morley, McKissock também viajava pelo sul da Inglaterra nos fins de semana, operando pacientes em hospitais pequenos.

"Ele estava disposto a viajar para onde quer que ficasse o hospital em uma manhã de sábado para fazer três ou quatro leucotomias", diz Brice.  

Desastre Irreversível       

A dona de casa Eileen Davie desenvolveu depressão após o nascimento do seu segundo filho, em 1948. Tratamentos convencionais do período não foram capazes de ajudá-la e seu médico recomendou uma leucotomia.     

Entrevistado para um documentário em 1976, o marido de Eileen, Sid, que assinou os formulários autorizando o procedimento, disse: "Tive a impressão de que (a operação) não era mais séria do que extrair um dente".   

Mas a realidade se revelou muito diferente. "Ela foi danificada irreversivelmente", disse o marido.  

Eileen tornou-se apática e sem vida. Anos mais tarde, os médicos disseram que a primeira cirurgia havia fracassado e a paciente concordou em se submeter a uma segunda intervenção "psicocirúrgica". 

"Eu continuava achando que eram figuras eminentes e se (estes) estavam confiantes de que (a operação) seria um sucesso, seria um sucesso", disse Sid. "Foi um desastre". 
Em vez de curada, Eileen tornou-se mais apática e passou a sofrer de problemas graves de incontinência.         

Casos de Sucesso          

Jason Brice conta que a cirurgia podia, em alguns casos, trazer benefícios dramáticos para alguns pacientes. Ele cita o caso de uma mulher que tinha medo de fogo.          
"O curioso é que ela acabou muito melhor após a operação e comprou uma loja de fish & chips (tradicional prato britânico que consiste de peixe e batatas fritos em óleo extremamente quente)."  

Entretanto, Brice tinha cada vez mais dúvidas sobre a lobotomia, especialmente em pacientes com esquizofrenia.
         

O psiquiatra John Pippard fez o monitoramento pós-cirúrgico de vários dos pacientes de McKissock. Ele concluiu que cerca de um terço se beneficiou, um terço não foi afetado e um terço piorou após a intervenção.

E embora ele próprio tivesse autorizado lobotomias, passou a desaprovar a prática.

"Não acho que nenhum de nós estava contente com a ideia de colocar uma agulha em um cérebro e mexer", diz.   

 Em 1949, Moniz ganhou o Prêmio Nobel pela invenção da lobotomia. A cirurgia alcançou o pico de sua popularidade nesse período.        

A partir de meados da década de 1950, no entanto, a técnica caiu rapidamente em desuso. Isso foi consequência, em parte, do grande número de operações fracassadas. Mas também foi resultado da introdução no mercado da primeira leva de drogas psiquiátricas efetivas.           

Legado

Décadas mais tarde, trabalhando como enfermeiro psiquiátrico em uma instituição para pacientes com problemas mentais, o inglês Henry Marsh viu vários casos de pacientes que haviam sofrido lobotomias.            

"Eles tinham sido lobotomizados 30 ou 40 anos antes, eram esquizofrênicos crônicos e com frequência eram os pacientes mais apáticos, lentos e acabados".

 Marsh, hoje um eminente neurocirurgião, diz que a lobotomia foi resultado de ciência mal feita. "Ela foi um reflexo de medicina
 e ciência ruins, porque está claro que os pacientes submetidos ao procedimento nunca foram monitorados apropriadamente".

 "Se você via o paciente após a operação e ele parecia bem, andava, falava e dizia 'obrigado, doutor'", comenta Marsh, "o fato de que eles estavam completamente arruinados enquanto seres humanos provavelmente não era levado em consideração".     


Por: Portal Educação
Fonte: BBC News 

domingo, 27 de novembro de 2011

Medicina discute riscos na saúde de antioxidantes e vitaminas


Estudos recentes colocaram em dúvida a eficácia das substâncias e setor tenta entender o que acontece


Estudos recentes que questionam o consumo de suplementos vitamínicos e assinalam os riscos dos antioxidantes para a saúde deixam pesquisadores intrigados nos Estados Unidos.
"Todos estão um pouco perdidos, porque logicamente tanto as vitaminas quanto os antioxidantes deveriam atuar contra as doenças, mas os dados clínicos não mostram diferença alguma", disse o médico Toren Finkel, diretor do Centro de Medicina Molecular dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos.
"Isto significa que temos que revisar nossas hipóteses sobre os mecanismos destas doenças e o papel dos antioxidantes", afirmou em uma entrevista à AFP.
"Sempre se acreditou que os oxidantes eram ruins para o corpo, mas nos últimos dez anos começamos a nos dar conta de que isto não é necessariamente certo", disse o pesquisador.
Os estudos mostraram que as células que usam os oxidantes para indicar inflamação não prejudicam o corpo e cumprem um papel útil, explicou.
"Portanto, devemos voltar ao laboratório para pesquisar com células ou animais para compreender melhor o papel dos oxidantes e das vitaminas", ressaltou Finkel.
"Durante muitos anos utilizamos estas vitaminas sem saber seus efeitos", reconheceu. "Temos muitos dados que mostram que ter deficiência de certas vitaminas é prejudicial, mas isso não quer dizer que absorver demais é melhor", afirmou.
Um estudo publicado no dia 11 de outubro nos Estados Unidos indicou um aumento de 17% no risco de câncer de próstata nos homens que tomaram altas doses de vitamina E.
Outra pesquisa realizada em mulheres, publicada em 10 de outubro, revela que não é necessário tomar multivitamínicos e mostra, inclusive, que eles aumentam levemente o risco de mortalidade.
Já em 2007, os pesquisadores estabeleceram um vínculo entre um maior risco de diabetes em adultos e o consumo de suplementos de selênio.
O problema "é que o público acredita que (tomar vitaminas e antioxidantes) é melhor e não representa riscos", disse David Schardt, nutricionista no Centro para a Ciência para o Interesse Público, uma organização sem fins lucrativos.
"Mas agora descobrimos que algumas vitaminas tomadas em grandes quantidades podem ter efeitos adversos inesperados que não entendemos", disse à AFP.
"Também há um grande número de pessoas que têm fé, quase como uma religião, em suas vitaminas", uma atitude incentivada por uma indústria que representa 20 milhões de dólares ao ano nos Estados Unidos, onde a metade da população utiliza estes suplementos, explicou este nutricionista.
Além disso, nos Estados Unidos os fabricantes de vitaminas podem atribuir aos seus produtos todas as virtudes, embora não afirmem que servem para tratar doenças.
Patsy Brannon, professora de nutrição da Universidade de Cornell (Nova York, nordeste), conta que cada vez mais as pessoas que tomam suplementos vitamínicos são as que comem bem e optam por alimentos com vitaminas. Por isso, podem chegar rapidamente a doses altas e potencialmente perigosas.
Estes suplementos continuam sendo necessários para alguns grupos da população, como as mulheres grávidas e os idosos que sofrem de deficiências crônicas destas substâncias.
No entanto, para a população em geral, uma dieta saudável, que inclua frutas e verduras ricas em fibras e proteínas de origem animal, já fornece as vitaminas e outros micronutrientes necessários, disse à AFP.
Um estudo publicado no fim de agosto na revista Journal of Nutrition mostra que muitos americanos comem mal e não tomam suplementos vitamínicos.
Além disso, 25% deles tinham déficit de vitamina C, 34% de vitamina A e 60% de vitamina E, encontradas principalmente em frutas e verduras.
Fonte: Exame.com

Descoberta representa novo paradigma na fabricação de medicamentos


 Novo paradigma

Pesquisadores norte-americanos afirmam ter descoberto uma nova técnica que pode mudar para sempre a forma como os medicamentos são produzidos.
"Esta pesquisa representa um paradigma inteiramente novo na fabricação de medicamentos," afirma o Dr. Robert Linhardt, um dos autores de um estudo que ganhou destaque na última edição da revista Science.
O grupo descobriu uma nova técnica para fabricação da droga heparina, mas que poderá ser aplicado, segundo eles, à maioria dos outros medicamentos.

Síntese quimioenzimática

O novo processo é chamado de síntese quimioenzimática.
A pesquisa mostrou que a nova heparina de peso molecular ultra-baixo apresenta o mesmo desempenho que o anticoagulante fondaparinux, mas é mais pura, mais rápida de fabricar e, portanto, muito mais barata.
O novo processo usa compostos químicos e enzimas para reduzir o número de etapas necessárias à produção da droga de aproximadamente 50 passos para cerca de 12.
Além disso, ele aumenta o rendimento do processo em até 500 vezes em comparação com o processo tradicional de fabricação do fondaparinux.
Segundo Linhardt, é de se esperar que o custo do medicamento caia nessa mesma proporção do aumento da eficiência do processo.

Heparinas

O fondaparinux é um anticoagulante sintético recentemente desenvolvido, usado para tratar trombose.
Ele é parte de uma família maior, chamada de heparinas, mas tem a vantagem de ser o primeiro do tipo a não ser sintetizado de produtos animais.
"Quando usamos os animais, nós ficamos sujeitos à transmissão de vírus e príons, como o mal da vaca louca," diz Linhardt. Mas a produção do material sintético é muito demorado e caro.
O novo processo usa enzimas e açúcares idênticos aos encontrados no corpo humano para fabricar as moléculas do medicamento passo a passo.
Os pesquisadores já começaram a testar a nova droga em animais, com sucesso, e acreditam que a nova droga mais barata logo poderá chegar ao mercado.
A seguir, eles pretendem aplicar a síntese quimioenzimática à fabricação de outras drogas.

Por Diário da Saúde

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ervas e chás naturais trazem danos ao fígado

Produtos alternativos podem causar hepatite crônica e cirrose hepática
Ervas naturais usadas para tratar constipação intestinal, gastrite, hemorroida, e diminuir a retenção de líquidos, entre outros sintomas, podem trazer complicações sérias ao fígado de quem as utiliza, como hepatite crônica e cirrose hepática. Embora não exista uma pesquisa sobre o tema, segundo Raymundo Paraná, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, houve um aumento no número de casos de pacientes que procuram centros de hepatologia por causa da intoxicação do fígado, causado tanto por medicamentos alopatas como também por ervas e chás. 
Ele chama a atenção para um levantamento realizado por hepatologistas que mostrou que há no país mais de 170 práticas alternativas sem comprovação científica – as conclusões dos médicos foram encaminhadas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária e ao Ministério da Saúde. "Levantamos a literatura médica para ver o que havia de evidência científica. E o fato é que falta embasamento", diz Paraná. Em geral, esses medicamentos carecem de estudos científicos fase I, II e III, quando são testados em seres humanos — mostrando apenas resultados positivos em testes com animais.
As plantas são uma das mais antigas formas de prática medicinal da humanidade, presentes na cultura africana e na cultura indígena. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimula países a estabelecerem políticas para medicamentos fitoterápicos e plantas medicinais, com o objetivo de que eles utilizem recursos naturais disponíveis em seus próprios territórios com finalidade de tratamento, cura e prevenção.
Vendidas como uma alternativa natural e menos tóxica que os tratamentos convencionais, as ervas passam a falsa impressão de que são todas inofensivas à saúde. "Em geral, a parte da população acha que a medicação alternativa não faz mal nenhum. O fato é que algumas plantas podem causar uma doença hepática grave e, se associadas a algum tipo de medicamento, podem diminuir a ação de outras drogas", explica Aécio Meirelles, hepatologista da Universidade Federal de Juiz de Fora e pesquisador da área de doenças hepáticas induzidas por medicamentos.
Entre as ervas que podem trazer consequências, os especialistas citaram: sacaca (Croton cajucara benth), kava-kava (Piper methysticum) e erva-de-São-João(Hypericum perforatum). Meirelles explica que o problema das plantas é que não se sabe exatamente de onde vem a parte que causa problema — pode vir da folha, do caule da raiz ou até do próprio preparo. Em alguns casos, as pessoas misturam mais de uma erva em um só chá, fazendo com que fique ainda mais difícil descobrir a origem do problema.

O que dizem as pesquisas


Estudos recentes mostram os riscos
• O uso de ervas medicinais pode enfraquecer ou até potencializar o efeito do medicamento quimioterápico, podendo trazer consequências letais em alguns casos.
• Uma em cada dez crianças americanas recebe ervas — não autorizadas pela agência reguladora americana FDA — em seu primeiro ano de vida para combater a cólica e ajudar na digestão.
• Plantas populares como a erva de São João não são boas combinações para pacientes que tomam medicamentos para o coração. Elas podem ser perigosas para quem toma remédios para hipertensão, estatina, e remédios que afinam o sangue.


5 chás que podem prejudicar o seu fígado

Espinheira-santa

Nome da erva: Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia)         
Indicação de uso: Indica-se uma xícara de chá de três a quatro vezes por dia para tratar sintomas como azia e gastrite.         
Outros efeitos adversos: O uso pode provocar secura e gosto estranho na boca e náuseas.

Sene

Nome da erva: Sene (Cassia angustifolia)     
Indicação de uso: Indica-se uma xícara de chá antes de dormir para pessoas com constipação intestinal.     
Outros efeitos adversos:  O uso contínuo, por mais de uma semana, pode causar diarreia.

Cáscara-sagrada

Nome da erva: Cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana)     
Indicação de uso: Indica-se entre meia e uma xícara de chá antes de dormir para pessoas com constipação intestinal.      
Outros efeitos adversos: O uso contínuo, por mais de uma semana, pode causar diarreia e dependência.

Cavalinha

Nome da erva: Cavalinha (Equisetum arvense)       
Indicação de uso: Indica-se entre uma xícara de chá de uma a quatro vezes por dia para combater inchaço por retenção de líquidos.          
Outros efeitos adversos: O uso por período prolongado pode provocar dor de cabeça e anorexia. Altas doses podem provocar irritação gástrica e no sistema urinário.

Unha de gato

Nome da erva: Unha de gato (Uncaria tomentosa)   
Indicação de uso: Indica-se entre uma xícara de chá de duas a três vezes por dia para dores articulares e musculares.         
Outros efeitos adversos: O uso pode provocar cansaço, febre, diarreia e constipação. Altas doses podem causar problemas no pâncreas e alterações do nervo ótico.


Paraná acredita que o Conselho Federal de Medicina deveria ser mais ativo em relação a práticas não comprovadas. Em alguns locais, chás e ervas são vendidos clandestinamente em bancas comercializadas em saquinhos ou garrafadas. Segundo a Anvisa, as embalagens desses produtos deverão conter, dentre outras informações, o nome, CNPJ e endereço do fabricante, número do lote, datas de fabricação e validade, alegações terapêuticas comprovadas com base no uso tradicional, precauções e contra indicações de uso, além de advertências específicas para cada caso.
Segundo os especialistas, é importante que o paciente não omita do médico que está usando a medicina alternativa, para não prejudicar o tratamento em curso e também para evitar consequências no futuro. "Não acho que precisamos acabar com a medicina alternativa, mas temos que ter mais cautela ao aprovar e utilizar esses produtos", diz Meirelles.

Antes de tomar:     

- Consulte seu médico e farmacêutico sobre as possíveis interações com outros medicamentos      
- Procure pesquisas científicas confiáveis sobre o uso de ervas e plantas medicinais
- Verifique se a embalagem possui data de fabricação e validade, precauções de uso e advertências            

Cuidado em dobro se:    

- Estiver grávida ou amamentando        
- Está prestes a fazer ou fez uma cirurgia recentemente      
- Tem menos de 18 anos ou mais de 65 anos 
- Está fazendo um tratamento com remédios controlados

Por: Natalia Cuminale, em http://veja.abril.com.br