segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ovários Policísticos

A síndrome marcada pela formação de cistos nos ovários vive cercada de mistérios. Mas um deles está perto de ser elucidado de uma vez por todas. Cientistas suecos desvendam um novo mecanismo que explica o elo entre o distúrbio e o diabete.

Assim como os mestres de obras, que zelam por todo o trabalho envolvido em uma construção, os hormônios são responsáveis por manter o organismo funcionando a pleno vapor. Mas, quando a fabricação dessas substâncias sai dos trilhos, o corpo da mulher pode ficar fora de sintonia. Quem tem a síndrome dos ovários policísticos (SOP), problema que se distingue pelo surgimento de cistos nos ovários e pela produção exacerbada de hormônios masculinos, conhece bem essa história. "O distúrbio desregula a menstruação, favorece o ganho de gordura abdominal e ainda pode provocar o aparecimento de acne e pelos no rosto e em outras partes do corpo", relata a ginecologista Angela Maggio da Fonseca, da Universidade de São Paulo.

Se o descompasso deixa de ser acompanhado por um médico, várias complicações não custam a aparecer. Entre elas, merecem destaque a infertilidade e, agora sim, falamos dele, o diabete tipo 2. Há um bom tempo os clínicos notam que as portadoras da SOP desenvolvem mais facilmente a resistência à insulina — o hormônio que conduz a glicose para dentro das células não consegue trabalhar direito e, aí, o açúcar sobra no sangue, abrindo caminho ao diabete. Mas faltava uma peça no quebra-cabeça: o que dispararia a tal da resistência? Especulava-se que tudo era fruto de uma interferência do excesso de hormônios masculinos. A resposta para o mistério, porém, parece recair sobre as células de gordura, os adipócitos.          

Um estudo da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, revela que as mulheres com o distúrbio, sejam elas magras ou gordas, apresentam adipócitos mais rechonchudos e com um defeito. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores selecionaram 62 voluntárias, metade delas com SOP. Elas foram divididas em duplas formadas por uma participante com a síndrome e outra sem o problema, mas que tinham idade e peso semelhantes. Ao compará-las, os estudiosos constataram que o tecido adiposo daquelas com SOP produzia uma quantidade inferior de um hormônio liberado justamente pelos adipócitos, a adiponectina. "Essa substância facilita a ação da insulina. Na falta dela, a glicose tem dificuldade para entrar nas células", explica o endocrinologista Ivan Ferraz, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.         

De acordo com Ricardo Meirelles, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o trabalho é revelador porque alivia a culpa sobre o hormônio masculino e aponta que até mesmo jovens magras podem abrigar células de gordura volumosas e má produtoras de adiponectina. "É por isso que elas estão cada vez mais propensas à resistência à insulina e ao diabete tipo 2", afirma.  

Vale ressaltar, contudo, que os quilos extras costumam agravar a situação. Portanto, quem tem ovários policísticos e quer manter distância do diabete deve apostar em uma dieta equilibrada aliada à prática regular de uma atividade física. O diagnóstico precoce e o monitoramento médico também são fundamentais. "Pelo menos 30% das mulheres com SOP não sabem que têm o distúrbio", calcula Meirelles. Não dá para vacilar e permitir que essa sigla promova uma algazarra hormonal.

Por: Thaís ManariniI

Casos de alergias respiratórias não param de crescer. Saiba como evitá-las


Aumento na incidência de alergia na população está relacionada a várias hipóteses. Mas é possível evitá-la com mudanças simples dentro de casa e usando produtos alternativos, que não possuem substâncias alergênicas


No Brasil, estima-se que 30% da população tenha algum tipo de alergia. De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), a rinite atinge 30% e a asma 10% das pessoas. Nos Estados Unidos, a alergia é a quinta doença crônica mais prevalente em todas as idades e a terceira mais comum em crianças. "Estudos mostram que há um crescimento no aparecimento de todos os tipos de alergias no mundo todo", disse Rachel Miller, professora de Medicina e Ciências Ambientais de Saúde da Universidade Columbia, em Nova York. Em 1980, somente 10% da população ocidental sofriam de alergias. Hoje, o número é três vezes maior. E, de acordo com previsões da Rede Global de Alergia e Asma (Galen), metade da população da Europa vai sofrer de algum tipo de alergia até 2015.
Não se sabe exatamente por que esse crescimento está ocorrendo. Especialistas em alergia levantam diversas hipóteses para explicar o avanço das doenças alérgicas. "A poluição, a industrialização, hábitos de vida e até alguns medicamentos podem estar propiciando o aparecimento da alergia", diz Fábio Morato Castro, vice-presidente da Asbai.
"O aquecimento global pode ser uma das possíveis razões do aumento do número de pacientes com alergias e da piora dos sintomas", afirma Michael Blaiss, ex-presidente do American College of Allergy, Asthma and Immunology (Acaai). Em alguns países, as mudanças no clima são responsáveis pela antecipação e por estações de polinização mais duradouras – o que também causa alergia. No Brasil, problemas em decorrência do pólen ocorrem mais na região Sul do país.

Crianças:
Bebês e crianças costumam ter eczema e alergias respiratórias sazonais. Em muitas crianças, a alergia pode desaparecer durante a adolescência:
- 8% das crianças nos EUA são afetados por alergias alimentares;
- Alergia e soja é mais prevalente em bebês do que em criança mais velhas;
- Causada por uma sensibilidade ao glúten, a doença celíaca se desenvolve entre seis meses e dois anos de idade;
- A rinite alérgica afeta até 40% das crianças;
- Crianças com alergias têm três vezes mais risco de desenvolver asma do que aquelas sem nenhuma alergia.

Adultos
Cerca de 20% de todos os casos de alergia aparecem pela primeira vez entre 40 e 50 anos:
- Entre 10% e 30% dos adultos sofrem com rinite alérgica;
- Alguns tipos de alergias alimentares se desenvolvem principalmente em adultos. Exemplo disso é a alergia a frutos do mar;
- Adultos podem desenvolver asma, mesmo se não tiveram a doença enquanto eram crianças.

Idosos
O aparecimento de alergia pela primeira vez na velhice não é raro – mas menos frequente:
- Quando as pessoas envelhecem, o sistema imunológico enfraquece e as membranas mucosas perdem a elasticidade, tornando-os mais sensíveis a substâncias irritantes;
- Normalmente, por conta da pele ressecada, eles podem ter dermatite.

Gestantes:
Mulheres grávidas que tomam remédios para controlar a alergia devem conversar com os especialistas para avaliar se devem ou não manter a medicação:
- A rinite alérgica tende a piorar no último trimestre de gravidez por causa das alterações hormonais;
- A asma deve ser controlada durante a gravidez. Se não estiver, pode piorar no fim da gestação. Isso ocorre porque o desenvolvimento do feto pode prejudicar a respiração da mãe;

A gravidez provoca diversas alterações no corpo da mulher, inclusive na pele, cabelo e unhas. As mulheres podem apresentar alergias de pele:
- Maior incidência de brotoeja: bolinhas vermelhas, coceira e pequenas bolhas.
- Herpes gestacional: começa com bolinhas e manchas vermelhas semelhantes à urticária com coceira. A ocorrência é rara, com um caso para cada 50 mil mulheres grávidas. Entre os riscos estão o parto prematuro, baixo peso do recém-nascido, além de lesões na pele do bebê.
- Prurido gravídico: é o surgimento de coceira generalizada que ocorre no fim da gravidez, geralmente no terceiro trimestre de gestação. Ocorre em uma a cada 300 gestações.
- Prurido gestacional de Besnier: a grávida apresenta coceira e pequenas bolinhas, que aparecem na parte superior dos membros e parte superior do tronco. Em geral, ocorre a partir do quarto mês de gravidez. A alergia desaparece após o parto e a causa é desconhecida.

Muita limpeza — Há quem defenda a chamada hipótese de higiene, que basicamente afirma que quanto menos contato com a sujeira, maiores as chances de ter alergia. Segundo estudos, crianças que crescem em áreas rurais rodeadas de animais e que possuem famílias maiores parecem desenvolver asma e alergias de pele com menos frequência que crianças criadas em áreas urbanas. A principal pesquisa foi realizada por médicos do Hospital Infantil de Salzburg, na Áustria. Foram comparadas alergias em 319 crianças com idades entre 6 e 13 anos que cresceram em chácaras com 493 crianças que cresceram em ambientes mais 'limpos', como casas e apartamentos em áreas urbanas. Os resultados mostraram que crianças que viviam em fazendas tinham mais proteção do que as outras; e que quanto mais cedo elas fossem expostas a esses elementos, mais elas estariam protegidas. A hipótese sugere que a exposição a determinados vírus, bactérias ou parasitas ajuda o sistema imunológico a se desenvolver. Além disso, ensina o corpo a diferenciar as substâncias nocivas das inofensivas, que causam a asma, por exemplo. "Combinado a isso, há ainda um menor contato com a poluição em áreas rurais", diz Blaiss.
As alergias ocorrem quando o sistema imunológico reage a uma substância estranha, como a poeira, medicamento ou alimentos, entre outras centenas de possibilidades. O sistema imunológico produz anticorpos para proteger o organismo de invasores indesejados, que seriam capazes de deixar uma pessoa doente ou causar uma infecção. Quando você tem alergia, o sistema imunológico produz anticorpos que identificam um alérgeno particular como algo prejudicial e por isso ocorrem essas reações.
Para J. Allen Meadows, presidente da comissão de educação e saúde pública da Acaai, outra evidência sugere que a exposição de crianças de países subdesenvolvidos a alimentos contaminados com substâncias fecais pode estar relacionada a uma menor incidência de alergia. Ele explica que essas infecções fazem com que o sistema imunológico combata infecções e não lute contra alérgenos. "Muitas crianças que têm essas doenças morrem. Mas aquelas que sobrevivem parecem estar protegidas da alergia", diz Meadows. "Enquanto a distribuição de alimentos no mundo inteiro melhorar e ficar mais limpa e segura, as doenças alérgicas devem continuar a subir", afirma.

Pouco sol — Outra teoria é a de que a redução gradual a exposição do sol diminuiu os estoques de vitamina D no organismo. Segundo Scott Weiss, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, mais de 70% das pessoas em grande parte dos países possui deficiência de vitamina D. O que, de acordo com ele, influencia o aumento das doenças conhecidas como autoimunes, incluindo alergias alimentares e diabetes tipo 1, por exemplo. “As alergias vão continuar aumentando. Isso vai ocorrer na mesma medida em que as pessoas continuarem passando tempo dentro de casa e deixando o nível de vitamina D diminuir”.
Na área científica, a epigenética é considerada uma área promissora. “Acredito que a epigenética tem potencial para explicar alguns mistérios da alergia. A ideia que o nosso ambiente pode mudar a forma que os nossos genes funcionam ou como eles podem ser alterados mesmo depois que nascemos é uma hipótese muito atraente para a asma. Isso porque é um problema crescente nos últimos tempos e não sabemos porque acontece”.
Enquanto a clareza sobre os processos alérgicos não avançam, resta ao paciente evitar a exposição à substância que causa a alergia. Nos casos em que isso não é possível, os médicos indicam remédios para tratar os sintomas. Há também a possibilidade de tratamento de imunoterapia, em que as vacinas podem diminuir os sintomas e colaborar para um melhor controle do problema.

ALERGIA SEM MISTÉRIO
Quais são os testes que detectam alergias
TESTE NA PELE
Testes cutâneos: gotas do alérgeno suspeito são diluídas na pele. Depois, o médico faz uma pequena escarificação ou  puntura para que o alérgeno seja absorvido. Em geral, esse tipo de exame é feito no braço. E o resultado sai em 20 minutos.
Teste intradérmico: é um teste mais sensível em que os médicos injetam uma pequena quantidade do alérgeno irritante sob a pele.
Teste de contato: são geralmente realizados para descobrir a origem da dermatite de contato. Nesse caso, o especialista aplica o teste nas costas, que contém as substâncias químicas que são responsáveis por cerca de 90% das alergias de contato. Os pacientes ficam com os alérgenos por 48 horas, já que as reações podem se desenvolver lentamente.
TESTE DE SANGUE
Conhecido como exame rast, é teste sanguíneo indicado para medir a quantidade de anticorpos da Imunoglobulina E (IgE), que o corpo produz como resultado da exposição a um tipo de alérgeno.
TESTE DE FUNÇÃO PULMONAR
Geralmente, o teste é indicado para pacientes com alergias respiratórias. A prova de função pulmonar visa avaliar o fluxo de ar dentro e fora dos pulmões. Além disso, há também o desafio de inalação, em que o paciente é exposto a uma pequena quantidade de alérgeno para avaliar sua capacidade de respiração diante da substância.

Sete produtos para quem tem alergia

Batom e blush: Cosméticos como batom e blush possuem lanolina e conservantes, substâncias capazes de desencadear alergias. No caso do batom, é possível utilizar aqueles formulados com ingredientes vegetais e antioxidantes naturais, que previnem o envelhecimento precoce. 

Esmalte: No esmalte, o formaldeído, presente na resina, é o principal responsável pela reação alérgica. Essa substância tem como função aumentar a durabilidade e a aderência do produto. Esmaltes hipoalergênicos também são livres de tolueno e dibutilftalato.

Hidratante: Perfume, corantes e conservantes podem ser substâncias desencadeadoras potenciais de uma alergia. Por isso, indica-se preferir hidratantes sem essas substâncias. Em algumas composições, há fomblin, uma substância que reduz a agressividade de alguns aditivos e forma uma espécie de barreira que protege a pele.

Bijuteria: Produtos banhados a outro ou a rhodium são os mais indicados para mulheres que têm alergia à níquel – uma matéria-prima utilizada em quase todas as bijuterias. Quem é alérgico e utiliza esses produtos pode ter crises alérgicas, além de coceira e vermelhidão.

Desodorante: Desodorantes possuem cloridóxido de alumínio, que inibem a transpiração. A substância, porém, provoca reações alérgicas em algumas pessoas. No mercado, é possível encontrar produtos com cloridóxido de zircônio que é tão eficaz quando o primeiro, só que com efeitos pouco irritantes.

Xampu: Lavar o cabelo pode ser uma atitude perigosa para quem tem alergia. O perfume forte pode desencadear crises em quem tem rinite e asma. Para os alérgicos, há produtos livres de corantes, essência e conservantes.

Creme de barbear: Muitos homens têm irritação quando utilizam espumas de barbear convencionais. Se a pele ficar irritada, indica-se utilizar produtos hipoalergênicos, que possuem as mesmas propriedades hidratantes e calmantes para a pele, mas não contém substâncias irritantes. 

Por: Natalia Cuminale

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Por que algumas doenças não somem de vez


Apesar de serem alvo de campanha de vacinação em massa, enfermidades como sarampo, coqueluche e poliomielite continuam a fazer centenas de vítimas pelo mundo

A erradicação da varíola nos anos 1970, após um esforço global de mais de 200 anos, deu início à esperança de que outras ­doenças também pudessem desaparecer por completo. A poliomielite foi, então, o próximo alvo. Na esteira da difusão de conceitos de vigilância epidemiológica pela Organização Mundial da Saúde, deflagrou-se uma corrida para a sua erradicação com metas sendo estabelecidas – e continuamente postergadas – desde 1971. A última, estabelecida em 2010, foi adiada por pelo menos mais três anos após nove novos casos serem registrados recentemente na China.     

A varíola segue, então, como única doença erradicada. Com tantos avanços na medicina, a pergunta que se faz é por que, afinal, determinadas enfermidades – contra as quais há vacinas – continuam a fazer vítimas. As respostas são complexas. Para ser considerada erradicada, além de não originar mais nenhum caso, a ­doença deve atender a estes critérios: o homem ser o único hospedeiro do agente causador, dispor de uma forma de combate segura e efetiva e ser beneficiada por uma política pública mundial de campanhas de imunizações.

Isso já é uma grande tarefa. É preciso considerar, porém, que cada doença tem sua particularidade. No caso do sarampo, por exemplo, o vírus é altamente contagioso. Dessa forma, qualquer falha na cobertura vacinal é uma brecha perigosa. “Se alguém infectado entra em um consultório médico, por exemplo, e outro indivíduo lá presente não está imunizado, há grande chance de contágio”, diz o epidemiologista José Cássio de Moraes, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.


O problema é que, embora o Brasil tenha iniciado em 2005 uma campanha contra o sarampo e a rubéola, o vírus continua circulando com força na África e na Europa. “Por essa razão a doença não foi eliminada aqui”, explica Moraes. Na última semana, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, por exemplo, acompanhava três bebês com menos de um ano sob suspeita de terem contraído a enfermidade.           

Na Europa, o controle sobre o sarampo teve outro complicador. Em 1998, um estudo publicado na revista científica “The Lancet” associava a vacina contra o sarampo, a caxumba e a rubéola ao autismo. O estudo iniciou uma onda antivacina na Inglaterra que prejudicou o sucesso das campanhas. “Essa pesquisa levou a surtos nos Estados Unidos e na Europa”, disse Steve Cohl, da Universidade da Califórnia e ex-membro do Comitê de Vacinas do Food and Drug Administration (FDA). “Crianças morreram por não ter sido imunizadas pelos pais, que acreditaram na pesquisa.” A licença do médico autor do estudo foi caçada, mas o estrago estava feito.

Crenças religiosas são outros fatores que interferem nos esforços. Na Nigéria, fundamentalistas islâmicos passaram a acreditar que a vacina contra a poliomielite havia sido contaminada, pelo Ocidente, com o HIV, causador da Aids. O resultado: 258 casos registrados em 2008.   

Também a falta de campanhas de vacinação para adultos, que funcionam como reservatório de alguns micro-organismos causadores de doenças, dificulta o controle das doenças. Um exemplo é a coqueluche, causada por uma bactéria e caracterizada por crises de tosse. Em alguns casos, pode ser fatal. No ano passado, o Brasil registrou 588 casos, segundo o Ministério da Saúde. A enfermidade, cuja vacina precisa ser administrada de dez em dez anos, pertence ao grupo de doenças tidas, erroneamente, como incidentes apenas na infância. “Com o passar do tempo, adultos infectados transmitem males como esse a crianças”, disse Cohl.          

Foi o que aconteceu com o cirurgião plástico Marcelo Frazão, 32 anos, de São Paulo. O médico contraiu a doença e a transmitiu para a filha, Marcela, então com apenas um mês. A bebê ainda não tinha recebido a primeira dose da DPT, contra difteria, tétano e coqueluche. “No hospital, tomamos antibiótico porque a suspeita era de pneumonia”, lembra. “Como o caso se agravou, a coqueluche foi diagnosticada.” De fato, é comum que a doença seja subdiagnosticada em adultos. “É frequente ser confundida com pneumonia e até com asma”, afirma Analiria Pimentel, pediatra e infectologista do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, instituição de Pernambuco escolhida para ser o centro de vigilância para a coqueluche naquele Estado.           

Em países mais pobres, a erradicação de doenças esbarra também na vontade política e econômica. “A oncocercose, principal causa infecciosa da cegueira, poderia ser eliminada se houvesse interesse da indústria farmacêutica em produzir remédios”, lamenta o médico Moraes.


Por Monique Oliveira

domingo, 23 de outubro de 2011

Cortar unhas retas e não tirar cutícula evitam problemas em pés e mãos


Cuidar dos pés é importante não só para mantê-los com uma boa aparência, mas também para deixá-los saudáveis – livres de calos, unhas encravadas e infecções. Cortar as unhas da forma reta, sem aparar os cantos, ajuda a evitar problemas e sofrimentos futuros.
Para prevenir calos, é indicado pisar corretamente. Portanto, escolher um sapato adequado, do tamanho certo, é fundamental. Segundo a dermatologista Márcia Purceli, alicates, cortadores de unhas e outros utensílios devem ser individuais para prevenir contaminações.




A pele que se acumula nas unhas e vira a cutícula é feita de queratina, uma proteína muito resistente que funciona como uma barreira de proteção em todo o corpo. As células que produzem queratina ficam na camada córnea, a mais superficial da pele e a que mais descama.

Para renovar as unhas das mãos, levam-se até 3 meses, contra 8 meses do dedão (a pele é trocada por inteiro em 30 dias e os cabelos vivem até 5 anos). O ideal é não retirar a cutícula, apenas empurrá-la, já que a região fica muito próxima da parte viva da unha, onde uma inflamação pode ocorrer facilmente. No salão de beleza, as manicures e pedicures devem esterilizar os equipamentos em autoclave.
A cutícula é uma proteção e uma vedação da pele, por isso que, quanto mais for removida, mais grossa tende a ficar. Isso porque o organismo busca se proteger de eventuais ameaças.
De acordo com a dermatologista, as unhas das mãos crescem mais que as dos pés porque não há barreiras que as impeçam de nascer – como os sapatos fazem com os pés. E as unhas também precisam respirar: a recomendação é de que fiquem pelo menos um dia na semana livres de esmaltes ou bases.
Quem tem familiares com histórico de unha encravada deve ficar atento, pois o problema costuma ser hereditário e aparecer logo nos primeiros anos de vida. O dedo que mais sofre é o dedão, que geralmente é pressionado pelo dedo do lado. Nesse pequeno espaço, a queratina acaba crescendo embaixo da unha. Mas se desesperar não adianta, e cortar essa unha em casa pode ser perigoso e desencadear uma infecção.
Já os calos são uma manifestação do organismo de que existem atrito e pressão no local, o que pode ser causado por um calçado apertado ou um bico fino. Várias camadas de queratina se acumulam na região, como forma de proteção. Mas, quando endurecem, viram o calo – que não deve ser raspado nem lixado sem orientação profissional.
Em algumas pessoas mais sensíveis, não adianta trocar de sapato nem usar um número maior: é preciso usar um modelo ortopédico, que é mais flexível e provoca menos atrito com o pé. Casos mais graves demandam uma ida mensal ao podólogo.
Segundo a podóloga Roseli Silva Bueno, lavar bem os pés – no meio dos dedos e ao redor das unhas – é extremamente importante para evitar problemas. Pessoas obesas, idosas, diabéticas e com dificuldade de locomoção podem usar uma banqueta de plástico no banheiro para fazer essa higiene corretamente. As unhas também podem ser limpas com uma escova de dentes macia. Depois do banho, deve-se hidratar os pés com creme.
No estúdio, a dermatologista explicou, ainda, que esporão é uma proliferação óssea e joanete é um problema na articulação do dedão, ou seja, não tem a ver com a pele ou com calo.

Do G1, em São Paulo

Lipoaspiração sem exercícios pode ser perigosa



 Gordura visceral

A realização da lipoaspiração não acompanhada de atividade física regular no pós-operatório pode acarretar um aumento significativo da gordura visceral, localizada na região entre os órgãos.
Essa gordura é extremamente danosa para a saúde por estar associada ao aumento do risco cardiovascular.
Os exercícios físicos inibem o aumento dessa gordura entre os órgãos.
A conclusão é de um estudo realizado na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da Universidade de São Paulo (USP).

Treinadas e sedentárias

A pesquisadora Fabiana Braga Benatti recrutou 36 mulheres com Índice de Massa Corporal (IMC) abaixo de 30, que fariam lipoaspiração na região abdominal, para participar da pesquisa.
O IMC é calculado a partir do peso da pessoa em quilogramas, dividido pela sua altura em metros elevada ao quadrado.
O grupo foi igualmente dividido em "mulheres treinadas" e "mulheres sedentárias".
Dois meses depois da cirurgia, o primeiro grupo foi submetido à uma série de exercícios de força e aeróbicos, por três vezes semanais, durante quatro meses, enquanto o segundo grupo permaneceu sem fazer atividades físicas regulares.
Uma bateria de exames foi feita antes e depois do processo e serviu de base para toda a pesquisa.

Aumento de gordura sem perceber

No grupo das mulheres sedentárias, o ganho da massa visceral chegou a 10%.
O fato não foi percebido pelas pacientes, pois o aumento desta gordura interna do corpo dificilmente é identificado no dia-a-dia, já que não representa grandes proporções em termos visuais.
Isso aumenta a importância do estudo, já que dificilmente estes dados seriam alcançados a não ser por um acompanhamento detalhado durante o pós-operatório.
Já no grupo de mulheres treinadas não houve aumento da gordura visceral. O treinamento físico preveniu este aumento.
Uma possível explicação para isso é o fato deste tipo de gordura ser metabolicamente ativo e mais responsivo ao aumento das concentrações de adrenalina que ocorrem durante o exercício físico.
Além disso, o treinamento físico preservou o gasto energético das mulheres treinadas, o que pode ter contribuído para seus efeitos benéficos observados.

Lipoaspiração não é para perder peso

O peso perdido na cirurgia de lipoaspiração foi recuperado em ambos os grupos.
"A cirurgia não tem como objetivo a redução de peso, que diminui em média 1%. A pretensão da lipoaspiração é retirar a gordura localizada e modelar o corpo do paciente", diz Fabiana.
No caso das mulheres sedentárias, contudo, o peso retornou possivelmente pelo novo ganho de massa gorda, favorecida pelo estilo de vida levado. O metabolismo se esforça para manter uma constante e isso inclui o peso.

Perda de massa gorda

A diminuição do gasto energético durante dietas restritivas normalmente é atribuída à perda de massa magra.
"Como não se percebeu perda de massa magra durante o estudo, este resultado foi considerado inesperado. "Acreditamos que tenha a ver com a perda de massa gorda", diz Fabiana.
A retirada de massa gorda ocasiona, ainda, a queda nos níveis do hormônio adiponectina, que tem efeito benéfico no corpo. Ele regula a sensibilidade da insulina que, quando alterada, pode gerar uma série de consequências danosas para o corpo, a mais conhecida delas sendo a diabetes.

Puramente estético

Ao contrabalancear os efeitos da lipoaspiração, Fabiana diz que o que deve ser feito é um esclarecimento sobre os efeitos colaterais causados pela cirurgia.
"Metabolicamente falando, não vimos nada de benéfico na cirurgia. Ela é um procedimento puramente estético", conclui.
O aumento da gordura visceral e dos riscos que isso traz podem ser evitados, mas para isso é preciso atentar e esclarecer, tanto para médicos quanto para pacientes, a real necessidade de fixação de uma série de exercícios na rotina do pós-operatório.

Fonte: Diário da Saúde

Medicamentos para ansiedade


 O QUE É ANSIEDADE?

A ansiedade surge, normalmente, em momentos de preocupação, tensão e apreensão, caracterizando-se por um conjunto de sensações corporais desagradáveis, como vazio no estômago, coração acelerado, medo intenso, falta de ar, transpiração excessiva, aperto no tórax, etc.

QUANDO A ANSIEDADE SE TORNA UMA DOENÇA?

Todas as pessoas podem sentir ansiedade, especialmente em momentos estressantes, em que se veem frente a situações difíceis e decisões importantes. Mas a ansiedade passa a ser considerada um transtorno quando o indivíduo a experimenta de maneira exagerada, relacionada a preocupações excessivas e não realistas em situações que a maioria das outras pessoas enfrentariam com pouca dificuldade. Um bom histórico médico e exame físico são essenciais para o diagnóstico.

Um dos problemas associados à ansiedade é a insônia (falta de sono ou dificuldade prolongada para adormecer por vários dias), sendo uma queixa muito comum e um dos motivos para as pessoas buscarem o uso de medicamentos específicos.

QUAIS OS RISCOS DOS MEDICAMENTOS PARA ANSIEDADE?

Medicamentos utilizados para o tratamento da ansiedade, chamados ansiolíticos, geralmente são sedativos ou hipnóticos (induzem ao sono) e devem ser utilizados sob prescrição médica e com o devido acompanhamento, observando sempre as doses e o modo de usar (posologia).

Além de apresentar diversas reações adversas, esses medicamentos também podem causar dependência, devendo ser utilizados com muito cuidado.

Importante:

• O uso de ansiolíticos com outros medicamentos e com o álcool é extremamente perigoso, pois os efeitos prejudiciais são intensificados, podendo causar graves danos à saúde dos pacientes. Devido aos efeitos colaterais, indivíduos sob tratamento com esses medicamentos não devem exercer atividades que exijam coordenação motora e reflexos rápidos.

• Nem sempre o uso de medicamentos é o melhor remédio. Converse com seu médico e procure outras medidas que possam amenizar o seu problema de ansiedade e insônia, como exercícios físicos e relaxamentos.

Fonte: Anvisa

Panela mal conservada, perigo para a saúde

As panelas que cozinham o alimento nosso de cada dia costumam ser coadjuvantes na culinária, mas quem entende de saúde garante que elas são protagonistas. Os pesquisadores alertam que metais de panelas mal usadas contaminam a comida. E levam a problemas como intoxicação, anemia, distúrbios gástricos e, no longo prazo, com o uso continuado, expõe usuários a substâncias cancerígenas. Até revestimentos de níquel ou de material antiaderente têm riscos para saúde.

Há metais com alto potencial de danos. É o caso do alumínio: pesquisas mostram que o excesso de alumínio no corpo induz a estados de demência. Quantidades excessivas de alumínio também são encontradas em exames de pessoas com Mal de Alzheimer. Os efeitos danosos ocorrem quando o alumínio se desprende da panela: sais de alumínio são hidrossolúveis e produzem um cloreto tóxico que afeta o estômago.

- Os fatores que vão influenciar a transferência do alumínio para o alimento são três. O primeiro é o teor de água do alimento. Quanto mais líquido é o alimento, mais alumínio recebe da panela. Uma sopa, por exemplo, recebe mais que uma farofa. O segundo fator é a acidez. Quanto mais ácido o alimento, mais alumínio da panela recebe. Não recomendo fazer molho de tomate nesse tipo de panela. O terceiro é o tempo de contato. Quanto mais demorado o cozimento, mais o alimento adquire alumínio. Para evitar o mau uso, deve-se conservar a panela e escolher alimentos sólidos, pouco ácidos e de cozimento rápido - comenta a nutricionista Késia Quintaes, autora do livro "Tudo sobre panelas" (Editora Atlântica).

14 tipos mais comuns de tosses

Saiba identificar o que acontece com o seu filho

A tosse ocorre inevitavelmente nas crianças, mas durante o inverno acontece com mais frequência. Não há o que ser feito para impedir.
Na realidade a tosse é saudável, pois ajuda a limpar a garganta ou o peito do seu bebê de algo que não deveria estar lá, por exemplo, um restinho de fruta, uma peça de um brinquedo ou uma infecção. Portanto, a sua função não é necessariamente parar a tosse, mas sim descobrir a sua causa. É importante observar as características da tosse e a maneira como o seu bebê respira e age para descobrir o que está acontecendo.
Lembre-se também que a tosse, por si só, raramente causa problemas em crianças com mais de 1 ano de idade, mas pode debilitar rapidamente um bebê, de modo que é necessário ter muita atenção quando ele começar a tossir.

1 - Tosse durante uma constipação

A maior parte das simples constipações é acompanhada por uma tosse seca ou com secreções, que pode permanecer mesmo depois dos outros sintomas terem desaparecido. Não há com o que se preocupar. Contudo, consulte imediatamente o pediatra se o bebê apresentar algum dos seguintes sintomas:
- O seu bebê tosse tanto que os lábios ficam mais escuros e apresenta dificuldade em respirar.
- O ataque de tosse termina com um "silvo" (veja "Tosse com sons estranhos quando o bebê inspira", mais adiante).
- O seu bebê apresenta uma febre  de 39 graus ou superior, durante mais de 48 horas (a febre é normal quando se trata de infecções respiratórias e não é motivo de preocupação, a não ser que seja alta, dure muito tempo ou a criança pareça realmente doente).
- O seu bebê respira rapidamente (mais de 40 ou 50 vezes por minuto) ou a sua pele é "sugada para dentro, formando um espaço côncavo" entre as costelas cada vez que respira (poderá observar isso ao tirar a camisa).
- O seu bebê tem menos de 4 meses de idade.

2 - Tosse que começa de repente

A causa dessa tosse geralmente é algo que está nas suas vias respiratórias e que não deveria estar lá, por exemplo, um pedaço de comida dura, um brinquedo, algum vômito ou uma moeda. Os bebês que conseguem agarrar coisas correm maior risco, especialmente se têm irmãos mais velhos que querem "alimentá-lo" ou partilhar com ele os brinquedos. Se suspeitar que o seu bebê tem algo entalado na garganta, não introduza os dedos (a não ser que ainda esteja na boca e o possa ver facilmente). Faça uma manobra de Heimlich, se souber fazê-la numa criança. Caso contrário, mantenha-o quieto e calmo e telefone imediatamente ao pediatra ou um serviço emergencial de saúde para receber instruções precisas.
Se não se tratar de um objeto estranho e a criança apresentar uma "tosse de cão" repentina acompanhada de rouquidão, baba e, por outro lado, insistir em endireitar-se, a causa pode ser uma doença muito grave chamada epiglotite. Chame rapidamente o pediatra. Se não tiver uma resposta imediata, procure um pronto-socorro / emergência hospitalar. Felizmente, os casos de epiglotite são atualmente muito raros graças à vacina do haemophilus B.

3 - "Tosse de cão"

A "tosse de cão" é um sintoma de várias infecções virais do trato respiratório superior, incluindo a difteria e as infecções virais das cordas vocais (laringe) das vias respiratórias (traqueia). As crianças que padecem de difteria adquirem, também, rouquidão. Felizmente, pode geralmente tratar-se em casa com o vapor de um chuveiro quente ou de um nebulizador, mas mesmo assim deve haver uma consulta ou a procura do pediatra. Certifique-se de pedir ajuda imediatamente se:
- O seu filho tem menos de 6 meses de idade.
- Apresenta febre de 39 graus ou superior.
- A tosse aparece de repente (veja mais acima).
- Respira ruidosamente entre os ataques de tosse quando está tranquilo e ao descansar.
- Está muito pálido, macilento ou sem cor.
Marque uma consulta para o dia seguinte se o seu filho:
- Tem menos de 1 ano de idade.
- Teve episódios de difteria sem mostrar melhoras durante três ou mais dias.
- Teve três ataques de difteria por dia, durante dois ou mais dias.
- Recusa beber líquidos.

4 - Tosse em um bebê com menos de 3 meses

Isso pode indicar algo grave, como uma pneumonia ou uma bronquite que poderia debilitar o bebê. Consulte o pediatra rapidamente se a tosse durar mais de 1 hora. Telefone de imediato se a tosse começou de repente ou se o seu bebê apresenta uma febre superior a 38°C.

5 - Tosse com febre alta

Quando a tosse é acompanhada de uma febre de 39°C ou superior, poderá ser pneumonia, especialmente se o seu filho respira rapidamente, está indiferente ou não deseja ingerir líquidos. Contate imediatamente o pediatra.
Tosse com uma grande mudança no comportamento, normalmente com febre: pode ser o sinal de uma pneumonia. Telefone imediatamente ao pediatra.


6 - Tosse com dificuldade em respirar

Esse é sempre um motivo de preocupação e deve ser comunicado imediatamente ao pediatra. Se for grave ou repentina, procure um hospital. Caso contrário, esteja em contato com o pediatra do seu filho. Sinais de mal-estar a que deve prestar atenção:
- O seu filho respira muito rapidamente (40 a 50 vezes por minuto).
- A sua pele "é sugada para dentro, formando um espaço côncavo" entre as costelas ou acima da clavícula cada vez que respira.
- Recusa-se a se deitar porque isso lhe dificulta a respiração ou torna-o ansioso e agitado.
- Não consegue engolir líquidos ou recusa todos os líquidos.
- Baba-se excessivamente.
- Estica o pescoço para respirar.
- Dorme menos de 1 hora seguida.
- Não está rosado, os seus lábios estão mais escuros e a pele está muito pálida.

7 - Tosse com sangue

Isso ocorre geralmente devido a uma hemorragia ou irritação nasal recente; nesse caso não é motivo para se preocupar. Se, no entanto, não tiver sido essa a causa, algo de anormal está a acontecer e o pediatra deve ser procurado imediatamente.

8 - Tosse que piora à noite

Geralmente a tosse causada por infecções piora à noite por causa das secreções nasais e sinusais que passam pela garganta enquanto o bebê está deitado; isso causa, por sua vez, cócegas na garganta que produzem a tosse. Se o seu bebê dorme durante toda a noite, é improvável que qualquer coisa séria esteja para acontecer. Mas se a tosse o mantiver acordado, levante-lhe a cabeça colocando travesseiros debaixo da estrutura do berço ou do colchão. Não coloque travesseiros nem muitos cobertores no berço, porque isso aumenta o risco de SMSL (Síndrome de Morte Súbita do Lactente) em bebês muito pequenos e pode dificultar a respiração para as crianças mais velhas. Nessa situação, os bebês dormem melhor numa cadeira de bebê para automóvel colocada no chão ou dentro do berço na mesma posição.

9 - Tosse que piora durante o dia e melhora nos períodos de descanso

Quando a tosse aumenta durante o dia, é devida, geralmente, a uma infecção ou a uma alergia. A atividade, o ar frio e a tensão fazem com que esse tipo de tosse piore. A tosse pode durar alguns dias ou até três semanas e não precisa de atenção médica, a não ser que apresente sintomas adicionais. O mais simples a fazer é deixar que o vírus siga o seu curso (felizmente, o seu filho não terá a infecção durante todo o período em que tiver tosse, apenas no início). Se a tosse continuar durante um mês, está na hora de marcar uma consulta com o pediatra.

10 - Tosse com sons estranhos quando o bebê inspira

Isso é chamado estertor e pode indicar um problema grave nas vias respiratórias superiores, na laringe ou na garganta. Ligue para o pediatra e deixe-o escutar o seu bebê ao telefone; isso pode ajudá-lo e muito. Entre os sinais que requerem uma atenção médica imediata (o que significa procurar um hospital se você não puder entrar em contato imediatamente com o pediatra) estão os seguintes:
- O seu filho apresenta uma respiração ruidosa, entre os ataques de tosse, quando está tranquilo e relaxado.
- Apresenta dificuldade em respirar (veja mais acima).
- Não quer deitar-se porque isso dificulta a sua respiração ou aumenta a sua ansiedade.
- Ocorrem babas.
- Tem problemas em engolir.
- Se o seu filho respira muito profundamente após um ataque grave de tosse e frequentemente emite um som ou um "silvo", pode ter tosse convulsa, também conhecida por "coqueluche". Isso é particularmente preocupante nas crianças que ainda não tomaram todas as vacinas, por exemplo, bebês com menos de 6 meses.
- A tosse convulsa pode ser mortal, por isso, se suspeitar dela, contate imediatamente o pediatra.
Se não receber uma resposta imediata ou se o seu filho estiver muito pálido, dirija-se ao hospital.

11 - Tosse com sons estranhos quando o bebê expira

Pode tratar-se de respiração asmática e indica uma obstrução nas vias respiratórias inferiores, possivelmente devido a uma infecção, uma alergia ou simplesmente sensibilidade ou à presença de um objeto estranho (ver "Tosse que começa de repente"). Se você conhece alguém com asma ou já tiver ouvido um gato ronronar, então tem uma ideia de como a respiração asmática soa. Telefone imediatamente ao pediatra para receber instruções (a não ser que seja uma alergia ou uma sensibilidade que já tratou anteriormente e que tenha os medicamentos e os procedimentos estabelecidos para lidar com ela). Coloque a criança ao telefone, pois escutar o som e o tipo de respiração ajudará o pediatra a perceber o que está acontecendo.

12 - Tosse seguida de vômito

É mais provável que se apresente em crianças com menos de 1 ano, porque não podem eliminar as mucosidades. Em vez disso, engolem-nas e acabam por vomitá-las. Contudo, se esse tipo de tosse for acompanhado de contínua dificuldade em respirar, qualquer mudança na cor dos lábios ou um "silvo" no final do ataque de tosse (ver mais acima), telefone imediatamente ao pediatra.


13 - Tosse que dura mais de um mês

Isso é geralmente o resultado do azar de apanhar uma constipação atrás da outra. Mas, para que haja segurança, deve-se marcar uma consulta com o pediatra para acabar com uma alergia, uma infecção crônica, uma sensibilidade a alimentos ou outro problema. Esteja preparado para relatar quaisquer afecções respiratórias nas pessoas que estiveram com a criança, como também quaisquer outras dúvidas que possa ter.

14 - Tosse nos membros da família

É sempre conveniente manter o seu filho afastado de qualquer pessoa com uma tosse infecciosa ativa até que tenha praticamente desaparecido. Em relação a isso, os recém-nascidos são provavelmente imunes às doenças da mãe ou do pai. Além disso, o leite materno dá aos bebês uma maior proteção contra as infecções. Depois dos 6 meses, o seu bebê defende-se com o seu próprio sistema imunológico, mas mesmo assim convém protegê-lo, especialmente da tosse forte e com mucosidades.
Os fumantes constituem um grande risco para os bebês, não só porque tendem a ter infecções pulmonares, mas também porque o próprio fumo os torna mais propensos a contrair doenças. Por isso, mantenha o seu filho afastado de ambientes cheios de fumo de cigarro, sempre que possível.
Os adultos, particularmente os mais velhos, podem ser portadores de tuberculose. Um simples exame cutâneo pode eliminar quaisquer dúvidas que possa ter sobre alguém que apresenta tosse crônica.

Por Lucia Ferro