terça-feira, 30 de agosto de 2011

Os riscos de ganhar peso para fazer a cirurgia de redução do estômago


Belo Horizonte — A dieta consistia em comer de duas em duas horas, mas, em vez de um pão integral ou de uma fruta, a comunicóloga Josiane Ferreira, 31 anos, se entupia de calorias. No lugar de uma fatia de pizza, comia oito. Um copo de refrigerante não bastava: era necessário um litro. Sanduíches e massas passaram a ser ingeridos até o estômago aguentar. Tudo isso porque Josiane, que pesava 115kg e tem 1,65m de altura, decidiu se tornar obesa mórbida para ter o índice de massa corpórea — o IMC, que é o peso dividido pela altura ao quadrado — de 40kg/m², como exigia seu plano de saúde para cobrir a cirurgia bariátrica (de redução do estômago).            

“Em um mês, engordei 10kg. Era um sonho. Comia com vontade tudo o que via pela frente”, conta a comunicóloga. Assim como ela, muitas pessoas — na maioria dos casos, mulheres jovens — têm enfrentado uma corrida desenfreada para ganhar quilos e mais quilos e, com isso, alcançar o IMC que as qualifique para a cirurgia de redução de estômago, feita pelo convênio médico ou pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para especialistas, o método, não recomendado, é uma tragédia anunciada.           

Para aumentar a preocupação, nos próximos dias a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) bate o martelo sobre a venda de inibidores de apetite no país. Se a agência optar pela proibição e os remédios forem retirados do mercado, cirurgiões e endocrinologistas temem que a operação se torne a primeira opção de quem quer perder peso mais rapidamente e o método de “engordar para emagrecer” se transforme em uma epidemia entre os brasileiros.

O Brasil só perde em operações bariátricas para os Estados Unidos, que têm o maior volume de gordos no planeta — lá, 150 mil entraram “na faca” no ano passado. Por aqui, 60 mil brasileiros diminuíram o estômago no mesmo período. Na Itália, em terceiro lugar, foram 5 mil.     

Manobra perigosa
 


Por que, afinal, uma pessoa que já está obesa e quer emagrecer come para engordar? Trata-se de uma manobra para reduzir o estômago sem ter que pagar um procedimento particular, que pode custar até R$ 25 mil, ou mesmo se esforçar barbaramente com exercícios físicos e reeducação alimentar. Os convênios e o SUS só cobrem a intervenção se o paciente tiver o IMC recomendado pela Federação Internacional para Cirurgia da Obesidade (IFSO) e adotado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que definiu as regras: a cirurgia é indicada para pacientes com obesidade mórbida (IMC a partir de 40kg/m²) e obesos (IMC entre 35kg/m² e 39kg/m²) que sofrem de doenças relacionadas à própria obesidade, como diabetes e hipertensão. Também há a determinação de que os “candidatos” realizem, no mínimo, dois anos de tratamento para emagrecer, com uso de remédios e acompanhamento médico. Apenas quando tudo isso falhar deve-se partir para o recurso mais radical.

Sem os emagrecedores no mercado, o diretor clínico do Instituto Mineiro de Endocrinologia, Geraldo Santana, teme o pânico entre aqueles que precisam do remédio. “O risco de muitos começarem a engordar para enfrentar o bisturi é grande. Muitas pessoas não aceitam estar acima do peso”, comenta, avaliando que aqueles que optam por ganhar os quilinhos não passam pelos consultórios dos endocrinologistas. “Se essa forma de comer sem parar já ocorre com a venda de inibidores e sem ajuda médica, imagine o que não vai acontecer sem eles? É perigoso demais. Por isso, a Anvisa não deve proibir, deveria fiscalizar a comercialização dos medicamentos”, alega.   

O receio é o mesmo de Galzuinda Figueiredo Rei, titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (Sbcbm) e responsável técnica de cirurgia bariátrica da Santa Casa de Belo Horizonte. De acordo com ela, estimam-se que haja milhões de obesos mórbidos no país para os quais a cirurgia têm indicação. Sua maior preocupação é de que não há no país uma política pública nacional de combate à obesidade. “Não existe uma cultura para estimular o emagrecimento saudável. Faltam campanhas. A cirurgia deveria ser o último recurso, e não a primeira opção”, diz. Ela aposta que, na saúde suplementar, a tendência de ganhar peso é maior. “No SUS, há filas imensas de pessoas que aguardam a cirurgia, por isso, não acredito que quem quer emagrecer por estética vá enfrentar essa espera.”        

Desafio psicológico      


A psicóloga familiar sistêmica Cláudia Prates, que faz avaliações em pacientes prestes a se submeterem a operações de estômago, diz que aquele que engorda para emagrecer come pensando que não será responsável pela conquista de peso, o que acaba sendo prazeroso. “É um álibi para o próprio descontrole. Conheço muitas pessoas que se mantêm magras por medicamentos e, se eles forem proibidos, tenho certeza de que vão recorrer à cirurgia”, opina.      

Há, entretanto, quem defenda que, independentemente da decisão da Anvisa, o método de adquirir mais peso para se submeter à operação não se altera. De acordo com o professor de clínica e endocrinologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Davidson Pires de Lima, a prática ocorre independentemente da liberação ou não de medicamentos. “É uma busca dos jovens por uma solução mágica. O inibidor não faz emagrecer por si só; tem que ter atividade física e boa alimentação. O que é necessário é haver uma mudança de comportamento.”        

"A cirurgia foi boa para mim"    


Aos 23 anos, Josiane, hoje com 31, fez a cirurgia, depois de engordar 10kg. Ela jura que não foi por vaidade que, aos 23 anos, teve que engordar 10kg para enfrentar o bisturi. “Como meus exames de colesterol e glicose já estavam alterados, o médico me recomendou engordar para alcançar o ICM e passar pela cirurgia paga pelo convênio. Comia sem remorso. Antes, já tinha feito todas as dietas possíveis para emagrecer e nada adiantava. Bastava relaxar que engordava três vezes mais. A cirurgia foi boa para mim”, diz, apostando que, sem os remédios, muitas pessoas vão seguir seus passos. “Vai aumentar a busca pela operação. É um meio muito rápido de emagrecer. Hoje em dia, ninguém quer fazer esforços. O pós-operatório, porém, não é fácil. Fiquei três meses sem comer sólidos”, conta.

Por Luciane Evans

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

As várias faces da Síndrome de Marfan


Equipe cria linhagens de camundongos geneticamente modificados que reproduzem a variabilidade clínica da doença, desde os casos leves até os graves

Em 2001, a equipe de Lygia da Veiga Pereira, coordenadora do Laboratório de Genética Molecular do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) produziu os primeiros camundongos geneticamente modificados no Brasil. Eram roedores com um defeito genético similar ao que causa em seres humanos a Síndrome de Marfan, doença caracterizada por problemas cardiovasculares, oculares e no esqueleto: tinham alterações num gene, o Fbn1, responsável pela síntese da fibrilina 1, proteína fundamental para a formação do tecido conjuntivo.  Agora, quase dez anos após o experimento inicial, a mesma equipe de pesquisadores conseguiu refinar ainda o modelo animal da doença. Desenvolveu duas linhagens de animais que, embora carreguem o mesmo defeito genético, manifestam a doença de forma distinta.

Os principais sintomas da síndrome – alongamento de mãos e pernas, desvio da coluna vertebral, deformidade torácica e problemas cardíacos e oculares – aparecem de maneira mais aguda e precoce (três meses antes) na linhagem 129/Sv do que na C57BL/6. Somente aos seis meses de idade, os roedores do segundo grupo atingem o mesmo nível de gravidade da doença que os animais do primeiro grupo apresentam aos três meses. A equipe da USP, que também inclui pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e do Instituto de Ciências Biomédicas, criou até métodos quantitativos para medir a severidade das alterações clínicas mais significativas da síndrome.  “Acreditamos que a atuação de genes modificadores pode alterar a velocidade do avanço da doença nas duas linhagens”, diz Lygia. “Esses genes modificadores podem ser importantes para entendermos a progressão da síndrome em humanos.” A Síndrome de Marfan é uma doença autossômica dominante. Basta que uma das duas cópias do gene Fbn1tenha alguma mutação patogênica para que o problema se manifeste clinicamente.

O resultado com as duas linhagens animou os cientistas da USP. Mas a análise mais detalhada de um dos tipos de camundongos reservava uma surpresa ainda maior.  Os animais da linhagem 129/Sv eram isogênicos – tinham, como clones genéticos, exatamente o mesmo DNA – e, ainda assim, expressavam clinicamente a doença em estágios completamente díspares.  Comparados com roedores de um grupo de controle, sem a doença, 16% dos 129/Sv podiam ser classificados como animais assintomáticos, 38% apresentavam um quadro tido como moderado da síndrome e 46% foram classificados como casos graves. Nesse caso, não se pode atribuir os diversos graus de severidade da doença a eventuais diferenças no material genético dos camundongos. “Fatores epigenéticos podem estar por trás do surgimento de fenótipos (aparência física) distintos nos animais dessa linhagem  “, afirma Lygia.

Modernamente, a epigenética é definida como o estudo de mudanças no funcionamento do genoma de um organismo que podem ser herdadas, passadas de uma geração a outra, apesar de não ter ocorrido qualquer alteração na sequência original de DNA. A influência do ambiente e o fato de uma determinada parte do genoma ter vindo do pai (em vez da mãe) podem ser interpretados como fatores epigenéticos, como elementos que, embora externos ao código genético propriamente dito, podem ter repercussões na expressão (ativação) de genes e, assim, modificar a manifestação clínica de uma doença. “A biologia é muito complexa e ainda não conhecemos todas as variáveis que influenciam o funcionamento dos genes”, diz Lygia, cujo laboratório conta com financiamento da FAPESP há mais de uma década. 


Por Marcos Pivetta

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Conheça 11 causas comuns para a tontura



A tontura é a terceira principal queixa que os pacientes fazem nos consultórios. Saiba como identificar as origens do problema

A terceira queixa mais comum em consultórios médicos do Brasil é a tontura. O sintoma só fica atrás de dor e febre. E, assim como os outros dois, a tontura pode ter uma série de razões ocultas — mais de 300 quadros clínicos podem levar a essa sensação. Portanto, é certo: quem ainda não teve, em algum momento da vida, terá sinais como falta de equilíbrio, sensação de possível queda ou de que a cabeça está girando.

Especialista tira dúvidas sobre a labirintite

Em geral, as causas estão relacionadas com o labirinto, uma estrutura localizada no ouvido interno que está relacionada à audição e equilíbrio. Quando ele é afetado por um dos fatores – que podem ser infecciosos, inflamatórios, neoplásicos (decorrentes de tumores), entre outros — a pessoa fica com a sensação de ter perdido o equilíbrio. O ideal é que um médico seja procurado assim que o sintoma aparecer. Segundo Fernando Ganança, otorrinolaringologista da Sociedade Brasileira de Otologia (SBO), mais de 90% das pessoas apresentam melhora parcial ou total depois de iniciar um tratamento.
Outra boa notícia é que raramente a tontura indica um problema neurológico mais sério, como um derrame, hemorragia cerebral ou esclerose múltipla.

Atenção -- Casos em que a tontura ocorrer após uma forte pancada na cabeça, vier acompanhada de febre alta, perda súbita de audição, dor no peito e visão turva devem seguir imediatamente para o serviço de emergência hospitalar. Enfraquecimento das pernas ou braços, fala embaralhada, perda de consciência e mal-estar acompanhado de náusea e vômito, além da presença de desequilíbrio intenso também fazem parte dos sinais que indicam a necessidade de procurar imediatamente um hospital. Abaixo, 11 causas comuns para a tontura:

Anemia: Quando o corpo não possui ferro suficiente para produzir hemoglobina — proteína que transporta oxigênio no sangue — a pessoa pode ter tontura, entre outros sintomas, se não houver tratamento.

Gripe: Pode obstruir a cavidade nasal. Com o nariz congestionado, outras áreas são afetadas e podem trazer consequências diretas ao labirinto, causando a tontura.

Enxaqueca: As dores de cabeça podem vir acompanhadas de náuseas e sensibilidade à luz. Em alguns casos, a enxaqueca pode vir junto com tontura.

Síndrome metabólica: Problemas como diabetes ou colesterol alto também podem causar tonturas. No caso do colesterol, por exemplo, há um engrossamento do sangue que prejudica a oxigenação do labirinto — fazendo com que o sintoma ocorra.

Transtornos de ansiedade: Sintomas como respiração ofegante, taquicardia e tontura podem ser sintomas de uma crise de ansiedade.

Distúrbios hormonais: A menopausa ou distúrbios na tireoide comprometem o labirinto. Nesse caso, a tontura pode não ser permanente, mas recorrente. 

Distúrbios neurológicos: Entre 10 e 15% das tonturas tem origem neurológica, como por exemplo tumores que envolvam o próprio labirinto ou os nervos que saem dele, além de doenças degenerativas.

Lesões: Uma pancada forte na cabeça pode afetar o labirinto. Um trauma acústico também - por exemplo, se uma pessoa ficar próxima de uma caixa acústica potente poderá ter tontura. Outro tipo de lesão é o barotrauma, que é ligado a pressão no interior do corpo. O problema pode ocorrer ao decolar no avião ou durante um mergulho na água.

Medicamentos: Alguns medicamentos têm a tontura como efeito colateral. Por isso, é importante questionar o médico sobre as reações adversas dos remédios.

Distúrbios na visão: Problemas visuais, como distúrbios de refração (como miopia, hipermetropia, astigmatismo), e alterações na pressão intraocular podem dar a falsa sensação de movimento, causando tontura. 

Doenças cardiovasculares: Arritmias, hipertensão e alterações dos vasos que levam o sangue para o ouvido, como é o caso da aterosclerose, alteram o fluxo de sangue que vai até o labirinto.

Fontes: Alfredo Salim Helito, clínico-geral do Hospital Sírio-Libanês; Ítalo Medeiros, chefe laboratório do Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Fernando Ganança, otorrinolaringologista da Sociedade Brasileira de Otologia (SBO) e chefe da disciplina de Otoneurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Crianças que tomam muito antibiótico correm maior risco de contrair superbactéria


 Crianças que tomam muito antibiótico têm até 18 vezes mais chances de contrair a superbactéria MRSA (abreviação em inglês para Staphylococcus aureus resistente à meticilina). Embora a infecção seja rara, uma pesquisa canadense aponta que ela pode ser mais comum quando a criança recebe quatro ou mais prescrições médicas de antibióticos. A pesquisa foi publicada no periódico médico Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine.
 A bactéria MRSA chegou aos Estados Unidos na década de 1960. Mas foi apenas no início de 1980, quando ela infectou uma vítima de queimadura em um hospital de Seattle e causou um surto devastador, que os médicos perceberam o quão séria a situação realmente era. Em 2005, estima-se que a bactéria tenha causado infecções severas em 95.000 americanos, matando cerca de 18.500.
 O número de infecções contraídas dentro dos hospitais tem decaídos nos últimos anos, mas não há tanta certeza sobre as que acontecem fora deles – batizadas de 'MRSA adquirida na comunidade'. "Isso continua a ser um problema, mas o aumento dramático que vimos na última década parece ter estabilizado em muitas áreas e pode estar diminuindo em algumas", diz Daniel J. Diekema, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Iowa.
 De acordo com Diekema, no entanto, a pesquisa não demonstrou a relação de causalidade entre os antibióticos e a MRSA – apenas sua relação direta. Mas, segundo ele, a relação teria um sentido biológico já conhecido. "Isso fornece mais evidências que apoiam nossos esforços para diminuir o uso de antibióticos", diz.
 PESQUISA
 Estudos anteriores já haviam demonstrado que adultos com diversas prescrições de antibióticos eram mais suscetíveis a abrigar a MRSA. Para checar a relação com as crianças foram analisados dados de diagnósticos feitos em clínicas médicas na Inglaterra entre 1994 e 2007. Eles encontraram, então, 4,5 casos de MRSA para cada 100.000 crianças todos os anos, embora não tenha ficado claro se a criança tinha uma infecção ativa ou apenas carregava a bactéria na pele, onde ela é inofensiva. "Em geral, apenas uma minoria das pessoas que carrega a MRSA se infecta", diz Diekema. 
Das 297 crianças que tiveram confirmação para MRSA, mais da metade (53%) receberam prescrição de no mínimo um antibiótico entre 30 e 180 dias antes do diagnóstico (os últimos 30 dias foram excluídos para se ter certeza de que a droga não foi usada para tratar MRSA). Em contrapartida, apenas 14% das mais de 9.000 crianças que visitaram os mesmos médicos, mas não tinham MRSA, haviam tomado recentemente antibióticos.
 Depois de contabilizar as diferenças entre os dois grupos de crianças, os riscos se mostraram três vezes maiores de abrigar MRSA para as crianças que haviam tomado muitos antibióticos. E quanto mais antibióticos a criança havia tomado, mais sujeita estava a contrair a bactéria resistente. Aqueles que tiveram quatro ou mais prescrições, por exemplo, tinham 18 vezes mais riscos de MRSA.
Por outro lado, quase metade das crianças que tinham a bactéria não havia recebido antibiótico algum na metade do ano anterior ao diagnóstico. "Essa é uma observação intrigante que esperamos que vá culminar em investigações sobre os mecanismos de desenvolvimento da MRSA", diz Samy Suissa, coordenador da pesquisa.
 Fonte: Veja Online

10 Passos para evitar o Câncer



O Instituto do Câncer de São Paulo (ICESP) divulgou uma série de dicas para prevenir o surgimento do câncer.

São atitudes simples, passíveis de serem incorporadas ao dia-a-dia, mas que são fundamentais para prevenir o câncer, que atualmente é a segunda maior causa de morte entre a população.

A primeira, e uma das principais recomendações, é não fumar. O tabagismo é responsável por 30% das mortes de pacientes oncológicos e um ponto desencadeante de diversas outras doenças.

Outro fator importante é não consumir bebidas alcoólicas em excesso, pois o álcool potencializa significativamente os efeitos do tabaco.

"Evitar o tabagismo e a ingestão de bebidas alcoólicas já vai ajudar, e muito, na manutenção da saúde das pessoas, já que ambos estão associados ao aparecimento de inúmeros tipos de tumores," disse o Dr. Gilberto de Castro Jr., oncologista do Icesp.

10 PRINCIPAIS PASSOS PARA PREVENIR O CÂNCER:

1. Não fume. Mesmo uma pequena quantidade de tabaco pode fazer um grande estrago.
2. Não abuse de bebidas alcoólicas, principalmente se estiver violando a regra número um.
3. Mantenha hábitos de sexo seguro. Use camisinha. O contato com alguns vírus transmitidos sexualmente, como o papiloma vírus humano (HPV), pode desencadear alguns tipos de câncer.
4. O sexo seguro é o caminho para evitar os vírus da hepatite B (para a qual há vacina) e da hepatite C, ambos com potencial para levar ao câncer de fígado.
5. Evite o consumo excessivo de açúcares, de gorduras, de carne vermelha, de porco e das processadas. Invista em uma dieta saudável, rica em verduras, legumes e frutas.
6. Na mesma linha da dieta saudável, vale reforçar a importância de evitar o consumo de alimentos com muito sódio e conservantes, como é o caso dos enlatados, embutidos e fast foods em geral.
7. Cuidado com o sol. Use filtro solar diariamente e evite a exposição entre 10h e 16h. Na praia ou na piscina, lance mão, também, de barreiras físicas, como chapéu, camiseta e guarda-sol. Mas seja ponderado, e lembre-se que seu corpo precisa de vitamina D.
8. Pratique atividades físicas todos os dias. A recomendação é de que o exercício tenha duração mínima de 30 minutos.
9. Mantenha-se atento à sua saúde. Procure assistência especializada caso note qualquer anormalidade em seu corpo.
10. Faça um check-up anual e realize todos os exames de diagnóstico precoce indicados pelo seu médico. Esta também é uma atitude fundamental.

E, se você conseguir dar todos esses 10 passos, dê mais um, e lembre-se que a hipocondria também é uma patologia - viva mais leve.

Fonte: Diário da Saúde

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A teia neural da esquizofrenia


Células de pele convertidas em neurônios mostram alterações biológicas ligadas à doença

Pesquisadores norte-americanos deram um passo importante para identificar as causas biológicas da esquizofrenia, conjunto de transtornos mentais graves que atingem cerca de 60 milhões de pessoas no mundo – por volta de 1,8 milhão no Brasil – e se caracterizam por distanciamento emocional da realidade, pensamento desordenado, crenças falsas (delírios) e ilusões (alucinações) visuais ou auditivas.

A equipe coordenada pelo neurocientista Fred Gage, do Instituto Salk, na Califórnia, conseguiu transformar células da pele de pessoas com esquizofrenia em células mais imaturas e versáteis. Chamadas de células-tronco de pluripotência induzida (iPS, na sigla em inglês), essas células foram depois convertidas em neurônios, uma das variedades de células do tecido cerebral.

Essa mudança forçada de função gerou o que os pesquisadores acreditam ser cópias fiéis, ao menos do ponto de vista genético, das células do cérebro de quem tem esquizofrenia, que, por óbvios motivos éticos, antes só podiam ser analisadas depois da morte. Como são geneticamente idênticos às células cerebrais de quem desenvolveu esquizofrenia, esses neurônios fabricados em laboratório são importantes para compreender a enfermidade, que tem importante componente genético, porque permite aos pesquisadores desprezar a influência de fatores ambientais, como o uso de medicamentos ou o contexto social em que as pessoas vivem. “Não se sabe quanto o ambiente contribui para a doença”, diz Kristen Brennand, pesquisadora do grupo de Gage e primeira autora do artigo da Nature. “Mas ao fazer esses neurônios crescerem em laboratório, podemos eliminar o ambiente da equação e começar a focar nos problemas biológicos”, afirma.

Segundo Gage, é a primeira vez que se consegue criar, a partir de células de seres humanos vivos, um modelo experimental de uma doença mental complexa. “Esse modelo não apenas nos dá a oportunidade de olhar para neurônios vivos de pacientes com esquizofrenia e de pessoas saudáveis, como também deve permitir entender melhor os mecanismos da doença e avaliar medicamentos que podem revertê-la”, afirma em comunicado à imprensa o neurocientista, que anos atrás demonstrou que o cérebro adulto continua a produzir neurônios.

Depois de converter em laboratório células da pele em neurônios, Kristen realizou testes para verificar se eles se comportavam de fato como os neurônios originais e eram capazes de transmitir informação de uma célula a outra. As células cerebrais obtidas a partir de células da pele (fibroblastos) funcionavam, sim, como neurônios. “Em vários sentidos, os neurônios ‘esquizofrênicos’ são indistintos dos saudáveis”, afirma a pesquisadora.

Mas há diferenças. Kristen notou que os novos neurônios de quem tinha esquizofrenia apresentavam menos ramificações do que os das pessoas saudáveis. Essas ramificações são importantes porque permitem a comunicação de uma célula cerebral com outra – e geralmente são encontradas em menor número em estudos feitos com modelo animal da doença e em análises de neurônios extraídos após a morte de pacientes com esquizofrenia. Nos neurônios dos esquizofrênicos, a atividade genética diferiu daquela observada nas pessoas sem a doença. Kristen e Gage viram que o nível de ativação de 596 genes era desigual nos dois grupos: 271 genes eram mais ativos nas pessoas com esquizofrenia – e 325 menos expressos – do que nas pessoas sem o problema.

Num estágio seguinte, Kristen deixou os fibroblastos convertidos em neurônios passar um tempo em cinco soluções diferentes, cada uma contendo um dos cinco medicamentos mais usados para tratar esquizofrenia – os antipsicóticos clozapina, loxapina, olanzapina, risperidona e tioridazina. Dos cinco, apenas a loxapina foi capaz de reverter o efeito da ativação anormal dos genes e permitir o crescimento de mais ramificações nos neurônios. Esses resultados, porém, não indicam que os outros quatro compostos não sejam eficientes. “A otimização da concentração e do tempo de administração pode aumentar os efeitos das outras medicações antipsicóticas”, escreveram os pesquisadores.

“Esses medicamentos estão fazendo mais do que achávamos que fossem capazes de fazer”, diz Kristen. “Pela primeira vez temos um modelo que permite estudar como os antipsicóticos agem em neurônios vivos e geneticamente idênticos aos de paciente”, conta a pesquisadora. Isso é importante porque torna possível comparar os sinais da evolução clínica da doença com os efeitos farmacológicos. “Por muito tempo as doenças mentais foram vistas como um problema social ou ambiental, e as pessoas achavam que os pacientes poderiam superá-las caso se esforçassem”, comenta Gage. “Estamos mostrando que algumas disfunções biológicas reais nos neurônios são independentes do ambiente”.


Por Ricardo Zorzetto

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

FOBIA


Medo é um sentimento universal e muito antigo. Pode ser definido como uma sensação de que você corre perigo, de que algo de muito ruim está para acontecer, em geral acompanhado de sintomas físicos que incomodam bastante. Quando esse medo é desproporcional à ameaça, por definição irracional, com fortíssimos sinais de perigo, e também seguido de evitações das situações causadoras de medo imotivado, patológico, ilógico e especificamente orientado para um determinado objeto ou situação. Normalmente é acompanhada de intensa ansiedade e outros sintomas autossômicos.É chamado de fobia que na verdade é uma crise de pânico desencadeada em situações específicas.
Existem três tipos básicos de fobias, que são: Agorafobia, fobia específica e fobia social.

 Agorafobia

            A característica essencial da agorafobia é uma ansiedade que aparece quando a pessoa se encontra em locais ou situações das quais quer sair dali (escapar) que poderia ser difícil ou embaraçoso ou, na maioria das vezes, em situações nas quais um auxílio imediato pode ser difícil, caso a pessoa venha a passar mal. A ansiedade agorafóbica pode ser, inclusive, antecipatória, ou seja, aparecer diante da simples possibilidade de ter que participar de determinadas situações. Essa ansiedade antecipatória pode levar ao afastamento (fuga) dessas situações, presumivelmente causadoras de ansiedade, tais situações podem incluir:
·         Estar sozinho fora de casa ou estar sozinho em casa;
·         Estar em meio a uma multidão;                                                                                                    
·         Viajar de automóvel, ônibus ou avião, ou estar em uma ponte ou elevador.
Alguns indivíduos mais teimosos podem ser capazes de se expor às situações causadoras de ansiedade agorafóbica, mas enfrentam essas experiências com considerável temor. De um modo geral essas pessoas são mais capazes de enfrentar as situações temidas quando acompanhado por alguém de confiança. As vezes basta uma criança como companhia para o agorafóbico sentir-se tranquilo. A esquiva ou fuga dessas situações pode prejudicar, de alguma forma, o desempenho sócio-ocupacional do indivíduo ou até mesmo interferir na dinâmica da família, pois este tipo de problema provoca irritação nos parentes que quando não conhecem o problema passam a hostilizar ou ridicularizar o paciente que sofre com sua ansiedade e com a incompreensão.
DSM-IV recomenda como critérios para o diagnóstico da Agorafobia o seguinte:
        Ansiedade acerca de estar em locais ou situações de onde possa ser difícil (ou embaraçoso) escapar ou onde o auxílio pode não estar disponível, na eventualidade de ter um Ataque de Pânico inesperado ou predisposto pela situação, ou sintomas tipo pânico. Os temores agorafóbicos tipicamente envolvem agrupamentos característicos de situações, que incluem: estar fora de casa desacompanhado; estar em meio a uma multidão ou permanecer em uma fila; estar em uma ponte, viajar de ônibus, trem ou automóvel.
       As situações são evitadas (por ex., viagens são restringidas) ou suportadas com acentuado sofrimento ou com ansiedade acerca de ter um ataque de pânico ou sintomas tipo pânico, ou exigem companhia.
       A ansiedade ou esquiva agorafóbica não é mais bem explicada por um outro transtorno mental, como Fobia Social (por ex., a esquiva se limita a situações sociais pelo medo do embaraço), Fobia Específica (por ex., a esquiva se limita a uma única situação, como elevadores), Transtorno Obsessivo-Compulsivo (por ex., esquiva à sujeira, em alguém com uma obsessão de contaminação), Transtorno de Estresse Pós-Traumático (por ex., esquiva de estímulos associados com um estressor severo) ou Transtorno de ansiedade de Separação (por ex: esquiva a afastar-se do lar ou de parentes).

Fobia Específica

           
A característica essencial da Fobia Específica é o medo acentuado e persistente de objetos ou situações claramente específicas. É um medo irracional e excessivo que provoca a evitação consciente de um objeto ou de uma determinada situação, tal como, medo de voar, de altura, de animais, de tomar uma injeção ou ver sangue. As manobras para evitar a situação temida, o medo antecipatório da situação ou a ansiedade extrema causada pela exposição interferem na rotina normal do indivíduo, no seu trabalho ou em seus relacionamentos. Diante da exposição a essas situações, ou seja, diante do estímulo fóbico, quase que invariavelmente a pessoa experimenta imediatamente uma sensação de ansiedade. Esta ansiedade pode assumir várias formas, inclusive pode aparecer como um ataque de pânico; por sudorese, batimentos rápidos do coração, tremor das mãos, falta de ar e sensação de "frio" na barriga.
            Embora os pacientes com esse transtorno reconheçam que seu temor é excessivo ou irracional, continuam experimentando-o. Por causa disso, com frequência o estímulo fóbico passa a ser evitado, embora às vezes seja suportado com muito medo e pavor. O diagnóstico é mais bem dado quando a evitação ou esquiva, o medo ou a antecipação ansiosa do encontro com o estímulo fóbico passam a interferir significativamente na rotina diária, no funcionamento ocupacional ou na vida social.
            O tratamento deve ser individualizado, dependendo das características e da gravidade dos sintomas que o paciente apresenta. Utiliza-se no tratamento tanto a psicoterapia cognitivo-comportamental quanto à psicoterapia de orientação analítica. Aos pacientes que relutam em fazer uso de medicamentos, invocando o surrado discurso de que não gostariam de "depender" de remédios para "tocar" suas vidas, devemos lembrar que, de fato, não são "obrigados" a usar tais medicamentos. As pessoas que usam óculos também não são obrigadas a eles. Evidentemente terão alguns riscos. Existem ainda aqueles que reclamam (queixar-se é uma coisa, reclamar é outra) de que "não eram assim", que sempre foram determinados, decididos e fortes (muito azar daqueles que associam a ansiedade à fraqueza). Para estes, lembramos que não nascemos com dentes cariados, calvos, grisalhos, etc. Essas coisas vão acontecendo ao longo do tempo e os transtornos emocionais surgem, tal como surgem também, os reumatismos, as miopias, as hipertensões, etc. Enfim, a medicina dispõe de recursos que suprimem o desconforto e mal estar da expressiva maioria das situações patológicas. Mas seu uso continua sendo democrático. O uso dos ansiolíticos e antidepressivos prescritos pelo médico deve ser considerado tão livre quanto o uso de anticoncepcionais, de vitaminas, de anti-hipertensivos, etc. Aliás, é tão opcional quanto fazer terapia.

Fobia Social

            É um medo excessivo de humilhação ou embaraço em vários contextos sociais, como falar, comer, escrever, praticar atividades físicas e esportivas em público, assim como urinar em toalete público ou falar ou aproximar-se de um parceiro em um encontro romântico. O resultado disso é uma importante limitação na vida da pessoa pela evitação dessas situações ou atividades sociais temidas. Também podem ocorrer prejuízos na vida profissional e afetiva do indivíduo. A pessoa com fobia social sente medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais ou de desempenho quando é exposta às pessoas estranhas. Pode haver temor por acabar agindo de forma humilhante e embaraçosa para si próprio. A exposição à situação social temida causa ansiedade que é caracterizada por sudorese, batimentos rápidos do coração, tremor das mãos, falta de ar, sensação de "frio" na barriga. O indivíduo reconhece que o medo é irracional ou excessivo. As situações sociais e de desempenho temidas são evitadas ou suportadas com intensa ansiedade e sofrimento.

Em todos os Transtornos fóbico-ansiosos pode ocorrer a chamada ansiedade antecipatória, fazendo com que o quadro ansioso apareça antes mesmo da pessoa deparar-se, de fato, com a situação de medo, ou seja, no caso do indivíduo pressentir a necessidade de se deparar com a situação de sua fobia. Essas situações fóbicas são frequentemente, evitadas de forma franca ou dissimuladas. Invariavelmente, até para uma questão de se firmar o diagnóstico, o paciente fóbico deve reconhecer a irracionalidade e o absurdo de seu medo. Concorda com a anormalidade de seus sentimentos, mas, mesmo assim, percebe-se impotente em combatê-los. O diagnóstico diferencial para se distinguir os quadros de Agorafobia, Fobia Social, Fobia Específica pode ser difícil, uma vez que todas essas condições caracterizam-se pelo afastamento de situações específicas. Clinica e terapeuticamente falando, entretanto, essa dificuldade parece não ter a mínima importância, devido ao fato do tratamento médico-psiquiátrico ser basicamente, o mesmo para todos esses casos.